A Mulher do Viajante no Tempo

Audrey Niffenegger estreia-se na ficção com um primeiro romance absolutamente prodigioso. Revelando uma concepção inovadora do fenómeno da viagem temporal, cria um enredo intrigante e arrebatador, que alia com magistralidade a riqueza emocional a um apurado sentido do suspense.

Este livro é, antes de mais, uma celebração do poder do amor sobre a tirania inflexível do tempo. Para Henry, essa inexorabilidade assume contornos estranhamente inusitados: ele é prisioneiro do tempo, mas não como o comum dos mortais. Cronos preparou-lhe uma armadilha caprichosa que o faz viajar a seu bel-prazer, para uma data e um local inesperados, onde aparece completamente desprovido de roupa ou de outros bens materiais. A Clare, sua mulher e seu grande amor, resta o papel de Penélope, de uma Penélope eternamente reiterada a cada nova partida de Henry para onde ela não pode segui-lo. Quando Clare e Henry se encontram pela primeira vez, ela é uma jovem estudante de artes plásticas de vinte anos e ele um intrépido bibliotecário de vinte e oito. Clare já o conhecia desde os seis anos… Henry acabava de a conhecer… Estranho?! Poderia parecer, não fosse a mestria de Audrey para tecer os fios do tempo com uma espantosa clareza.

Intenso e fascinante, “A Mulher do Viajante no Tempo” é um livro inesquecível pela qualidade das reflexões que provoca, pela sensibilidade com que nos retrata a luta pela sobrevivência do amor no oceano alteroso do tempo. Na orla desse oceano, perscrutando o horizonte, ficará sempre Clare, à espera de um regresso anunciado.


ISTAMBUL – Memória e Cidade, de Orhan Pamuk

Orhan Pamuk nasceu em Istambul, Turquia, a 7 de junho de 1952. É escritor e professor de literatura da Universidade Columbia localizada na cidade de Nova Iorque, vencedor do prémio Nobel da Literatura de 2006, sendo o primeiro turco a ganhar um Nobel e o escritor de maior sucesso comercial do seu país. Os seus trabalhos estão traduzidos em mais de cinquenta línguas. Como escritor continua “umbilicalmente” ligado à cidade onde nasceu.

Neste livro, o autor traça uma história afetiva da sua Istambul, revelando as personagens, as ruas e os becos, os grandes e os pequenos acontecimentos que definiram a sua vida. Ler mais…


O Vendedor de Passados

O Vendedor de Passados é um livro de José Eduardo Agualusa muito aplaudido pela crítica. O romance conta a história de um vendedor de ilusões que tem a curiosa profissão de preparar e vender árvores genealógicas. Os seus clientes são prósperos empresários, políticos, generais, isto é, a burguesia angolana. A ação é narrada por uma osga, outrora um ser humano, que vive na casa do angolano Félix Ventura, um vendedor de passados, alguém que arranja passados ilustres a quem os deseje.

Excerto: (…) «julguei que era um tuga. Algum político lá da metrópole, ou um colono qualquer, porque mudaram então o nome do liceu para Mutu ya Kevela?» – «Porque queriam um herói angolano, suponho, naquela época precisávamos de heróis como de pão para a boca. Se quiser ainda lhe posso arranjar outro avô. Consigo documentos provando que você descende do próprio Mutu ya Kevela, de N’Gola Quiluangue, até mesmo da rainha Ginga. Prefere?»

Sobre o autor: numa entrevista, o escritor, nascido em 1960, responde à pergunta, “Quem é o Eduardo Agualusa? “Quem eu sou não ocupa muitas palavras: angolano em viagem, quase sem raça. Gosto do mar, de um céu em fogo ao fim da tarde. Nasci nas terras altas. Quero morrer em Benguela, como alternativa pode ser Olinda, no Nordeste do Brasil.”

As Mulheres do Meu Pai – outra obra de José Eduardo Agualusa a não perder “onde realidade e ficção correm lado a lado”, conduzindo o leitor a diversas regiões de África. O final é incrivelmente surpreendente e imprevisível.

 

 


Quando Éramos Órfãos

Neste romance subtil e envolvente do Nobel de Literatura de 2017, o detetive Christopher Banks regressa a Xangai, sua terra natal, onde os seus pais desapareceram misteriosamente há vinte anos. A cidade agora é palco da guerra entre China e Japão, e a demanda que Banks  empreende para encontrar os pais passa a confundir-se com a busca pela ordem num mundo órfão, vitimado pela sombra.

