XII Seminário Nacional de Educação e Formação de Adultos


A Associação Portuguesa de Educação e Formação de Adultos (APEFA) promoveu o habitual Seminário Nacional, que contou este ano com a 12.ª edição, e Seminário Internacional (4.ª edição), sob o mote “Educação de Adultos – Pilar da Construção Europeia | 40 Anos na União Europeia: Aprendizagens, Transformações e Desafios”.

O evento teve lugar no dia 03 de julho no auditório do Conservatório de Música de Coimbra e a equipa do Centro Qualifica do Agrupamento de Escolas de Pombal esteve presente, levando dúvidas e colocando questões legítimas num ano de profundas mudanças na Educação e Formação de Adultos em Portugal.

Em tempos em que não faltam novas estruturas, mas vontade de reconhecer pública e politicamente o que já existe, e em que a maior homenagem aos 40 anos de pertença ao Espaço Europeu é que ninguém considere que é demasiado tarde para aprender, a Educação de Adultos enfrenta significativos desafios, começando desde logo pelo facto de a liberdade individual ficar diluída se não se investir na qualificação.

O reforço de uma resposta consistente de qualificação da população está claramente plasmado na legislação vigente, que assume a aprendizagem ao longo da vida como um desígnio estratégico, propósito que encontra respaldo na meta europeia do Plano de Ação do Pilar Europeu dos Direitos Sociais, de os países da União Europeia, até 2030, passarem a abranger anualmente 60% dos adultos, entre os 25 e os 64 anos de idade, em ações de aprendizagem ao longo da vida. Não obstante, perante a questão “o que falta para tornar a Educação de Adultos verdadeiramente universal?”, António Leite, ex-Secretário de Estado da Educação, foi contundente quando respondeu que falta apenas uma coisa: querer.

Com uma moldura humana consistente na plateia, reforçada por centenas de participantes a assistir remotamente, este Seminário anual assinala-se como uma das principais referências estáveis de discussão nacional de Educação e Formação de Adultos, constituindo uma oportunidade (in)formativa e reflexiva e sensibilizando todos os atores territoriais para uma participação cívica e envolvimento ativo em prol da (re)qualificação da população portuguesa e da sua emancipação social.

Isabel Moio – Técnica de ORVC

Educação de Adultos em debate


Entre os dias 21 de maio e 30 de junho de 2026, a Educação de Adultos esteve em debate num ciclo de webinares promovido pela Associação Portuguesa de Educação e Formação de Adultos (APEFA).

A Educação de Adultos afirma-se hoje como um campo complexo, dinâmico, multicultural e profundamente marcado pelas transformações sociais, culturais e políticas das últimas décadas. Por isso, os temas aglutinadores sobre os quais a iniciativa versou – políticas públicas, inclusão e equidade, ecossistemas de aprendizagem, desenvolvimento local e identidades profissionais – permitiram refletir sobre a relevância de cada um destes eixos, mas também sobre os desafios que se colocam à afirmação desta área enquanto atuação estratégica.

A valorização dos ecossistemas de aprendizagem e dos processos de reconhecimento, validação e certificação de competências constitui igualmente um desafio e, simultaneamente, uma oportunidade. Admitir que a aprendizagem ocorre em múltiplos contextos significa atribuir legitimidade aos conhecimentos adquiridos ao longo da vida e promover trajetórias educativas mais inclusivas e significativas. Contudo, esta valorização continua, por vezes, a enfrentar resistências sociais e políticas que limitam o seu potencial emancipador.

Tem sido comum, em diferentes fóruns, debater a ligação entre Educação de Adultos, desenvolvimento local e cidadania ativa, evidenciando a importância dos territórios enquanto espaços privilegiados de aprendizagem, participação e transformação social. Além disso, a mobilização das comunidades, a construção de redes de cooperação e o envolvimento dos cidadãos na identificação e resolução dos problemas coletivos constituem dimensões fundamentais para o fortalecimento da democracia e da coesão social.

