À descoberta da biodiversidade da nossa terra


Na semana de 29 de abril a 4 de maio, teve lugar a segunda atividade integradora da turma EFA, nível secundário, subordinada ao tema: “Património cultural e turismo sustentável em Pombal”, com a questão geradora: “De que forma se pode articular património natural e turismo sustentável?”.

A atividade iniciou-se com a realização de uma caminhada até ao Açude do rio Arunca, no dia 29 de abril, ao longo da qual os formandos e formadores foram tomando conhecimento da diversidade de espécies de plantas e animais, bem como dos equipamentos para lazer.

No dia 2 de maio, com início às 20 horas, realizou-se uma palestra no Auditório Drª Gabriela Coelho, subordinada ao tema “Biodiversidade da fauna e da flora da região”, dinamizada pelo Dr. Luís Costa, do Agrupamento de Escolas de Pombal. Depois de uma caracterização geológica, os formandos encantaram-se com a diversidade e beleza das plantas e animais existentes na Serra de Sicó.

No sábado, dia 4 de maio, durante o período da manhã, fez-se uma visita ao Bioparque da cidade, situado na Charneca, a que se seguiu um piquenique no Parque do Cotrofe, onde se puderam degustar várias iguarias portuguesas, mas também ucranianas, dando lugar a um saudável convívio entre os participantes, entre os quais se encontravam formadores e formandos da turma EFA, formandos de RVCC (Reconhecimento e Validação de Conhecimentos e Competências) e de PFOL (Português para Falantes de Outras Línguas).

O produto final da atividade é um e-book que convidamos a folhear.

Os formandos do curso EFA NS

Estatística: Ferramenta de Formação Cívica


No dia 14 de fevereiro de 2019 os alunos do EFA e os candidatos do processo RVCC tiveram a oportunidade de participar numa palestra subordinada ao tema “Estatística: Ferramenta de Formação Cívicadinamizada pelo Dr. João Paulo Martins, docente do Departamento de Matemática da Escola Superior de Tecnologia e Gestão, do Instituto Politécnico de Leiria.

O palestrante começou por apresentar a origem e a história da Estatística bem como os diferentes Matemáticos ligados à mesma. De seguida  apresentou vários exemplos de informações estatísticas e referiu a importância de se analisar  de forma crítica toda a informação que nos apresentam ( jornais, televisão, publicidade,….), dado  que a informação estatística com que somos confrontados diariamente é frequentemente apenas uma informação parcial. Alertou, ainda, para a importância de  compreender que os mesmos dados, consoante as medidas de redução de dados, representações gráficas ou tabelas utilizadas, podem conduzir a conclusões diferentes. Para terminar, os formandos presentes, em grupo, foram desafiados a fazer a análise de notícias com informação estatística sobre um mesmo assunto mas feita por jornais diferentes. A análise foi apresentada pelo porta voz de cada grupo. Em todas as notícias foi possível identificar que notícias sobre o mesmo assunto levavam a conclusões diferentes e era possível identificar possíveis enviesamentos na informação.

A abordagem apresentada salientou que  a Estatística pode ser  utilizada de forma perversa para influenciar a opinião pública acerca de  determinados assuntos ou para representar a suposta qualidade e eficácia de produtos comerciais.

Para concluir enfatizou-se a importância e a necessidade de sermos  cidadãos esclarecidos e críticos em relação à informação estatística com que nos deparamos no nosso dia a dia.

Ana Francisco – Formadora de MV do processo RVCC

Leitura e cinema no Centro Qualifica


A apresentação do livro do jornalista norte-americano Franklin Foer “Mundo Sem Mente”, com a leitura de alguns excertos e o visionamento do filme “Jogo de imitação” do realizador norueguês Morten Tyldum foram fonte de conhecimento e agentes de reflexão nas sessões de formação do processo RVCC e curso EFA de nível secundário, no serão de 28 de janeiro.

A mensagem de uma obra que denuncia o impacto da alta tecnologia no dia-a-dia e sobretudo a invasão da privacidade dos utilizadores da Google, da Amazon, do Facebook, da Microsoft e da Apple não poderia ser mais oportuna para cumprir os objetivos das áreas de competências-chave de Sociedade, Tecnologia e Ciência e de Cultura, Língua e Comunicação no que se referem à  temática redes e tecnologias.