Quando éramos órfãos marca a volta de Kazuo Ishiguro à ficção, depois de um silêncio de cinco anos. Com subtileza temperada por um humor fino e certeiro, o autor escreve sobre o poder do passado em determinar, para o bem ou para o mal, o presente das pessoas.

O Autor

Nascido a 8 de novembro de 1954, o autor de 62 anos mudou-se aos cinco com a família do Japão para o Reino Unido, quando o pai foi aceite como investigador no National Institute of Oceanography.

O Prémio

O comité do Nobel adiantou no Twitter que Ishiguro tem mostrado uma certa propensão para temas relacionados com a memória, o tempo e as ilusões “que alimentamos para suportar a vida”. Após o anúncio, Sara Danius deu uma curta entrevista difundida em direto em que sublinhou o facto da Academia distinguir este ano “um escritor de grande integridade” e “um romancista absolutamente brilhante” que “desenvolveu um universo estético só seu”. “Kazuo Ishiguro está muito interessado em compreender o passado. Não para o redimir, mas para revelar o que temos de esquecer para podermos sobreviver enquanto indivíduos e enquanto sociedade”.

 


A Vida Secreta dos Nossos Bichos

Max considera-se o cão mais sortudo de Nova Iorque, sobretudo porque é muito mimado pela sua dona, Katie. Ele vive num prédio onde habitam outros animais de estimação, cada um deles com as suas características. Todos eles, tal como Max, têm uma vida secreta que se revela quando os donos saem de casa para o trabalho.

Queres saber do que são capazes???

Lê o livro ou então, se preferires, vê o filme. Fica aqui o trailer oficial!


As Ilhas Desconhecidas

Entre Junho e Agosto de 1924, na companhia de outros intelectuais (entre eles, Vitorino Nemésio), Raúl Brandão viajou pelos arquipélagos da Madeira e dos Açores. Daí nasceu As Ilhas Desconhecidas – Notas e Paisagens, um dos mais importantes e belos livros de viagem da literatura portuguesa. Nele, Brandão descreve de forma comovida e paciente a paisagem e a solidão insular, a cor raríssima de cenários mágicos e ignorados, o exotismo perturbador e silencioso, um retiro de melancolia e de beleza.

Quase um século depois, a obra “As Ilhas Desconhecidas” permanece no nosso património literário como a mais completa das homenagens aos arquipélagos atlânticos. Este retrato centenário dos arquipélagos portugueses ainda hoje desperta nos leitores o desejo de verem com os seus próprios olhos a beleza das paisagens e a autenticidade das suas gentes.

Segundo Machado Pires, que apresentou a última reedição da obra, o título não é apenas uma chamada de atenção para o facto de os Açores serem, na altura, ilhas desconhecidas, pressupondo, também, dar algum pendor mítico e de surpresa às nove ilhas do arquipélago.


O Árabe do Futuro

Nascido na França em 1978, filho de pai sírio e mãe bretã, Riad Sattouf viveu uma infância peculiar. Tinha apenas três anos quando o pai recebeu um convite para lecionar numa universidade da Líbia. Em Trípoli, o menino entrou em contato com uma cultura completamente distinta e precisou de superar a diferença dos novos costumes — experiência que se repetiria pouco depois na Síria, quando o pai foi trabalhar para lá.

Com o olhar inocente de uma criança, Riad oferece um importante relato sobre os contrastes entre a vida plácida na França socialista de Mitterrand e os regimes autoritários na Líbia de Kadafi e na Síria de Hafez al-Assad. A partir das suas próprias lembranças e sensações, o autor descreve como foi a adaptação a realidades tão díspares e mostra detalhes da sua vida em família e da relação com outras crianças.

