Processo RVCC – Testemunhos


Através do processo RVCC, ganhei novamente o gosto pela escrita que tinha perdido com o passar do tempo e fez-me pesquisar. Permitiu-me olhar de dentro para fora de mim própria e do mundo, colocar em palavras milhares de pensamentos presentes na minha mente. Fez-me recordar e reviver momentos da minha vida. (…)

Assisti a documentários, tais como, “Lixo Extraordinário”, “Seremos História” e o filme “O Carteiro de Pablo Neruda” pelos quais me deixar fascinar. Fizeram refletir e aprender.

Acima de tudo foi muito isso… O processo RVCC fez-me parar e refletir sobre assuntos que na pressa do meu dia-a-dia passavam despercebidos.

Carolina Matias – Candidata do processo RVCC – NS

 

Desafio é a palavra  para caracterizar a minha passagem pelo Processo de RVCC. O cumprimento de horários, a realização de atividades e a necessidade de vir três vezes por semana ao Centro foi exigente. Confesso que, muitas vezes, não foi fácil conciliar a minha vida profissional e familiar com a construção do meu portefólio. (…)

No início, estava um pouco receosa do que me iria ser solicitado. Não pretendia expor a minha vida, mas sinto que a minha intimidade foi respeitada. Alterei a visão que tinha acerca do Processo de RVCC e, garantidamente, irei incentivar familiares e amigos a realizarem este processo.

Para além de valorizar os meus saberes, durante estes meses, tive também a oportunidade de adquirir outros conhecimentos. Refleti sobre as Fake News, aprendi o que foi o Protocolo de Quioto e a Cimeira de Paris e, muito importante, consultei, pela primeira vez, a Constituição da República Portuguesa.

Cátia Duarte – Candidata do processo RVCC – NS

Balanço de um processo RVCC


O RVCC é um processo de aprendizagem que me proporcionou uma grande evolução a todos os níveis.

Graças a muita pesquisa e sessões via Teams e também presenciais, a visualização de filmes/documentários, leitura de livros, etc… aumentei a minha cultura geral. Melhorei a minha escrita, a minha fluência na língua portuguesa, mas também as minhas competências a nível informático. Graças à elaboração do meu portefólio em suporte digital, desenvolvi os meus conhecimentos no word, mas também explorei as potencialidades da plataforma TEAMS ao longo das sessões a distância.

Deixei-me fascinar pelos temas desenvolvidos, principalmente a arte contemporânea a partir de lixo. Gostei de refletir sobre o aquecimento global e a importância das energias alternativas. Com a área de Cidadania e Profissionalidade, fui conduzido a ver o filme “A Lista de Schindler”, que desconhecia embora já seja um filme antigo. Também foram importantes as atividades propostas para evidenciação de competências em língua francesa para me ajudar a refletir e escrever pois raramente acontece. Também devo dizer que me deu gozo pesquisar sobre a Poste e ficar com uma melhor consciência das políticas ambientais, a ética e a organização da empresa onde me encontro a trabalhar.

Confesso que não gostei de visualizar o filme “O velho que lia romances de amor” baseado na obra de Luís Sepúlveda. Tive grandes dificuldades de compreensão e apresenta imagens chocantes, em especial a do “dentista”. Gostei no entanto da personagem do José Bolivar e das imagens da floresta da Amazónica. Foi sem dúvida uma estratégia marcante para me ajudar a refletir sobre a problemática da destruição progressiva do pulmão da terra, mas também da leitura como antídoto do envelhecimento.

As videoconferências para as quais fui convidado em participar, foram todas muito produtivas, mas aprendi sobretudo muito com o jovem palestrante, Pedro Santos, sobre o tema “As diferentes estruturas políticas e os novos populismos”. Ajudou-me a  ver a política com outros olhos. Também gostei muito da atividade realizada na biblioteca escolar “Missão Fugir” pois tivemos de desvendar enigmas em grupo, o que foi muito desafiante.

É impressionante tudo aquilo que aprendi e o gozo que me deu fazer todo este processo!

Estando a trabalhar no estrangeiro fiquei agradavelmente satisfeito com o desenrolar do meu processo, da forma como a equipa foi-me apoiando a distância. As sessões a distância foram muito construtivas, fiquei com a sensação que se aprende de igual forma como sendo presencial. Ganha-se tempo, evitam-se deslocações e torna-se mais confortável.

