Saber(es) Fazer


Se na escola se adquirem as competências essenciais de leitura, escrita e cálculo que nos permitem responder aos “desafios” do dia-a-dia (como, por exemplo, interpretar horários de transportes públicos e efetuar contas mentalmente), a vida será um dos mais nobres mestres. De facto, é fora das salas de aula que ela acontece: na rua, em espaços públicos, no associativismo, no voluntariado e na transição de uma situação profissional para outra. A vida está nas escolhas que se fazem e no respirar de cada segundo.

E foi isso que os candidatos propostos a júri de certificação demonstraram no dia 20 de dezembro, momento que representa para cada candidato o culminar de um processo não apenas de reconhecimento de competências, mas também de aprendizagem.

Aqui, a Matemática para a Vida esteve presente nas marcações e nos moldes de confeção de chapéus de criança, de carteiras para senhora e de golas. Esteve, ainda, em fatos de apicultor que, num Carnaval, foi preciso cortar para ajustar à altura de um grupo de crianças.

As competências estiveram, ainda, na demonstração da técnica inerente ao ato de tocar instrumentos musicais tradicionais (ferrinhos e reco-reco) e na arte que é preciso conhecer e dominar para produzir o som desejado: mais agudo ou mais grave, consoante o tamanho dos instrumentos e a intensidade com que são tocados, sem esquecer que estes devem ser selecionados em função do espaço de atuação – espaços abertos ou fechados conduzirão a escolhas diferentes… as tais escolhas que a vida ensinar a fazer.

São Sabes(es) Fazer como estes que nos recordam a essência do processo de reconhecimento, validação e certificação de competências, pois não se adquirem através de métodos estritamente académicos e rigidamente formatados, mas de modo flexível, durante a vida, em contacto com os outros. E, porque “a vida é uma roda viva”, tudo isto implica também aprender a aprender para se poder extrair sumo e benefício das oportunidades proporcionadas pela Aprendizagem ao Longo (e em todos os espaços) da Vida.

Isabel Moio – Técnica de ORVC

Dezembro, mês de certificações


“Ninguém ignora tudo. Ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa. Todos nós ignoramos alguma coisa. Por isso aprendemos sempre.”

Paulo Freire

As sessões de júri de certificações são a última etapa do processo de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências, constituem-se como um momento formal de demonstração de competências. Para  a equipa de formadores/avaliadores representam sempre oportunidades de novas aprendizagens.

Julia,  Pedro, Lúcia, Filomena,  Abílio,  Aldina, Anabela, Cristina e Luís MUITOS PARABÉNS e MUITO OBRIGADA pela partilha dos  saberes adquiridos na escola da vida.

Cristina Costa – Coordenadora do Centro

Gala K´Escolhas


Foi com muito gosto que no dia 13 de dezembro, pelas 20:00 horas, o Centro Qualifica do Agrupamento de Escolas de Pombal se associou à Gala K´Escolhas – encerramento do projeto denominado “3 I’s – Intervir, Integrar e Incluir” e que teve a duração de um ano.

Contribuir para a inclusão escolar e para a educação não formal bem como para a formação e qualificação profissional foi uma das medidas da candidatura do Consórcio liderado pelo Município de Pombal, ao programa Escolhas 6ª geração.

Para o Centro Qualifica do Agrupamento de Escolas de Pombal, o convite da Dra Cremilde Pinto representou uma oportunidade extraordinária para, através do processo de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências, ajudar um grupo de dezasseis pessoas a ultrapassar o preconceito relativamente à escola bem como valorizar-se enquanto pessoa, pelo olhar atento sobre a sua experiência de vida e as suas competências.

Desde o dia 22 de outubro, duas vezes por semana, nas tardes de segunda e terça, estivemos em itinerância, nas instalações da AICP. Fomos ao encontro dos candidatos que se encontravam a realizar uma formação para a inclusão e ajudámo-los na construção do seu Portefólio Reflexivo de Aprendizagens. Fomos também procurando motivar para alcançar os níveis de literacia que hoje são exigidos e trabalhar na concretização de alguns sonhos profissionais. Prevê-se que a conclusão do processo aconteça em fevereiro e que deste modo, dez candidatos alcancem a certificação de nível B3 (9º ano) e seis de B2 (6º ano).