O Árabe do Futuro é um relato literário pleno, em forma de graphic novel. Com traço simples e narrativa fluida e descontraída, Riad fornece ao mesmo tempo uma análise antropológica do embate entre o Ocidente e o mundo árabe e um autorretrato de sua própria infância plural.

in http://www.intrinseca.com.br/oarabedofuturo/


O Murmúrio do Mundo

Algumas opiniões dos nossos alunos sobre este relato de viagem, na prova do CNL, fase a nível de escola, dia 13/01/2017:

“Ao longo da obra, vamos aprendendo sobre a história das cidades visitadas, sobre o seu passado em contraste com a actualidade e ficamos a conhecer histórias de vida que nos ajudam a ter uma visão diferente do mundo.” Ana Carolina Dias, 12.º A

“A forma como o autor nos conta esta viagem transporta-nos de certa maneira para uma Índia complexa e rica em costumes, sendo possível visualizar as ruas, os mercados, as igrejas, como se estivéssemos presentes naquela viagem.” Lara Santos, 10.º C

“As descrições levam-nos a imaginar o caos das cidades de um dos países mais populosos do mundo e que, segundo o autor, tem grande diversidade religiosa. Para além disso, algo que torna o livro mais especial, para nós portugueses, é o facto de contar uma aventura num país que fez e faz parte da nossa história.” Pedro Afonso, 10.º E

“Na minha opinião, esta obra é um relato bastante fiel e singular do que é a Índia no mundo contemporâneo, um local onde diversas culturas convergem, deixando-nos aliciados e com uma vontade incomensurável de conhecer e visitar este país.” Paulo Miranda, 10.º A

“Na minha opinião, o relato de viagem descrito neste livro é bastante importante para as gerações mais novas, devido ao paralelismo que o autor estabelece entre o que a Índia foi há muitos anos e o que ela é hoje em dia. “O Murmúrio do Mundo” é também uma maneira de promover o turismo de um país, com uma cultura maravilhosa, que faz parte do passado da nossa pátria e onde deixámos marcas que nem o tempo consegue apagar.” Adriana Monteiro, 12.º E


Homens Imprudentemente Poéticos

Num Japão antigo o artesão Itaro e o oleiro Saburo vivem uma vizinhança inimiga que, em avanços e recuos, lhes muda as prioridades e, sobretudo, a capacidade de se manterem boa gente. A inimizade, contudo, é coisa pequena diante da miséria comum e do destino. Conscientes da exuberância da natureza e da falha da sorte, o homem que faz leques e o homem que faz taças medem a sensatez e, sobretudo, os modos incondicionais de amarem suas distintas mulheres. Valter Hugo Mãe prossegue a sua poética ímpar. Uma humaníssima visão do mundo.

Opinião do leitor:

“Viajei há pouco para o Japão antigo que o Valter Hugo Mãe inventou para o romance Homens Imprudentemente Poéticos e entusiasmei-me deveras. É o mais delicado dos livros do Valter, entretecido com o gesto preciso e paciente de um artesão – aquele que, na definição que está no próprio livro, devolve os materiais à vocação que eles detêm por natureza. Nele o Valter parece um menino a inventar jogos com palavras: uma criança a inventar um Japão falso pelo qual se pode passear e sentir-lhe os cheiros.” Manuel Jorge Marmelo, Notícias Magazine

“Surpreendente na reinvenção da língua portuguesa, no tema e cenário (…) este novo romance do autor é – mais uma vez – tão diferente que o torna uma das mais importantes vozes da literatura nacional (…). Aliás, se já o tinha conseguido com a máquina de fazer espanhóis, por exemplo; se subira um grande degrau na busca e execução do romance que tem como cenário a Islândia, A Desumanização, volta a realizar uma escrita inesperada nesta narrativa japonesa, onde transporta o leitor de uma forma elegante e íntima para aquela parte do mundo sem o fazer passar por um voyeur de costumes.” João Céu e Silva, Diário de Notícias


Ratos e Homens

Ratos e Homens é um livro escrito por John Steinbeck, em 1937. Considerado um dos maiores romances do séc. XX, conta a história trágica de George e Lennie, dois trabalhadores rurais na Califórnia durante a Grande Depressão (1929-1939).

A obra foi uma das selecionadas para a fase distrital do Concurso Nacional de Leitura, que este ano decorreu na Biblioteca Municipal da Batalha, na qual participaram três alunas da nossa escola.

Ratos e Homens de John Steinbeck é uma obra literária que contraria o típico “final feliz” a que estamos habituados. Nesta obra, a par da ambição e do sonho do Homem, mostra-se o lado mais cruel da vida e a dura realidade, tornando-se, assim, intemporal dado que ainda hoje lidamos com a desilusão e com o sofrimento. É, por isso, uma boa sugestão de leitura para várias faixas etárias, pois reencaminha-nos para uma realidade mais verdadeira do que aquela a que estamos habituados a ver no cinema e, no final, acabamos por encarar de uma forma diferente as coisas que nos rodeiam, ficando mais consciencializados.”

Lara Santos 10.º C