Por tudo o que acabo de referir, estou feliz e dinamizado para continuar a estudar. Agradeço a toda a equipa que possibilitou a concretização deste sonho.

Gonçalo Oliveira – Candidato do processo RVCC – Nível Secundário

Tertúlia “Oh, meu Pombal” – Testemunho de uma candidata do processo RVCC


No dia 10 de maio de 2021, pelas 20 horas, participei, na Biblioteca Escolar da Escola Secundária de Pombal, à Tertúlia “Oh, meu Pombal”, integrada na Semana Aberta do Agrupamento de Escolas de Pombal, com a presença dos palestrantes Dr. Nelson Pedrosa, Dr. Filipe Eusébio e Dr. Sérgio Marques, que apresentaram aspetos da história e da arte da e na cidade de Pombal.

Assim que entrei na biblioteca senti-me bem, o ambiente  era  acolhedor, fomos recebidos  de forma calorosa.

A tertúlia destinava-se aos formandos do processo de RVCC do nível básico e do nível secundário, aos formandos do curso de Educação e Formação de Adultos (EFA) e era  transmitida, via TEAMS,  para todos os formandos que não puderam estar presentes.

A sessão começou com um momento musical. As alunas Carolina Lopes, Juliana Mendes e Rita Martins interpretaram a canção “Oh, meu Pombal”. Como fui com 12 anos para a França e aos 15 para a Suíça e apenas regressei a Pombal em 2020, não conhecia esta canção. Transcrevo uma quadra que faz alusão às tradicionais festas do Bodo:

Vejo dali Pombal todo,

Cercadinho de olivais

Vejo as Festas do Bodo,

Música, fogo, arraiais

Seguidamente, o Dr. Nelson Pedrosa fez uma apresentação do castelo de Pombal com imagens antigas e fotografias mais recentes. Foi contando de forma entusiasmante a história do surgimento, decadência e reconstrução deste monumento. Foi uma apresentação enriquecedora que permitiu reviver a História rica da nossa cidade.

O Dr. Filipe Eusébio fez uma apresentação muito cativante da Casa Varela, nomeadamente as suas origens, utilização ao longo dos anos e a sua atual função. Foi muito bom ficar a saber que Pombal tem, neste momento, um espaço reservado a todos os artistas pombalenses, e não só, que queiram mostrar os seus trabalhos. Esta é, sem dúvida, uma forma de fixar no concelho de Pombal os artistas locais, evitando que eles tenham de se deslocar para mostrarem as suas criações artísticas. Deixou ainda um convite a todos os participantes para visitarem aquele espaço onde agora se pode apreciar a Arte. Fiquei muito curiosa e em breve espero lá ir.

Por fim, o Dr. Sérgio Marques apresentou o seu trabalho artístico enquanto ilustrador. Começou por fazer uma partilhar connosco seu percurso profissional referindo, que há poucos dias, terminou o seu trabalho de ilustração dos muros junto à rotunda do IC2 do Alto do Cabaço. Destacou as histórias que pretende contar, quer nesse mural, quer nas ilustrações das paragens do Pombus. Apresentou uma faceta muito entusiasmante do trabalho dos artistas que, como ele, querem contribuir para um maior bem-estar dos cidadãos. Sem dúvida que o seu trabalho dá muita vivacidade e cor ao ambiente da cidade. Eu já tinha reparado nas ilustrações das paragens do autocarro, mas não fazia ideia de quem era a autoria. Depois desta tertúlia já voltei a passar por algumas e a forma como as observei foi diferente, pois estava mais atenta.

Para terminar este momento, as alunas de conservatório de música David Sousa brindaram de novo o auditório com a melodiosa e bela canção sobre a cidade de Pombal.

Seguiu-se um momento de confraternização com os sabores tradicionais, nomeadamente das fogaças e dos beijinhos de Pombal, acompanhados por um reconfortante chá.

A Tertúlia “Oh, meu Pombal” proporcionou-me uma excelente oportunidade de convívio e partilha de aprendizagens dinâmicas, entre professores, palestrantes e formandos.