A Marisa Monteiro, em processo de nível básico e a Ariana Santos, certificada com o nível secundário, em maio 2018, e a frequentar um curso de Técnico de Apoio à Gestão deram os seus testemunhos inspiradores sobre a importância da Aprendizagem ao Longo da Vida.

Numa celebração da cultura cigana, assistimos ainda a diversas manifestações: declamação de poesia, dança, música e doçaria com deliciosas filhoses.

Obrigada a todos os que abrilhantaram a Festa!

Muitos Parabéns a todos aqueles que idealizaram o projeto e que de muitos e variados modos procuraram cativar, e se deixaram cativar. Acredito que a  reciprocidade será transformadora.

Cristina Costa – Coordenadora do Centro Qualifica

Tornar-se Pessoa


“Quem sou eu?” é o mote do livro “Tornar-se Pessoa”, de Carl Rogers (1902-1987), psicólogo americano que colocou o ser humano no centro da sua existência. Precisamente por isso, concebe um modelo educacional assente em pressupostos humanistas, pelo que a organização do ensino e da formação tem de considerar a Pessoa como condição central. Se assim não acontecer, corre-se o risco de os resultados não terem importância ou serem perniciosos.

Rogers propõe, então, um modelo baseado na não diretividade, realçando a condição ativa de cada ser humano no seu próprio processo de aprendizagem. Além disso, sublinha que os modelos clássicos são frios, impessoais e ocos. Neste sentido, identifica três condições fundamentais para a aprendizagem: (1) empatia, que estabelece as bases de um diálogo verdadeiro e favorece a partilha de emoções entre professor/a e aluno/a; (2) congruência, que conduz a uma autenticação de comportamentos e de atitudes; (3) aceitação incondicional positiva, permitindo aceitar o outro sem críticas nem julgamentos. Através destes pressupostos, preconiza-se uma aprendizagem significativa, na qual cada Pessoa é a principal força motriz.

No livro “Tornar-se Pessoa”, Rogers refere que o “estar pronto” para auxiliar o outro na descoberta e na construção do seu caminho ocorre na relação com ele, pois é na (con)vivência que se constrói a compreensão. No fundo, é também isto que nós, enquanto Técnicos/as de Orientação, Reconhecimento e Validação de Competências, fazemos.

Um dos primeiros instrumentos de mediação que utilizamos no balanço de competências intitula-se, precisamente, “Quem sou eu?”. A partir deste, e por intermédio da criação de laços congruentes, de uma relação empática através da qual concedemos a cada candidato/a tempo e espaço para partilhar, (auto)descobrir-se e construir o seu próprio caminho (que materializa num Portefólio Reflexivo de Aprendizagens) e de uma aceitação incondicional positiva (em pleno respeito pelas origens, interesses e perfis dos/as candidatos/as), procuramos proporcionar meios e estratégias facilitadoras do processo que faz cada um/a tornar-se numa Pessoa cada vez melhor.

Isabel Moio – Técnica de ORVC

Ti Maria, dai-me um bolinho


Na Guia, ainda há quem leve muito a rigor a tradição do “Dia do Bolinho” e dedica-se à confeção de bolinhos para presentear os seus familiares, amigos e todas as crianças que alegremente vão batendo  a todas as portas no dia 1 de novembro.

Também no grupo de amigos em processo de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências  a sessão do dia 31 de outubro culminou numa partilha de bolinho.

Obrigada D. Rosa pela sua ideia feliz para proporcionar um momento de convívio e ajudar a manter a tradição.

Cristina Costa – Coordenadora do Centro Qualifica

Semanas Aprendizagem ao Longo da Vida


O Centro Qualifica e os cursos EFA e PFOL do AE de Pombal associaram-se à iniciativa Semana Aprender ao Longo da Vida, uma organização da Associação O Direito de Aprender com várias iniciativas de diferentes formas de aprendizagem (formal, não formal e informal).

