O caminho da aceitação


Com alguma frequência ouvimos discursos desconfiados relativamente à forma como funciona o processo de RVCC, muitas vezes assentes no receio que a construção do portefólio invada a privacidade de quem procura uma via para aumentar as suas qualificações. Quando entrou no nosso Centro, G. também carregava esse medo aos ombros, incerta se este seria o caminho mais ajustado às suas características. Com o tempo, foi baixando a guarda, entendendo que estava nas suas mãos a decisão de quanto de si e da sua história queria depositar nas páginas do seu portefólio. Foi logo nas primeiras sessões que assumiu o compromisso “desistir não é opção” e foi com essa determinação que compareceu no dia doze de outubro para a sessão de júri de certificação.

Com orgulho apresentou as problemáticas em torno da imigração, inspirada pela perspetiva defendida por Yuval Harrari no seu livro “21 Lições para o Século XXI”.

Com mais uma etapa concluída com sucesso, o caminho continua, pois nunca se deve confundir aceitação e resignação. Só depois de aceitarmos as coisas que não controlamos, é que conseguimos mudar aquilo que realmente depende das nossas ações.

Miakel Mendes – Técnico de ORVC

Regresso ao Futuro


No filme “Regresso ao Futuro” de 1985, a personagem principal viaja até ao passado, acabando numa aventura para preservar o seu presente. Sem precisar de um DeLorean, o processo de construção do portefólio é quase como uma viagem pelo tempo e espaço, pois permite aos candidatos relembrar as suas experiências e por onde passaram. Esta viagem tem sempre um efeito positivo, mesmo quando se reconhece que haveria coisas a mudar. É com orgulho que os candidatos destacam as aprendizagens que foram realizando, os obstáculos que foram ultrapassando e as marcas que foram deixando. O passado mantem-se presente por fazer parte integrante da matriz de quem somos, mas somos muito mais do que a soma das nossas experiências.

Os candidatos que se apresentaram a júri de certificação no passado dia um de junho são exemplos disso mesmo. Com personalidades muito diferentes, cada um expandiu horizontes a cada viagem e com cada vivência. Retiram dos respetivos processos RVCC o máximo de aprendizagens, confiando um pouco mais nas suas capacidades, tal como o pássaro que não teme pousar num galho mais frágil, por confiar na força das suas asas.

Mikael Mendes – Técnico de ORVC

O despertar para mais


“Nunca é tarde para aprender” é uma das expressões mais ouvidas pela equipa por parte dos candidatos que realizam o Processo de RVCC. No entanto, mais do que o despertar de novas competências, o Processo de RVCC é a tomada de consciência de que em qualquer momento da nossa vida podemos aprender e de que, quando reunimos todos os esforços, somos capazes de alcançar os nossos objetivos.

Os dois candidatos certificados no passado dia 26 de maio foram exemplo disso pois, inúmeras vezes tiveram de abdicar dos seus compromissos familiares e até profissionais para poderem cumprir com os desafios propostos pela equipa.

Foi com enorme orgulho que verificámos que a conclusão deste Processo lhes aguçou o desejo de continuarem a investir no seu percurso formativo e, por isso, desejamos que a conclusão de ensino secundário seja apenas o primeiro passo para um percurso formativo desafiante e enriquecedor.

Afinal, como referiu Leonardo da Vinci “aprender é a única coisa de que a mente nunca se cansa, nunca tem medo e nunca se arrepende”.

 

Patrícia Amado – Técnica de ORVC