Também os fenómenos migratórios e a crescente multiculturalidade das escolas e das comunidades introduzem novos desafios à Educação de Adultos. A integração sociocultural de pessoas migrantes, nomeadamente através dos cursos de Português Língua de Acolhimento (PLA), exige práticas educativas promotoras do diálogo, da inclusão e do reconhecimento da diversidade como um recurso e não como um obstáculo.

Face a todos estes desafios, a Educação de Adultos é chamada a reafirmar a sua vocação humanista, emancipatória e transformadora. Mais do que qualificar para o mercado de trabalho, importa capacitar pessoas e contribuir para a construção de sociedades mais justas, inclusivas e democráticas. Neste sentido, o futuro desta área dependerá, em grande medida, da capacidade de lhe conferir estabilidade política (libertando-a da periferia que ocupa nas agendas políticas e educativas), reconhecimento social e recursos necessários para cumprir plenamente a sua missão e permitir a construção de projetos sustentáveis com capacidade de resposta às necessidades reais da população.

Isabel Moio – Técnica de ORVC

Entre Revoluções e Influências


No dia 11 de junho de 2026, realizou-se mais uma sessão de certificação de nível secundário no Centro Qualifica. Os dois trabalhos apresentados abordaram temas distintos, mas unidos por uma questão comum: a influência das ideias, dos discursos e dos movimentos coletivos na construção das sociedades. Enquanto uma candidata analisou o impacto das comunidades digitais associadas à chamada manosfera, outro candidato refletiu sobre os momentos revolucionários que marcaram a história de Portugal.

A primeira apresentação, desenvolvida com recurso ao Gamma AI, teve como tema “Manosfera: Influência Digital ou Perigo Social”[1], inspirada no documentário da Netflix “Louis Theroux: Inside The Manosphere”.

Partindo da análise do documentário, a candidata explicou o conceito de manosfera e as suas principais características, destacando a forma como alguns destes movimentos se apresentam como defensores dos homens perante aquilo que consideram ser os excessos do feminismo. Referiu a utilização do conceito de “pílula vermelha”, retirado do filme Matrix, como metáfora para um suposto despertar para uma nova visão das relações entre géneros.

Ao longo da exposição, refletiu sobre a dualidade e complementaridade entre masculino e feminino, utilizando o símbolo Yin e Yang como ponto de partida para analisar de que forma a manosfera tende a distorcer essa relação de equilíbrio. Abordou ainda temas como a misoginia, a valorização excessiva da aparência física, a agressividade verbal, a ostentação de riqueza e as estratégias utilizadas por alguns influenciadores digitais para captar seguidores e promover esquemas de enriquecimento pessoal.

A candidata analisou igualmente a utilização de notícias falsas e teorias da conspiração como forma de amplificação da influência digital, bem como as ligações identificadas entre alguns setores da manosfera e movimentos políticos de extrema-direita. A apresentação terminou com uma reflexão sobre a igualdade de género, ilustrada através do trabalho fotográfico desenvolvido por Eli Rezkallah, que reinterpretou anúncios publicitários da década de 1950 para questionar estereótipos ainda presentes na sociedade contemporânea.

Seguiu-se a apresentação do segundo candidato, também apoiada pela ferramenta Gamma AI, sob o título “Cinco Revoluções, Um País”[2], inspirada na série documental da RTP As Cinco Revoluções Portuguesas.

Começando por explorar o conceito de revolução e os seus diferentes significados, o candidato conduziu o júri por alguns dos momentos mais marcantes da história nacional. Iniciou a sua exposição com a crise de 1383-1385, destacando a importância do controlo da informação e das narrativas políticas, numa reflexão que estabeleceu paralelos com fenómenos atuais.

Prosseguiu com a Restauração da Independência, abordando o contexto político e económico da época e algumas das medidas fiscais implementadas. Analisou depois a Revolução Liberal e as transformações introduzidas pela Constituição de 1822, sublinhando a importância deste documento para a afirmação dos princípios liberais em Portugal.