Tendo em conta que 2018 é o Ano Europeu do Património Cultural, iremos ao encontro de marcas distintivas de Pombal: personagens, espaços e especialidades gastronómicas, lendas e cantares…

Construir o mundo a partir do que sabemos


O Auditório da Reitoria da Universidade de Coimbra e os três edifícios da Faculdade de Psicologia foram palco, entre os dias 11 e 13 de outubro, do XIV Congresso da Sociedade Portuguesa de Ciências da Educação. Este ano, o tema aglutinador foi “Ciências, Culturas e Cidadanias”.

Especialistas em educação de várias instituições nacionais e internacionais permitiram que este evento acontecesse: uns, parte ativa da comissão executiva e organizadora; outros, por integrarem o painel da comissão científica. E, claro, também para isso contribuíram todos os técnicos, formadores, docentes, estudantes do ensino superior e investigadores (dentro e fora das nossas fronteiras) que, através de diferentes sessões e mesas temáticas, despoletaram o interesse da plateia e o questionamento.

Sendo as Ciências da Educação uma área de tão grande amplitude, foi possível ouvir contributos sobre temas tão diversos, tais como: políticas e flexibilização curricular; cultura, inclusão e equidade; redes e participação em investigação em educação; e educação e literacias no século XXI.

A propósito das literacias no século XXI, foi levantada a questão: como podem ser desenvolvidas? A resposta surgiu numa palavra-chave: conhecimentos. Assim, apenas o conhecimento permite a cada pessoa conhecer o mundo social em que se insere. Este mundo vai para lá do tangente e das aparências: é sempre construído, está por trás do visível e é ele que faz de cada pessoa um ser que aprende a pensar e, por isso, de pensamento crítico.

Sobretudo os adultos têm limitações em lidar com situações novas a partir de muita e nova informação. No entanto, também têm uma enorme potencialidade que reside nos seus conhecimentos anteriores. Na realidade, só conseguimos interpretar o mundo (social) a partir do que sabemos. Por isso, quanto mais soubermos, mais novas relações com o saber conseguimos estabelecer porque mais capacidade temos para compreendê-lo e, (auto)construindo-nos, mais facilmente transformamos o que já sabemos em função do que aprendemos de novo. E isso (também) faz de nós seres verdadeiramente criativos.

Enquanto assistia, no lado da plateia, questionava-me em silêncio retórico: poderá o processo de RVCC ter, com tudo isto, alguma relação? Respondi(-me) que sim. Este processo vem conceder uma nova oportunidade a quem, por diferentes motivos, não a teve em tempo (mais) oportuno. Mas não só. Vem, também, recuperar conhecimentos, quantas vezes desvalorizados pelos/as próprios/as adultos/as. E, mais do que isso, vem contribuir, durante as sessões de reconhecimento de competências e, com a obrigatoriedade de cumprir, no mínimo, 50 horas de formação complementar, para a construção de novos conhecimentos, tendo como alicerce os saberes previamente adquiridos e as experiências de vida devidamente contextualizadas.

Enquanto especialistas em educação de adultos, passa também pelo mapa das nossas missões cativar, motivar e despertar o gosto dos/as candidatos/as pelo conhecimento (consciência cívica, educação ambiental, importância da constituição de uma carteira de competências que seja muito mais do que um mero somatório de momentos formativos desconexos, etc.)… porque ser(-se) Educador/a de Adultos é tudo isto. E isto é muito mais do que simplesmente trabalhar em Educação de Adultos.