Donzília – Processo RVCC B3

 

Preparados para novas conquistas


Foi em março e julho do corrente ano que a Vitória e o Luís iniciaram a viagem pelo reconhecimento dos seus saberes e competências, aquiridos nos mais variados contextos das suas vidas.

Como qualquer viagem, nem sempre a velocidade foi constante: umas vezes com mais velocidade, outras vezes de forma mais branda, estes dois candidatos foram refletindo sobre a sua história de vida e contornando os obstáculos que se atravessavam no seu caminho, pois o destino era apenas um: a certificação de nível secunário.

Como disse Paulo Coelho, “o mundo está nas mãos daqueles que têm coragem de sonhar e correr o risco de viver os seus sonhos” e por isso,  desejamos que a certificação alcançada, seja o início de um percurso formativo carregado de novas conquistas e aprendizagens.

Patrícia Amado – Técnica de ORVC

Balanço do processo RVCC


O tempo é unidirecional, tal qual a vida.

Podemos compará-la a uma corrida. Uns correm mais velozmente, outros num ritmo mais lento, mas todos correm sem exceção. Não sabemos qual o destino final, mas todos estamos em movimento…

Realizar o processo RVCC foi como ir a correr ao lado de outros corredores, decidir respirar mais fundo e usar esta “alpondra” virtual para ganhar mais velocidade.

O facto de descolar do aglomerado de corredores, naquele compasso e ritmo constantes, deu-me uma perspetiva sobre o “mundo” de assistência que nos observa, e uma visão mais clarividente daquilo que temos pela frente.

No momento do arranque pensei se teria fôlego suficiente para aguentar a “arrancada”. Mas à medida que fui impulsionando os movimentos a confiança foi aumentando. Apesar dos desafios e da distância considerável, os aplausos do público bem como as palavras de incentivo , foram um tónico extra para não baixar o ritmo.

A estratégia estava definida. Estar focado, sem distrações. Mais, as orientações e sugestões dadas pelos treinadores também foram determinantes.

Correr segundo as regras e respeitar os tempos mínimos de cada volta, foram imprescindíveis em cumprir o objetivo final, cortar a meta.

À medida que corria as imagens mentais de atletas veteranos e campeões, dos quais li, ou visionei sua história quais exímios competidores, ajudaram a ter a energia suficiente para não desistir, a relevar a dor e o desconforto muscular e a dizer no final, Bravo!…

…a vitória foi de todos!

João Domingues – Candidato do processo RVCC de nível secundário

Objetivo alcançado: certificação de nível secundário


“Deus quer, o homem sonha, a obra nasce”. Foi este um dos lemas que conduziu o Processo RVCC dos três candidatos que prestaram prova de certificação de nível secundário, no dia de 22 de julho, uma vez que apesar das diferentes contrariedades que encontram ao longo destes meses de trabalho, o objetivo esteve sempre presente: alcançar a certificação de nível secundário.

É de destacar que em todos estes três percursos, a humildade, a boa disposição e a determinação foram ingredientes fundamentais para que as adversidades encontradas se transformassem em oportunidades de aprendizagem e crescimento pessoal.

A riqueza dos seus portefólios, a par da serenidade e confiança demonstradas  em prova de certificação espelham a legitimidade de que a Carolina, o Luís e o Pedro são merecedores da valorização das suas histórias de vida e dos seus saberes intrínsecos.

Parabéns aos três candidatos pela certificação alcançada e fazemos votos para o ensino secundário seja o primeiro registo para um interessante e profícuo percurso formativo, lembrando-se sempre de que o que interessa em qualquer trajeto, não é o ponto de partida, mas sim o ponto de chegada.

Patrícia Amado – Técnica de ORVC

Dar forma às emoções


O Origami tem etimologia japonesa e significa dobrar (ori) papel (kami). Foi com recurso a esta técnica milenar que os formandos do processo de RVCC de nível básico foram explorando, a distância e presencialmente, alguns conceitos de geometria. O desafio  era procurar materializar os sentimentos despertados pela leitura das obras “O velho que lia romances de amor” de luís Sepúlveda, “A maior flor do mundo” de José Saramago, “Caldo de pedra” de Teófilo Braga através de construções de papel elementares.

