Ler+ Qualifica – 10 minutos a ler


“Eu quero aprender a ler e a escrever melhor” é a frase que ouço repetidamente no Centro Qualifica.

As vicissitudes da vida levaram muitos dos nossos candidatos para bem longe dos bancos da escola onde tiveram que aprender a crescer rapidamente.

Afastados do mundo dos livros e dos cadernos, é com muito entusiasmo que regressam à escola para adquirir os saberes que lhes proporcionarão mais segurança, mais conhecimento e uma melhor qualificação.

Tendo deixado a escola do primeiro ciclo ainda muito jovens, por motivos bem díspares, alguns candidatos retomam, no processo de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências, a leitura já um pouco “adormecida”. Com persistência e muita força de vontade, é gratificante observar os progressos na leitura que deixou de ser um simples balbucio e hesitação para dar lugar a uma voz confiante que projeta palavras bem articuladas.

Estes “10 minutos a ler” proporcionam aos nossos candidatos momentos agradáveis de fruição estética, dando asas à imaginação e à criatividade.

Como disse Mário Quintana “Os verdadeiros analfabetos são os que aprenderam a ler e não leem.”

Gina Ribeiro – Formadora de Cultura, Língua e Comunicação

Webinar “Aprender e comunicar complexidade online com jogos e ambientes imersivos”


Foi interessante no dia 3 de maio de 2022 assistir ao Webinar “Aprender e comunicar complexidade online com jogos e ambientes imersivos” no Auditório da Escola Secundária de Pombal.

Este evento foi promovido pelos Centros Locais de Aprendizagem da Universidade Aberta em Ansião e em Cantanhede que estão a organizar com os Centros Qualifica da zona centro (Anadia, Ansião, Cantanhede, Pombal, Sertã e Vagos) um ciclo de conferências híbridas (presenciais com transmissão online) e em itinerância, intitulado “6 ao Centro”.

O Centro Qualifica do Agrupamento de Escolas de Pombal acolheu a primeira sessão, que foi dinamizada pelo Professor Leonel Morgado, da Universidade Aberta.

O que ouvi nesta sessão faz-me concluir que os jogos ajudam a desenvolver a nossa agilidade. Facilmente, descarregamos do Play Store os jogos que quisermos. Nenhum traz manuais com as regras, pois subentende-se que qualquer jogador as aprende jogando. O lado menos bom disto é que se as pessoas não se controlarem, podem ficar viciadas. Outro aspeto que tenho reparado é que durante os jogos aparecem muitos anúncios e para poder continuar a jogar tenho de vê-los até ao final.

Foi interessante assistir a este Webinar porque me revi em algumas dos aspetos que foram ali falados.

Recordei as longas horas passadas com o “Global city”, um jogo de estratégia e de construção de cidades. Para ganhar pontos é preciso fazer crescer os prédios. Depois, os pontos podem ser utilizados para passar de nível, mas para o conseguir temos de cumprir algumas tarefas. ´muito intuitivo.

O “Top Eleven” é também um jogo de estratégia, mas de futebol. Aqui, também tenho de comprar jogadores e é definida, pelo próprio jogo, uma determinada hora para eu poder jogar com as duas equipas. Se pretender progredir mais rapidamente de nível posso aceder à “Loja” do jogo e adquirir “Tokens” para poder jogar na Liga, Liga dos Campeões e Taça.

O “War Machines” é um jogo de guerra, em que os jogadores podem ser de diferentes países. Quando entro no jogo costumo escolher a opção “Batalha” e com o meu canhão tenho de conseguir escapar sem morrer e destruir os canhões dos outros jogadores. Cada jogo tem um tempo limite para se conseguir vencer e cada vez que um disparo de outro jogador nos atinge, perdemos uma vida. Em função da posição em que se fica, recebe-se diamantes  e é com eles que conseguimos  novas vidas. Se não tivermos diamantes temos de aguardar cerca de uma hora para voltar a receber diamantes.

Paulo Santos – Candidato do processo RVCC de nível básico – B3

As Competências Digitais para a integração


Sob pena de podermos ficar um pouco desfasados da realidade que nos rodeia, torna-se necessário ter competências digitais e conhecer recursos como os CQCode que já são usados nas mais diversas situações como, por exemplo, nos restaurantes para acesso à ementa, em alguns supermercados, etc. Assim, no processo e RVCC, com a formadora Rita Silva, fiquei a saber o que é o QRCode e rapidamente, consegui criar dois QRCode, uma para o link do Centro Qualifica e outro para a reflexão da sobre a própria atividade.