A apresentação prosseguiu com a Implantação da República, identificando os seus principais contributos para a sociedade portuguesa, mas também algumas das fragilidades que marcaram este período. Por fim, dedicou especial atenção à Revolução de 25 de Abril de 1974, destacando as conquistas alcançadas ao nível da democracia, das liberdades fundamentais e da participação cívica.

A qualidade das apresentações e a pertinência dos temas escolhidos evidenciaram, uma vez mais, a capacidade dos candidatos para relacionar conhecimentos adquiridos ao longo da vida com desafios históricos e sociais de grande relevância. Esta sessão de certificação demonstrou como o processo de RVCC continua a promover o desenvolvimento do pensamento crítico, da cidadania ativa e da reflexão informada sobre o mundo contemporâneo.

[1] https://gamma.app/docs/A-Manosfera–kwjipzoyiwf4thi

[2] https://gamma.app/docs/Cinco-Revolucoes-Um-Pais-3bzdoztxmnbqx3m

Mikael Mendes – Técnico de ORVC

Dois percursos, uma conquista


Cada percurso de vida prima pela idiossincrasia, mas todos partilham o mesmo denominador: a capacidade de gerar aprendizagens que se constroem no trabalho, nas relações, nos desafios e nas experiências do quotidiano. O processo de RVCC convida precisamente a essa reflexão – reconhecendo o valor dos saberes adquiridos – e culminou no dia 21 de maio de 2026 para os candidatos A. e G..
A A. trouxe a sabedoria de quem aprendeu com a terra. Também este processo lhe foi um espaço de descoberta pessoal e apesar de por vezes árido, soube trabalhá-lo com a mestria de quem cedo trocou o lápis pela enxada. Habituada a respeitar os ciclos das estações, conhece a paciência da semente que espera o momento certo para germinar e a persistência necessária para transformar esforço em colheita. Entre responsabilidades familiares e desafios inesperados, durante as sessões foi semeando confiança, regando aprendizagens e colhendo a certeza de que o conhecimento adquirido ao longo da vida merece ser reconhecido.
O G., ligado à vida sindical, habituou-se a defender direitos e a construir caminhos através do diálogo e da luta coletiva. Acostumado a reivindicações, deparou-se no processo de RVCC com um desafio diferente: escutar a sua própria voz. Como numa longa negociação em que cada passo exige reflexão e perseverança, foi descobrindo que as conquistas mais significativas são, muitas vezes, aquelas que acontecem dentro de nós. Neste percurso, transformou dúvidas em confiança, fazendo-o com avanços e recuos, momentos de tensão e de conquista, mas sem abandonar a mesa do diálogo consigo mesmo.
A A. e o G. demonstraram que aprender não é um ato circunscrito à escola nem uma etapa confinada à juventude. Aprender é viver, experimentar, errar, superar, construir e recomeçar. Hoje, representam muito mais do que uma certificação concluída. São a prova de que cada vida se escreve em múltiplos capítulos e que cada experiência amplia a compreensão do mundo. São testemunhos vivos de que nunca é tarde para olhar para trás, reconhecer o caminho percorrido e dar-lhe o valor que merece porque, tal como a terra guarda a promessa da colheita e a palavra guarda a força da mudança, também cada pessoa tem em si um património de saberes digno de ser valorizado. E quando isso acontece, não se certificam apenas competências: celebra-se uma vida inteira de conquistas. E esta é mais uma.

Isabel Moio – Técnica de ORVC

Adaptação e Mudança


No dia 28 de maio de 2026, realizou-se mais uma sessão de certificação no Centro Qualifica. Apesar de distintos, os temas apresentados pelos candidatos partilharam um traço comum: a capacidade de adaptação à mudança. Seja através de uma experiência de mobilidade entre países ou da reflexão sobre os impactos da Inteligência Artificial no futuro da humanidade, ambos os trabalhos evidenciaram competências de análise, espírito crítico e aplicação de conhecimentos a situações concretas da vida pessoal e social.