Numa transversalidade dos saberes, os candidatos foram orientados pelos formadores das áreas de matemática para a vida e de linguagem e comunicação para verbalizarem emoções despertadas pela leitura e para a sua representação rigorosa bi e tri dimensional através da arte da dobragem do papel.

Cristina Costa – Coordenadora do Centro Qualifica

 

A vida em metáforas


Cada pessoa que chega ao nosso Centro traz o novelo de uma História de Vida que, connosco, vai desfiando sessão após sessão. Com o desenrolar do Processo de RVCC, começamos a conhecer alguns dos palcos das suas vidas, nos quais foram o ator principal no desenvolvimento de competências. E é na sequência da díade equipa-candidato que vamos compreendendo como cada vida pode resumir-se numa metáfora.

No dia 02 de julho, com o respeito pelas regras às quais a situação pandémica atual nos obriga, decorreu uma sessão de júri de certificação presencial, que concedeu a um candidato o nível B2 e a duas candidatas o nível B3. Durante o processo houve um denominador comum a estes três candidatos: a transição do regime presencial para uma modalidade à distância. Foi, para todos, um dos mais significativos desafios, pois depararam-se com a necessidade de reajustar os seus tempos e os seus modos de vida a esta nova condição.

A todos, no final desta caminhada, foi colocada a questão: “se tivesse de resumir o processo numa imagem, qual seria?”. O candidato do Nível B2 disse-nos, com um sorriso, que se revê no espelho de um carro em andamento porque ao mesmo tempo que teve de olhar para o passado e para as suas experiências de vida, continua em movimento sem perder o sentido da sua viagem e do caminho que pretende seguir. A uma das candidatas o processo faz lembrar um livro porque construir o seu portefólio foi como viajar pela sua própria história de vida, virando uma página todos os dias. A outra candidata associou o processo a uma montanha. De facto, para chegar ao topo, sentiu necessidade de parar algumas vezes para respirar fundo e tomar fôlego. Os conhecimentos de TIC funcionaram como uma corda à qual se agarrou para não deixar resvalar esta oportunidade e continuar a escalada.

Acreditamos, como Equipa, que deste momento em diante ainda há muitas viagens e paisagens em movimento, muitas páginas para escrever e por mais agrestes que possam ser algumas montanhas, há sempre azul (luz) e verde (esperança) em redor e estas cores devem prevalecer, independentemente da altitude e das características morfológicas das cordilheiras da vida de cada candidato.

Isabel Moio – Técnica de ORVC

“O carteiro” de Pablo de Neruda e a descoberta da força das palavras


Descobri a obra “O Carteiro de Pablo de Neruda” no processo de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências.

No exílio, Pablo de Neruda estava ligado  à sua terra natal através das palavras recebia a cada semana dezenas de cartas que “choviam” de todo lado. As eternas apaixonadas pelo charmoso escritor, apesar de estar casado, enviavam mensagens a que ele educadamente correspondia, e elegantemente respondia. Como é natural, dava mais importância a umas do que a outras. Havia uma carta que ele esperava receber com muita expetativa. Da Suécia. Novidades sobre a quem iriam atribuir o prémio Nobel. Naquele ano, a concorrência era forte. No íntimo, Pablo sabia a chance que tinha perante os seus pares.

Quem fazia  “a ponte” entre os correios e a residência, era o carteiro, Mário.  Este respondera a um anúncio de pedido de funcionário por parte do telegrafista. Apesar de ser um trabalho mal remunerado, e de só ter um destinatário, um único, mesmo assim o rapaz aceitou de bom grado. Inconformado com a vida que a tradição da aldeia impunha, a pesca e  pelo pai que achava que aquela por ter sido a vida dele teria de ser a vida do rapaz, decidiu dar a pedrada no charco e contrariar a máxima de que filho de peixe sabe nadar. Rompeu com a tradição desejada e decidiu abrir novos horizontes. Encontrou a “alpondra” perfeita, o poeta. Com o tempo, com astúcia e inteligência, conseguiu “aproximar-se” de Pablo. Este começou por desconsiderá-lo, mas depressa percebeu o gosto que o carteiro tinha pela leitura e pela poesia.  Tinham algo em comum. Foi nesta interação que uma amizade começou a surgir. Mário começou a perceber a força das palavras e a deixar que o seu mestre  influenciasse e moldasse a sua forma de pensar.