Eulália Marques – Candidata do Processo de RVCC – Nível B3

Reflexão enquanto formadora de MV/MCT


A caminhada de formadora de Matemática para Vida (MV)/ Matemática, Ciências e Tecnologias (MCT) no processo de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências (RVCC) é complexa, mas gratificante. Cada candidato apresenta-se com o seu património ao nível de competências, edificadas no seu percurso escolar e profissional, concomitantemente, com a sua vida sociofamiliar. Recordo ainda as primeiras palavras da coordenadora quando cheguei ao Centro em finais de setembro: “O acolhimento é essencial para motivar para o processo”. Na prática, acolho os interesses de cada um, no enquadramento do Referencial de Competências-Chave, e em cada sessão vou transmitindo o meu gosto por esta área que considero tão cativante. Temos candidatos mais entusiasmados por dinâmicas tecnológicas e outros para as tradicionais e procuro ir respondendo a estas apetências. Partilho duas estratégias que considero terem sido muito positivas: o estudo de polígonos recorrendo ao Google Earth e frações numa análise do indicador do nível de combustível do automóvel.

Ana Maria Ribeira – Formadora de MV/MCT

“6 ao Centro”- Energia nuclear como passo intermédio para a transição energética.


A energia nuclear é a mais controversa de todas as fontes de energia. O sonho dos anos 1950 de uma energia limpa e barata transformou-se em pesadelo com os acidentes de Three Mile Island, Tchernobyl e Fukushima, que trouxeram de volta os fantasmas de Hiroshima e Nagasaki.

E no entanto a energia nuclear é a menos poluente de todas as fontes de energia, abaixo até da solar e da eólica, e com fatalidades que, tudo somado, estão ao nível daquelas e bem abaixo das mortes por doenças pulmonares originadas na energia fóssil.

Mas o bem maior da energia nuclear é a sua capacidade para agir como regulador dos fluxos renováveis, injetando ou retirando da rede elétrica o necessário para fazer encontrar a oferta e a procura de eletricidade.

Num mundo em que é cada vez mais evidente que o futuro terá de ser elétrico e movido a fontes renováveis, o nuclear pode jogar um papel fundamental no controle das intermitências dessas fontes e assim agir como tecnologia de transição entre o passado carbónico e um futuro limpo, até que as intermitências sejam resolvidas.

Se quer saber mais sobre estes desafios que a atualidade nos impõe, inscreva-se até 30 de maio através do link: https://forms.gle/H7ggEC8KDyw5MuEa9

Acompanhe este evento no Facebook através do link https://fb.me/e/1MXoD9kXX

Organização: Centros Locais de Aprendizagem da Universidade Aberta em Ansião e em Cantanhede e Centro Qualifica do Agrupamento de Escolas de Anadia; com o apoio dos Centros Qualifica do Agrupamento de Escolas Lima-de-Faria (Cantanhede), Pombal, Sertã, da Escola Profissional de Agricultura e Desenvolvimento Rural de Vagos e da Escola Tecnológica e Profissional de Sicó.

Dúnia Palricas – CLA de Ansião

(novo) ponto de partida


São desconhecidos os rostos que entram pela porta do Centro Qualifica pela primeira vez. Contudo, com o decorrer do que aqui identificam como um “caminho de sucesso”, “degrau a degrau”, “concretizações” e “caminho de luz”, vão-se dando a conhecer através de laços que criam com a equipa, à semelhança do que ensinou “O Principezinho”.

No início, nem sempre se revela pacífico introduzir as horas de formação complementar nas suas agendas, harmonizando-as com as suas responsabilidades pessoais e familiares. Porém, a revisitação a conceitos e a conteúdos com os quais deixaram de contactar com o término do percurso escolar e o gosto pela aprendizagem acabam por deixar um travo a saudade, facilmente denunciado pelo brilho dos olhares e até pelas vozes trémulas de emoção.

O momento da certificação não representa o fim de nada, apenas um ponto de chegada. E um ponto de chegada é um excelente ponto de partida. É desta forma que a equipa lê o processo de RVCC dos quatro candidatos que a contactaram em virtude do trabalho em rede com o projeto municipal 3ESC (Educação, Saúde e Cidadania) e que obtiveram a certificação de nível básico nos dias 10 e 17 de fevereiro. A todos, desejamos que este ponto de partida alavanque novos começos, novos sonhos e novos projetos porque a vida é esse…

…milagre aos olhos de quem a tem

e a certeza de uma luta

para um dia ser mais do que ninguém

num mundo onde todos são alguém.

Isabel Moio – Técnica de ORVC

Missão Saramago


Foi sob o tema Missão Saramago que, no dia 11 de fevereiro de 2022, os 25 candidatos do processo de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências (RVCC), certificados em 2021, aceitaram o convite para desfilar pela passadeira vermelha e receberem o seu diploma.