Isabel Moio- Técnica de ORVC

Pilares da Educação (de Adultos)


São, sobretudo, os/as Técnicos/as de Orientação, Reconhecimento e Validação de Competências quem procede ao acolhimento, inscrição, diagnóstico, informação e orientação e encaminhamento das pessoas que procuram o Centro Qualifica, independentemente da sua idade, motivações, percurso de vida e projetos. Quando enveredam pelo processo de RVCC, estes Técnicos são os elementos-chave da equipa que estão presentes desde a primeira sessão de balanço de competências até ao momento em que os/as candidatos/as erguem o certificado e o diploma na mão com brilho no olhar, como quem anuncia o orgulho por ter confiado nas suas próprias capacidades. Por isso, são ainda estes Técnicos que contribuem para que cada candidato/a (re)descubra o gosto pela aprendizagem e se encante com a possibilidade de (re)aprender a conhecer, a fazer, a conviver e a ser, os quatro Pilares da Educação.

Estes foram desenvolvidos na Conferência Nacional sobre Educação de 1990, organizada pela UNESCO, da qual resultou um relatório que foi editado sob a forma de livro, intitulado “Educação: um tesouro a descobrir”. Com esta publicação era intuito propor e discutir uma educação direcionada para as aprendizagens que, ao longo da vida de cada pessoa, se tornam os pilares dos seus conhecimentos.

De facto, o aprender a conhecer centra-se no despertar da vontade de descobrir e construir conhecimento e em procurar soluções inovadoras e criativas, fazendo com que cada pessoa fique apta a explorar o mundo que a rodeia. Este pilar anda de mãos dadas com o aprender a fazer, na medida em que para “fazer” é necessário “conhecer”. Significa, assim, ir além do conhecimento teórico e entrar na prática.

Reconhecer as diferenças individuais e saber lidar com essa diversidade parte da elevação de cada pessoa. Entra-se, aqui, no domínio do aprender a conviver. Por isso, é essencial saber participar em projetos comuns, libertarmo-nos de qualquer tipo de oposição violenta e fazer progredir a humanidade, o que apenas se alcança através da conscientização da interdependência entre todas as pessoas.

O aprender a ser emerge da conjugação daqueles três pilares, pois o desenvolvimento do ser humano como um todo tem implícita a consolidação do pensamento crítico e autónomo, a construção de conhecimento e o sentido ético perante a sociedade.

A Educação não se esgota nos sistemas formais de ensino. Está presente ao longo da vida (tal como a aprendizagem e os quatro pilares), em contextos não-formais e informais. A Educação e Formação de Adultos é uma das áreas de intervenção do universo da Educação e, dentro desta, o processo de RVCC ocupa um lugar de destaque pela especificidade da metodologia que utiliza, assente no balanço de competências e na narrativa autobiográfica. No entanto, também aqui se vai muito para lá das áreas de competências-chave, pois contribuiu-se para que cada pessoa fortaleça os seus alicerces, os seus talentos e os seus pilares… porque a Educação é, na realidade, um constante “tesouro a descobrir”.

Isabel Moio – Técnica de ORVC

“Rentrée” da Educação de Adultos


Das atividades que marcaram o recomeço do ano escolar na educação de adultos, salienta-se a receção aos professores que integrarão as equipas técnico-pedagógicas na Educação de Adultos do Agrupamento de Escolas de Pombal, no ano letivo 2018-2019.

Foi nos dias 7 e 12 de setembro que um grupo de doze professores passou a assumir um conjunto diversificado de funções ligadas ao Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências, (RVCC), ao curso de Educação e Formação de Adultos (EFA) e Português para Falantes de Outras Línguas (PFOL), distanciando-se das funções que lhes são habituais enquanto professores do ensino regular com uma nova terminologia inerente às novas práticas.

Na Educação de Adultos, não há aulas, mas sessões; não se é professor, mas formador; não há fichas, mas instrumentos. No curso EFA fala-se em atividades integradoras, práticas pedagógicas que convocam competências e saberes de múltiplas dimensões, na abordagem de temas transversais. Enfim, se o discurso de que o ensino, para ser significativo, deve partir da realidade dos alunos tem sido recorrente no contexto da educação em geral, no campo da Educação de Adultos mais significado tem.