A poesia e a leitura abriram-lhe as “portas do mundo”.  Na sua investida para tentar conquistar a bela Beatriz, algumas das frases apaixonadas que lhe dirigiu foram: “o teu sorriso espalha-se pelo teu rosto como uma borboleta”, “ o teu sorriso é como uma rosa”, “uma lança descoberta, é o bater das águas”, “o teu sorriso é uma onda prateada repentina”.

Mário, o carteiro, é um exemplo vivo de que a beleza interior, a riqueza de carácter e a sabedoria acumuladas, não se aprende nas escolas. Os títulos e cursos académicos, bem como novas descobertas científicas são muito importantes nas sociedades modernas. Sem isso, o sistema entrava em colapso. Mas qualquer um de nós, se por alguma razão ficou arredado desse reconhecimento dado pela sociedade, não fica arredado de “beber” da formação e crescimento contínuos que a vida lhe oferece. Mais, pode ser para os outros uma “fonte de água refrescante” sempre disponível para quem “de si quiser beber.

João Domigues – Candidato do processo de RVCC de nível secundário

Revisitar a obra de Orwell “1984” à luz do Referencial de nível secundário de Educação de Adultos


No dia 21 de janeiro 2020, demos início ao nosso projeto:  Leituras com Arte – Ler + Qualifica com a  exibição do filme  1984, baseado no romance de George Orwell (1949). Numa articulação com o Referencial de Competências-chave de nível secundário, pretendeu-se, proporcionar aos adultos em formação no nosso Agrupamento a aventura do encontro com os livros. Partilhamos hoje um dos resultados desta iniciativa que muito nos enche de orgulho. Propomos-lhe o revisitar da obra de Orwell pelos olhos do candidato do processo de RVCC, Jorge Ferreira.

“O romance “1984”, de George Orwell, publicado em 1949, do qual resultou um filme, marcou a minha adolescência a par das obras de Huxley e Kafka. Nele funde-se o regime ficção e a realidade dos totalitarismos europeus da altura.

Na obra, ninguém consegue escapar ao olhar constante do Big Brother, cuja imagem é difundida por toda a parte. Em Portugal, a figura de Salazar, tal como o Big Brother é o Grande Salvador da Pátria, uma espécie de figura epopeica, o único capaz de solucionar os problemas da nação fortemente hierarquizada, impondo desta forma, o culto ao líder.

Os regimes totalitários partilham um elemento comum na sua origem: uma grande crise económica. Nestes cenários caóticos, as figuras autoritárias são eleitas e acumulam todos os poderes, como única solução radical. O populismo ganha força, através de fomentação de ódios a determinadas categorias sociais e de um complexo sistema de propaganda, pensado para controlar a capacidade de questionamento. É anulada a liberdade de expressão, através de mecanismos de censura, a vida pública sofre uma enorme repressão e o acesso à educação fica reservado sobretudo às elites.

Em Portugal, entre 1945 e 1969, a Polícia Internacional de Defesa do Estado (PIDE), foi responsável por uma enorme repressão individual. Na obra de Orwell, podemos compará-la com a Polícia do Pensamento, perseguindo pessoas por denúncias, recorrendo à tortura como meio de obter informações, sendo também responsável por diversos assassinatos.

Tal como na obra de Orwell, em Portugal, a União Nacional, era o partido único, uma vez que a oposição era fortemente perseguida e reprimida. Este partido era também responsável por uma retórica violenta contra supostos “inimigos internos” que contribuem para a degradação moral da nação. Através da censura, tanto na esfera cultural, como no ensino, à semelhança da obra de Orwell, o Ministério encarregava-se de censurar a história, reescrevendo constantemente os factos do passado. Também o Estado Novo atribuía uma enorme importância à propaganda, criando em 26 de outubro de 1933, o SPN – Secretariado da Propaganda Nacional, com o intuito da divulgação do ideário nacionalista a na padronização da cultura e das artes do regime.”

Jorge Ferreira – Candidato do Processo RVCC de nível secundário