Juntando a celebração da conquista da certificação de nível básico ou secundário com a celebração dos 100 anos do nascimento do escritor José Saramago, procurámos desafiar os sentidos e estimular a reflexão dos candidatos sobre os grandes diálogos do nosso tempo à luz da obra do nosso Prémio Nobel da Literatura.

Com um momento musical proporcionado pelo Ensemble de Clarinetes da Filarmónica Artística Pombalense, um momento de leitura animada pela coordenadora da Biblioteca Escolar, Fernanda Gomes, e um Escape Game, fomos entrando um pouco na lucidez de José Saramago que denuncia a cegueira humana num mundo pejado de informação irrelevante.

“Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara.”

Epígrafe de Ensaio sobre a cegueira

Cristina Costa – Coordenadora do Centro Qualifica

 

Missão Saramago

Processo RVCC – Testemunhos


Através do processo RVCC, ganhei novamente o gosto pela escrita que tinha perdido com o passar do tempo e fez-me pesquisar. Permitiu-me olhar de dentro para fora de mim própria e do mundo, colocar em palavras milhares de pensamentos presentes na minha mente. Fez-me recordar e reviver momentos da minha vida. (…)

Assisti a documentários, tais como, “Lixo Extraordinário”, “Seremos História” e o filme “O Carteiro de Pablo Neruda” pelos quais me deixar fascinar. Fizeram refletir e aprender.

Acima de tudo foi muito isso… O processo RVCC fez-me parar e refletir sobre assuntos que na pressa do meu dia-a-dia passavam despercebidos.

Carolina Matias – Candidata do processo RVCC – NS

 

Desafio é a palavra  para caracterizar a minha passagem pelo Processo de RVCC. O cumprimento de horários, a realização de atividades e a necessidade de vir três vezes por semana ao Centro foi exigente. Confesso que, muitas vezes, não foi fácil conciliar a minha vida profissional e familiar com a construção do meu portefólio. (…)

No início, estava um pouco receosa do que me iria ser solicitado. Não pretendia expor a minha vida, mas sinto que a minha intimidade foi respeitada. Alterei a visão que tinha acerca do Processo de RVCC e, garantidamente, irei incentivar familiares e amigos a realizarem este processo.

Para além de valorizar os meus saberes, durante estes meses, tive também a oportunidade de adquirir outros conhecimentos. Refleti sobre as Fake News, aprendi o que foi o Protocolo de Quioto e a Cimeira de Paris e, muito importante, consultei, pela primeira vez, a Constituição da República Portuguesa.

Cátia Duarte – Candidata do processo RVCC – NS

Balanço de um processo RVCC


O RVCC é um processo de aprendizagem que me proporcionou uma grande evolução a todos os níveis.

Graças a muita pesquisa e sessões via Teams e também presenciais, a visualização de filmes/documentários, leitura de livros, etc… aumentei a minha cultura geral. Melhorei a minha escrita, a minha fluência na língua portuguesa, mas também as minhas competências a nível informático. Graças à elaboração do meu portefólio em suporte digital, desenvolvi os meus conhecimentos no word, mas também explorei as potencialidades da plataforma TEAMS ao longo das sessões a distância.

Deixei-me fascinar pelos temas desenvolvidos, principalmente a arte contemporânea a partir de lixo. Gostei de refletir sobre o aquecimento global e a importância das energias alternativas. Com a área de Cidadania e Profissionalidade, fui conduzido a ver o filme “A Lista de Schindler”, que desconhecia embora já seja um filme antigo. Também foram importantes as atividades propostas para evidenciação de competências em língua francesa para me ajudar a refletir e escrever pois raramente acontece. Também devo dizer que me deu gozo pesquisar sobre a Poste e ficar com uma melhor consciência das políticas ambientais, a ética e a organização da empresa onde me encontro a trabalhar.

Confesso que não gostei de visualizar o filme “O velho que lia romances de amor” baseado na obra de Luís Sepúlveda. Tive grandes dificuldades de compreensão e apresenta imagens chocantes, em especial a do “dentista”. Gostei no entanto da personagem do José Bolivar e das imagens da floresta da Amazónica. Foi sem dúvida uma estratégia marcante para me ajudar a refletir sobre a problemática da destruição progressiva do pulmão da terra, mas também da leitura como antídoto do envelhecimento.

As videoconferências para as quais fui convidado em participar, foram todas muito produtivas, mas aprendi sobretudo muito com o jovem palestrante, Pedro Santos, sobre o tema “As diferentes estruturas políticas e os novos populismos”. Ajudou-me a  ver a política com outros olhos. Também gostei muito da atividade realizada na biblioteca escolar “Missão Fugir” pois tivemos de desvendar enigmas em grupo, o que foi muito desafiante.