Além disso, é grande a diversidade do mundo adulto, a começar pela motivação, passando pelas diferenças nos saberes adquiridos pela experiência e no tempo disponível para a formação. A prática profissional do formador de adultos tem, por um lado, de responder aos documentos oficiais que definem as áreas de conteúdo onde os adultos têm de desenvolver competências e, por outro, de responder à individualidade de cada um. No caso específico do processo RVCC, esta  resposta concretiza-se também na a adoção de práticas de atuação em regime de itinerância em locais onde as estruturas de educação-formação de adultos não existem.

Setembro marcou assim o início do ano em força. 

Com uma forte mobilização de todos os elementos do Centro Qualifica que inclui os Técnicos de Orientação, Reconhecimento e Validação de Competências (TORVC) e o apoio de entidades parceiras (AE Guia, AE Gualdim Pais, Calcus), pudemos dar continuidade ao processo de RVCC escolar em Pombal, em horário diurno e pós-laboral e no Agrupamento de Escolas da Guia, em pós-laboral, dando suporte na realização de sonhos de um grupo dez pessoas. Demos também continuidade a um curso EFA escolar, de nível secundário, iniciámos um novo curso de PFOL e estamos prestes a dar início a uma Unidade de Formação de Curta Duração (UFCD) de Inglês.

Cristina Costa – Coordenadora do Centro Qualifica

Da formação à reinvenção de si


A formação está sempre, de algum modo, imbuída de sentido(s) e de significado(s). Há sempre uma motivação para a realizar: extrínseca, se é frequentada em contexto profissional, visando, por exemplo, a melhoria de destrezas e competências específicas ou a progressão profissional; intrínseca, se na base está o interesse, a curiosidade ou a valorização pessoal, desvinculada do contexto laboral, sem qualquer ligação a este. É como se no DNA humano estivesse inscrita a necessidade de (re)atualização de conhecimentos, que proporciona a adaptação a uma sociedade heterogénea, desafiante e em constante movimento.

A Portaria n.º 232/2016, de 29 de agosto, que rege o funcionamento e a dinâmica dos Centros Qualifica, estipula, no âmbito do processo de RVCC, a obrigatoriedade de os candidatos frequentarem, no mínimo, cinquenta horas de formação complementar.

No início, a ideia de dedicar duas ou três noites (ou tardes) ao processo – democraticamente repartidas entre sessões de balanço de competências e sessões de formação complementar – vem agitar as agendas e os mapas de compromissos dos candidatos. Há quem tenha trocado precocemente o lápis de pedra ou a caneta de aparo por uma enxada – a escrita passou a ser a da terra. Há ainda candidatos cujos horários de trabalho são flutuantes e variam de semana para semana, entre turnos que, quantas vezes, iniciam mais cedo e terminam mais tarde do que o previsto.

A formação assusta porque foge aos seus padrões de vida e faz recordar os bancos da escola, onde o sucesso académico, frequentemente, estava comprometido devido aos vários afazeres que se somavam e os esperavam em casa. Surge, muitas vezes, a questão “serei capaz?”. Mas a equipa do Centro não duvida: sim, são todos capazes!

Se aquando das primeiras semanas do processo, as reticências e a insegurança predominavam, dissipam – como o nevoeiro matinal dos meses mornos – à medida que as sessões se desenrolam e a Equipa desmistifica conceitos inerentes às áreas de competências-chave e aos referenciais que as sustentam.

Assim, o fluir do tempo traz à tona sentimentos de autoconfiança e de autoestima. Agora, os candidatos começam a conhecer a resposta àquela questão inicial, tendencialmente retórica. Ganham em saberes, em atitude perante diversas áreas da vida e introduzem mudanças em algumas práticas do seu dia-a-dia. Sentem que passam a gravitar em torno de uma sede de saber mais e aquelas cinquenta horas (no início tantas e tão assustadoras) transformam-se num trampolim para uma procura de mais (formação e saberes). Chegam a sorrir-nos enquanto dizem que afinal souberam a pouco. Enriquecem-se e crescem, sobretudo, enquanto cidadãos. E essa é tanto a matriz como o elixir da Educação de Adultos: proporcionar a conscientização e a libertação.

Isabel Moio – Técnica de ORVC