A sessão iniciou-se com a prova de uma candidata de nível básico, que apresentou o trabalho final intitulado “Mudança de Vida: De Pombal para Girona”. Partindo da sua experiência pessoal, descreveu o percurso que a levou do Brasil a Portugal e, posteriormente, a Espanha, analisando diferenças linguísticas, culturais e políticas entre os três países.

Ao longo da apresentação, abordou ainda alguns momentos históricos marcantes das relações entre Portugal e Espanha e explicou as várias etapas de preparação da sua mudança para Girona.

Num segundo momento, teve lugar a certificação de um candidato de nível secundário, que apresentou o tema “Entre Humanos e Máquinas: Dilemas Éticos em Eu, Robô de Isaac Asimov”[1], recorrendo à ferramenta Gamma AI para apoiar a sua exposição.

Partindo da obra “Eu, Robô”, o candidato começou por apresentar o autor Isaac Asimov e as célebres Três Leis da Robótica, explorando de seguida a sua relevância para os desafios contemporâneos colocados pela evolução tecnológica. Através da análise de diferentes contos da obra, refletiu sobre questões éticas cada vez mais presentes na sociedade atual.

Ao abordar o conto “Robbie”, analisou o impacto da tecnologia nas relações humanas e o risco de substituição de interações pessoais por dispositivos tecnológicos. Com base em “Raciocinar”, refletiu sobre a problemática da singularidade tecnológica e os possíveis cenários futuros associados ao desenvolvimento da Inteligência Artificial. Já através de “A Prova”, explorou conceitos relacionados com identidade e moralidade utilitária, enquanto em “Conflito Evitável” discutiu os benefícios e os riscos da utilização da Inteligência Artificial na tomada de decisões políticas e económicas.

Esta sessão de certificação demonstrou, uma vez mais, como o processo de RVCC permite valorizar aprendizagens realizadas em diferentes contextos e transformar experiências de vida em oportunidades de crescimento pessoal, académico e profissional.

[1] https://gamma.app/docs/Entre-Humanos-e-Maquinas-Dilemas-Eticos-em-Eu-Robo-de-Isaac-Asimo-k06ldew6g5my1n9

Mikael Mendes – Técnico de ORVC

Escolhas que Transformam o Futuro (Atividade Integradora – EFA)


Apresentamos o resultado final da nossa Atividade Integradora, onde explorámos como as nossas decisões podem construir um futuro mais sustentável.

Partimos de uma pergunta fundamental: Como podem as nossas escolhas transformar a comunidade rumo a um futuro sustentável? Factos marcantes como a tempestade Kristin, levou-nos à procura de respostas junto de quem faz a diferença no nosso dia a dia.

Neste vídeo exploramos a Sustentabilidade “em casa”: Revelamos como a nossa escola adota medidas sustentáveis, destacando a sua central fotovoltaica de 100 Kw, painéis solares e medidas rigorosas de poupança de água e energia; a Indústria: registamos, com a nossa visita à Derovo Group, como a produção em larga escala (1,8 milhões de ovos/dia) pode coexistir com a economia circular, Cidadania e Mobilidade: refletimos nos desafios reais do transporte urbano em Pombal, debatidos com o Município , a necessidade de ajustar o serviço Pombus às carências da população e, por fim, reconhecemos a importância de basear as nossas decisões em factos científicos, combatendo as fake news climáticas, com a sessão  Combate à Desinformação Climática.

Perante os desafios que o futuro nos apresenta, é natural sentirmo-nos preocupados, mas acreditamos que, quando existe informação e conhecimento, surge também a capacidade de atuar. Por isso, este vídeo é também o nosso compromisso como cidadãos ativos. Acreditamos que a sustentabilidade se constrói no equilíbrio entre a economia, a sociedade e a natureza e que o papel da escola é ser o motor dessa transformação social.

Convidamos toda a comunidade educativa a assistir e a refletir connosco. Porque, como aprendemos neste percurso: “O futuro não se espera. O futuro escolhe-se.”