É impressionante tudo aquilo que aprendi e o gozo que me deu fazer todo este processo!

Estando a trabalhar no estrangeiro fiquei agradavelmente satisfeito com o desenrolar do meu processo, da forma como a equipa foi-me apoiando a distância. As sessões a distância foram muito construtivas, fiquei com a sensação que se aprende de igual forma como sendo presencial. Ganha-se tempo, evitam-se deslocações e torna-se mais confortável.

Por tudo o que acabo de referir, estou feliz e dinamizado para continuar a estudar. Agradeço a toda a equipa que possibilitou a concretização deste sonho.

Gonçalo Oliveira – Candidato do processo RVCC – Nível Secundário

Tertúlia “Oh, meu Pombal” – Testemunho de uma candidata do processo RVCC


No dia 10 de maio de 2021, pelas 20 horas, participei, na Biblioteca Escolar da Escola Secundária de Pombal, à Tertúlia “Oh, meu Pombal”, integrada na Semana Aberta do Agrupamento de Escolas de Pombal, com a presença dos palestrantes Dr. Nelson Pedrosa, Dr. Filipe Eusébio e Dr. Sérgio Marques, que apresentaram aspetos da história e da arte da e na cidade de Pombal.

Assim que entrei na biblioteca senti-me bem, o ambiente  era  acolhedor, fomos recebidos  de forma calorosa.

A tertúlia destinava-se aos formandos do processo de RVCC do nível básico e do nível secundário, aos formandos do curso de Educação e Formação de Adultos (EFA) e era  transmitida, via TEAMS,  para todos os formandos que não puderam estar presentes.

A sessão começou com um momento musical. As alunas Carolina Lopes, Juliana Mendes e Rita Martins interpretaram a canção “Oh, meu Pombal”. Como fui com 12 anos para a França e aos 15 para a Suíça e apenas regressei a Pombal em 2020, não conhecia esta canção. Transcrevo uma quadra que faz alusão às tradicionais festas do Bodo:

Vejo dali Pombal todo,

Cercadinho de olivais

Vejo as Festas do Bodo,

Música, fogo, arraiais

Seguidamente, o Dr. Nelson Pedrosa fez uma apresentação do castelo de Pombal com imagens antigas e fotografias mais recentes. Foi contando de forma entusiasmante a história do surgimento, decadência e reconstrução deste monumento. Foi uma apresentação enriquecedora que permitiu reviver a História rica da nossa cidade.

O Dr. Filipe Eusébio fez uma apresentação muito cativante da Casa Varela, nomeadamente as suas origens, utilização ao longo dos anos e a sua atual função. Foi muito bom ficar a saber que Pombal tem, neste momento, um espaço reservado a todos os artistas pombalenses, e não só, que queiram mostrar os seus trabalhos. Esta é, sem dúvida, uma forma de fixar no concelho de Pombal os artistas locais, evitando que eles tenham de se deslocar para mostrarem as suas criações artísticas. Deixou ainda um convite a todos os participantes para visitarem aquele espaço onde agora se pode apreciar a Arte. Fiquei muito curiosa e em breve espero lá ir.

Por fim, o Dr. Sérgio Marques apresentou o seu trabalho artístico enquanto ilustrador. Começou por fazer uma partilhar connosco seu percurso profissional referindo, que há poucos dias, terminou o seu trabalho de ilustração dos muros junto à rotunda do IC2 do Alto do Cabaço. Destacou as histórias que pretende contar, quer nesse mural, quer nas ilustrações das paragens do Pombus. Apresentou uma faceta muito entusiasmante do trabalho dos artistas que, como ele, querem contribuir para um maior bem-estar dos cidadãos. Sem dúvida que o seu trabalho dá muita vivacidade e cor ao ambiente da cidade. Eu já tinha reparado nas ilustrações das paragens do autocarro, mas não fazia ideia de quem era a autoria. Depois desta tertúlia já voltei a passar por algumas e a forma como as observei foi diferente, pois estava mais atenta.

Para terminar este momento, as alunas de conservatório de música David Sousa brindaram de novo o auditório com a melodiosa e bela canção sobre a cidade de Pombal.

Seguiu-se um momento de confraternização com os sabores tradicionais, nomeadamente das fogaças e dos beijinhos de Pombal, acompanhados por um reconfortante chá.

A Tertúlia “Oh, meu Pombal” proporcionou-me uma excelente oportunidade de convívio e partilha de aprendizagens dinâmicas, entre professores, palestrantes e formandos.

Donzília – Processo RVCC B3