Com referências a Alan Turing, Stuart Brand e as origens hippies de Silicon Valley, a obra apresenta-nos os fundamentos da GAFA (Google, Apple, Facebook, Amazon) e questiona (denuncia) se o seu intuito subjacente não será de moldar a humanidade à imagem que deseja.

Num aprofundamento sobre o conhecimento de Alan Turing matemático, criptoanalista britânico com um papel relevante na criação do computador, os candidatos em processo RVCC e os formandos do curso EFA puderam ainda assistir ao filme “Jogo de imitação”.

Como em toda a sessão de cinema, não faltaram pipocas. Aliou-se o prazer de ler e de assistir a um filme à urgência da reflexão. Em tempos da vertiginosa evolução das tecnologias de informação e da comunicação deparamo-nos com a necessidade de não nos deixarmos deslumbrar.

“Facilmente nos maravilhamos com estas empresas e suas invenções, as quais costumam facilitar-nos a vida. Mas já perdemos demasiado tempo maravilhados. Chegou a altura de pensarmos nas consequências destes monopólios, de reavaliarmos o nosso papel na determinação do rumo humano. A partir do momento em que cruzemos determinados limites – assim que transformarmos os valores das instituições, assim que abandonarmos a privacidade – não haverá regresso, não teremos como restaurar a individualidade perdida”.

Franklin Foer

Cristina Costa – Coordenadora do Centro Qualifica

Saber(es) Fazer


Se na escola se adquirem as competências essenciais de leitura, escrita e cálculo que nos permitem responder aos “desafios” do dia-a-dia (como, por exemplo, interpretar horários de transportes públicos e efetuar contas mentalmente), a vida será um dos mais nobres mestres. De facto, é fora das salas de aula que ela acontece: na rua, em espaços públicos, no associativismo, no voluntariado e na transição de uma situação profissional para outra. A vida está nas escolhas que se fazem e no respirar de cada segundo.

E foi isso que os candidatos propostos a júri de certificação demonstraram no dia 20 de dezembro, momento que representa para cada candidato o culminar de um processo não apenas de reconhecimento de competências, mas também de aprendizagem.

Aqui, a Matemática para a Vida esteve presente nas marcações e nos moldes de confeção de chapéus de criança, de carteiras para senhora e de golas. Esteve, ainda, em fatos de apicultor que, num Carnaval, foi preciso cortar para ajustar à altura de um grupo de crianças.

As competências estiveram, ainda, na demonstração da técnica inerente ao ato de tocar instrumentos musicais tradicionais (ferrinhos e reco-reco) e na arte que é preciso conhecer e dominar para produzir o som desejado: mais agudo ou mais grave, consoante o tamanho dos instrumentos e a intensidade com que são tocados, sem esquecer que estes devem ser selecionados em função do espaço de atuação – espaços abertos ou fechados conduzirão a escolhas diferentes… as tais escolhas que a vida ensinar a fazer.

São Sabes(es) Fazer como estes que nos recordam a essência do processo de reconhecimento, validação e certificação de competências, pois não se adquirem através de métodos estritamente académicos e rigidamente formatados, mas de modo flexível, durante a vida, em contacto com os outros. E, porque “a vida é uma roda viva”, tudo isto implica também aprender a aprender para se poder extrair sumo e benefício das oportunidades proporcionadas pela Aprendizagem ao Longo (e em todos os espaços) da Vida.

Isabel Moio – Técnica de ORVC

Dezembro, mês de certificações


“Ninguém ignora tudo. Ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa. Todos nós ignoramos alguma coisa. Por isso aprendemos sempre.”

Paulo Freire

As sessões de júri de certificações são a última etapa do processo de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências, constituem-se como um momento formal de demonstração de competências. Para  a equipa de formadores/avaliadores representam sempre oportunidades de novas aprendizagens.

Julia,  Pedro, Lúcia, Filomena,  Abílio,  Aldina, Anabela, Cristina e Luís MUITOS PARABÉNS e MUITO OBRIGADA pela partilha dos  saberes adquiridos na escola da vida.

Cristina Costa – Coordenadora do Centro

Gala K´Escolhas


Foi com muito gosto que no dia 13 de dezembro, pelas 20:00 horas, o Centro Qualifica do Agrupamento de Escolas de Pombal se associou à Gala K´Escolhas – encerramento do projeto denominado “3 I’s – Intervir, Integrar e Incluir” e que teve a duração de um ano.