Assista ao vídeo aqui!

Os formandos do curos EFA – NS

 

Escolhas que Transformam o Futuro

Memória e futuro


Conhecer a nossa história é mais do que recordar o passado… É compreender o caminho percorrido, reconhecer os desafios superados e valorizar as aprendizagens construídas ao longo da vida. No processo de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências (RVCC), esta reflexão assume um significado especial. Ao revisitar experiências pessoais, profissionais e sociais, cada adulto redescobre o valor do seu percurso e transforma experiências em competências reconhecidas. Mas o RVCC é também um espaço de aprendizagem, onde novos conhecimentos ajudam a compreender melhor o mundo e a projetar o futuro.

Foi precisamente esta ligação entre memória, aprendizagem e futuro que marcou a sessão de júri de certificação realizada no dia 14 de maio de 2026.

Na apresentação do seu trabalho, a candidata recorreu à ferramenta Gamma AI para desenvolver o tema “Direitos das Mulheres: do Passado ao Futuro”[1], inspirado na canção Por Nos Darem Tanto, de Ana Bacalhau. Através desta reflexão, explorou a evolução dos direitos das mulheres em Portugal, desde as limitações impostas durante o Estado Novo até às conquistas alcançadas após a Revolução de Abril.

Sendo natural do Brasil, este trabalho constituiu também uma oportunidade de aprendizagem sobre a história contemporânea portuguesa. A pesquisa realizada permitiu-lhe compreender melhor o contexto do Estado Novo e a importância das transformações sociais e políticas que contribuíram para a promoção da igualdade de direitos.

Ao longo da apresentação, destacou o contributo de mulheres que marcaram a luta pela igualdade, como Beatriz Ângelo, Maria de Lourdes Pintasilgo, Natália Correia, Bertha Lutz, Maria da Penha, Malala Yousafzai e Rosa Parks. Abordou ainda o conceito de “telhado de vidro”, exemplificando-o através de figuras como Angela Merkel, Marie Curie e Serena Williams.

Concluindo com uma reflexão sobre os progressos alcançados e os desafios que persistem, a candidata reforçou a importância de uma cidadania ativa na promoção da igualdade de género.

Esta sessão evidenciou uma das maiores riquezas do processo RVCC: a capacidade de valorizar a experiência de vida dos adultos, ao mesmo tempo que promove novas aprendizagens. Porque conhecer o passado, seja o nosso ou o da sociedade em que vivemos, é um passo essencial para construir o futuro.

[1] https://gamma.app/docs/Direitos-das-Mulheres-do-Passado-ao-Futuro-fpsg5g5lw2z2xze

Combate à desinformação climática – Sessão de sensibilização


No passado dia 29 de abril, o auditório do Agrupamento de Escolas de Pombal foi palco de uma sessão de esclarecimento e debate intitulada “Combate à Desinformação Climática”. Sessão, proferida pelas professoras Estefânia Ramos e Helena Lento, no âmbito da atividade integradoraEscolhas que transformam o futuro – sustentabilidade e ação na comunidade“.

Distinguir Factos de Mitos

A sessão começou por clarificar conceitos fundamentais, distinguindo o “estado do tempo” (fenómenos locais de curta duração) do “clima” (padrões de longo prazo, geralmente analisados em períodos de 20 a 30 anos). As docentes apresentaram evidências científicas irrefutáveis das alterações climáticas, como o aumento da temperatura média global, a acidificação dos oceanos, o recuo acelerado dos glaciares e a subida drástica do nível médio do mar.

A “Desordem da Informação”

Um dos pontos centrais da sessão foi a capacitação para identificar a “desordem da informação”. Foram exploradas as diferentes categorias de conteúdos enganosos, tais como:

  • Negacionismo Climático: Frequentemente associado a teorias da conspiração ou desconfiança na ciência.
  • Adiavelismo (Climate Delay): Publicações que, embora não neguem o problema, enfatizam os aspetos negativos das soluções para justificar a inação.
  • Greenwashing: A prática de fornecer informações falsas ou enganosas sobre os benefícios ambientais de produtos ou práticas corporativas.