Contribuir para a inclusão escolar e para a educação não formal bem como para a formação e qualificação profissional foi uma das medidas da candidatura do Consórcio liderado pelo Município de Pombal, ao programa Escolhas 6ª geração.

Para o Centro Qualifica do Agrupamento de Escolas de Pombal, o convite da Dra Cremilde Pinto representou uma oportunidade extraordinária para, através do processo de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências, ajudar um grupo de dezasseis pessoas a ultrapassar o preconceito relativamente à escola bem como valorizar-se enquanto pessoa, pelo olhar atento sobre a sua experiência de vida e as suas competências.

Desde o dia 22 de outubro, duas vezes por semana, nas tardes de segunda e terça, estivemos em itinerância, nas instalações da AICP. Fomos ao encontro dos candidatos que se encontravam a realizar uma formação para a inclusão e ajudámo-los na construção do seu Portefólio Reflexivo de Aprendizagens. Fomos também procurando motivar para alcançar os níveis de literacia que hoje são exigidos e trabalhar na concretização de alguns sonhos profissionais. Prevê-se que a conclusão do processo aconteça em fevereiro e que deste modo, dez candidatos alcancem a certificação de nível B3 (9º ano) e seis de B2 (6º ano).

A Marisa Monteiro, em processo de nível básico e a Ariana Santos, certificada com o nível secundário, em maio 2018, e a frequentar um curso de Técnico de Apoio à Gestão deram os seus testemunhos inspiradores sobre a importância da Aprendizagem ao Longo da Vida.

Numa celebração da cultura cigana, assistimos ainda a diversas manifestações: declamação de poesia, dança, música e doçaria com deliciosas filhoses.

Obrigada a todos os que abrilhantaram a Festa!

Muitos Parabéns a todos aqueles que idealizaram o projeto e que de muitos e variados modos procuraram cativar, e se deixaram cativar. Acredito que a  reciprocidade será transformadora.

Cristina Costa – Coordenadora do Centro Qualifica

Tornar-se Pessoa


“Quem sou eu?” é o mote do livro “Tornar-se Pessoa”, de Carl Rogers (1902-1987), psicólogo americano que colocou o ser humano no centro da sua existência. Precisamente por isso, concebe um modelo educacional assente em pressupostos humanistas, pelo que a organização do ensino e da formação tem de considerar a Pessoa como condição central. Se assim não acontecer, corre-se o risco de os resultados não terem importância ou serem perniciosos.

Rogers propõe, então, um modelo baseado na não diretividade, realçando a condição ativa de cada ser humano no seu próprio processo de aprendizagem. Além disso, sublinha que os modelos clássicos são frios, impessoais e ocos. Neste sentido, identifica três condições fundamentais para a aprendizagem: (1) empatia, que estabelece as bases de um diálogo verdadeiro e favorece a partilha de emoções entre professor/a e aluno/a; (2) congruência, que conduz a uma autenticação de comportamentos e de atitudes; (3) aceitação incondicional positiva, permitindo aceitar o outro sem críticas nem julgamentos. Através destes pressupostos, preconiza-se uma aprendizagem significativa, na qual cada Pessoa é a principal força motriz.

No livro “Tornar-se Pessoa”, Rogers refere que o “estar pronto” para auxiliar o outro na descoberta e na construção do seu caminho ocorre na relação com ele, pois é na (con)vivência que se constrói a compreensão. No fundo, é também isto que nós, enquanto Técnicos/as de Orientação, Reconhecimento e Validação de Competências, fazemos.

Um dos primeiros instrumentos de mediação que utilizamos no balanço de competências intitula-se, precisamente, “Quem sou eu?”. A partir deste, e por intermédio da criação de laços congruentes, de uma relação empática através da qual concedemos a cada candidato/a tempo e espaço para partilhar, (auto)descobrir-se e construir o seu próprio caminho (que materializa num Portefólio Reflexivo de Aprendizagens) e de uma aceitação incondicional positiva (em pleno respeito pelas origens, interesses e perfis dos/as candidatos/as), procuramos proporcionar meios e estratégias facilitadoras do processo que faz cada um/a tornar-se numa Pessoa cada vez melhor.

Isabel Moio – Técnica de ORVC

Ti Maria, dai-me um bolinho


Na Guia, ainda há quem leve muito a rigor a tradição do “Dia do Bolinho” e dedica-se à confeção de bolinhos para presentear os seus familiares, amigos e todas as crianças que alegremente vão batendo  a todas as portas no dia 1 de novembro.

Também no grupo de amigos em processo de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências  a sessão do dia 31 de outubro culminou numa partilha de bolinho.

Obrigada D. Rosa pela sua ideia feliz para proporcionar um momento de convívio e ajudar a manter a tradição.

Cristina Costa – Coordenadora do Centro Qualifica

Semanas Aprendizagem ao Longo da Vida


O Centro Qualifica e os cursos EFA e PFOL do AE de Pombal associaram-se à iniciativa Semana Aprender ao Longo da Vida, uma organização da Associação O Direito de Aprender com várias iniciativas de diferentes formas de aprendizagem (formal, não formal e informal).

Tendo em conta que 2018 é o Ano Europeu do Património Cultural, iremos ao encontro de marcas distintivas de Pombal: personagens, espaços e especialidades gastronómicas, lendas e cantares…

Construir o mundo a partir do que sabemos


O Auditório da Reitoria da Universidade de Coimbra e os três edifícios da Faculdade de Psicologia foram palco, entre os dias 11 e 13 de outubro, do XIV Congresso da Sociedade Portuguesa de Ciências da Educação. Este ano, o tema aglutinador foi “Ciências, Culturas e Cidadanias”.

Especialistas em educação de várias instituições nacionais e internacionais permitiram que este evento acontecesse: uns, parte ativa da comissão executiva e organizadora; outros, por integrarem o painel da comissão científica. E, claro, também para isso contribuíram todos os técnicos, formadores, docentes, estudantes do ensino superior e investigadores (dentro e fora das nossas fronteiras) que, através de diferentes sessões e mesas temáticas, despoletaram o interesse da plateia e o questionamento.

Sendo as Ciências da Educação uma área de tão grande amplitude, foi possível ouvir contributos sobre temas tão diversos, tais como: políticas e flexibilização curricular; cultura, inclusão e equidade; redes e participação em investigação em educação; e educação e literacias no século XXI.

A propósito das literacias no século XXI, foi levantada a questão: como podem ser desenvolvidas? A resposta surgiu numa palavra-chave: conhecimentos. Assim, apenas o conhecimento permite a cada pessoa conhecer o mundo social em que se insere. Este mundo vai para lá do tangente e das aparências: é sempre construído, está por trás do visível e é ele que faz de cada pessoa um ser que aprende a pensar e, por isso, de pensamento crítico.

Sobretudo os adultos têm limitações em lidar com situações novas a partir de muita e nova informação. No entanto, também têm uma enorme potencialidade que reside nos seus conhecimentos anteriores. Na realidade, só conseguimos interpretar o mundo (social) a partir do que sabemos. Por isso, quanto mais soubermos, mais novas relações com o saber conseguimos estabelecer porque mais capacidade temos para compreendê-lo e, (auto)construindo-nos, mais facilmente transformamos o que já sabemos em função do que aprendemos de novo. E isso (também) faz de nós seres verdadeiramente criativos.

Enquanto assistia, no lado da plateia, questionava-me em silêncio retórico: poderá o processo de RVCC ter, com tudo isto, alguma relação? Respondi(-me) que sim. Este processo vem conceder uma nova oportunidade a quem, por diferentes motivos, não a teve em tempo (mais) oportuno. Mas não só. Vem, também, recuperar conhecimentos, quantas vezes desvalorizados pelos/as próprios/as adultos/as. E, mais do que isso, vem contribuir, durante as sessões de reconhecimento de competências e, com a obrigatoriedade de cumprir, no mínimo, 50 horas de formação complementar, para a construção de novos conhecimentos, tendo como alicerce os saberes previamente adquiridos e as experiências de vida devidamente contextualizadas.

Enquanto especialistas em educação de adultos, passa também pelo mapa das nossas missões cativar, motivar e despertar o gosto dos/as candidatos/as pelo conhecimento (consciência cívica, educação ambiental, importância da constituição de uma carteira de competências que seja muito mais do que um mero somatório de momentos formativos desconexos, etc.)… porque ser(-se) Educador/a de Adultos é tudo isto. E isto é muito mais do que simplesmente trabalhar em Educação de Adultos.

Isabel Moio- Técnica de ORVC