Mãos na Massa: Ferramentas de Verificação

Através de atividades interativas com ferramentas como o Wooclap e o Mentimeter, explorámos estratégias práticas para não sermos enganados. Entre as dicas partilhadas, destacam-se a consulta de plataformas de fact-checking (como o Polígrafo ou o Observador), a realização de pesquisas inversas de imagens e a análise crítica de possíveis deepfakes gerados por inteligência artificial.

Para combater a propagação de mitos, as professoras sugeriram a técnica da “Sanduíche da Verdade”: começar por afirmar um facto correto, mencionar a informação incorreta sem a repetir excessivamente e terminar reforçando novamente a verdade.

A sessão terminou com um apelo à responsabilidade individual: ser um consumidor crítico da informação é a primeira linha de defesa para proteger as comunidades e o planeta.

Os formandos do curso EFA

Escolhas que Transformam o Futuro: Sustentabilidade e Ação na Comunidade Mesa Redonda (Atividade Integradora do curso EFA)


No passado dia 28 de abril, organizamos e participamos numa mesa redonda dedicada à aplicação prática da sustentabilidade. O evento, inserido na Atividade Integradora do nosso curso, Escolhas que Transformam o Futuro: Sustentabilidade e Ação na Comunidade contou com a presença de dois especialistas no Auditório Dra. Gabriela Coelho, da Escola Secundária de Pombal.

O Professor Mário Ferreira abordou a vertente da sustentabilidade escolar, sublinhando o compromisso da nossa escola com a eficiência energética e o papel ativo no Projeto Eco-Escolas. Percebemos que a escola tem um papel fundamental na formação de cidadãos conscientes e na transformação social. As ações desenvolvidas, com os alunos, são respostas concretas a problemas reais, como a compostagem, hortas biológicas e reciclagem que são ferramentas práticas de preservação ambiental integradas no nosso currículo.  Além disso, o nosso Agrupamento implementa medidas concretas de gestão de recursos, com especial destaque para a energia renovável, das quais salientamos: Energia Solar: a nossa escola conta com uma central fotovoltaica com potência de 100 Kw e possui painéis solares para o aquecimento de água nos balneários; Eficiência Energética: utilizamos lâmpadas LED, sistemas de controlo automático de iluminação e sinalética de sensibilização junto aos interruptores; Gestão de Água: instalamos torneiras com temporizador e adaptações (com garrafas de 1,5 litros) nos autoclismos para reduzir o volume de consumo.

Este esforço conjunto levou a nossa escola a conquistar o 3.º lugar a nível nacional na competição ECONET, provando que o caminho da sustentabilidade escolar é possível e necessário.

Por sua vez, o Engenheiro Nuno Elias focou-se na realidade local, explicando as estratégias e desafios de mobilidade urbana sustentável promovidas pelo Município no concelho de Pombal. Identificámos como uma preocupação central a necessidade de ajustar as rotas e horários do serviço Pombus às carências efetivas de todos cidadãos, de forma a garantir que o transporte público cubra todo o concelho de forma eficiente e inclusiva. No entanto, a baixa adesão em certas zonas — por vezes com apenas um ou dois passageiros — impede a existência de rotas fixas, dificultando a cobertura de todo o concelho.

Para nós, esta foi mais uma oportunidade de ligar a sala de aula ao mundo do trabalho e à cidadania ativa de forma a aprofundar conhecimentos sobre como a gestão ambiental e os transportes urbanos impactam diretamente o nosso dia a dia. Saímos destas atividades com a certeza de que a sustentabilidade se constrói com informação verdadeira, gestão inteligente de recursos e, acima de tudo, reforçámos a ideia de que escolhas informadas do hoje, são a base de um amanhã mais equilibrado.

Os formandos do curso EFA 2025/2026