A vida coloca-nos, não raras vezes, perante momentos de dor, de perda e de incerteza. Muitas vezes perguntamo-nos qual o sentido quando todo esse cenário parece mais denso do que a esperança. A célebre questão (frequentemente retórica) “porquê?” ressoa inúmeras vezes na mente e no coração, sem deixar emergir uma resposta clara.
Na obra “O homem em busca de um sentido”, Viktor Frankl, psiquiatra austríaco, prova que a resposta não está em eliminar a dor, mas em encontrar uma razão para enfrentá-la. Esta obra subdivide-se em duas partes: na primeira, o autor, que sobreviveu aos campos de concentração de Auschwitz e Dachau durante a Segunda Guerra Mundial, relata a sua experiência (o sofrimento extremo e o desespero); na segunda, apresenta uma abordagem terapêutica, a logoterapia, assente na ideia de que a principal motivação do ser humano é a busca de sentido.
Viktor Frankl concluiu que quem tinha um “porquê” para viver conseguia suportar qualquer “como”. Esse sentido pode ser encontrado no trabalho significativo (assim como no voluntariado), no amor e nas relações humanas consistentes e profundas e até no sofrimento (uma vez que quando inevitável, pode ser transformado em crescimento pessoal).
Foi com inspiração nesta obra e nesta mensagem que a candidata proposta a certificação de Nível Secundário fez a sua apresentação no dia 02 de outubro de 2025, destacando ainda o campo de concentração de Auschwitz, transformado em Memorial e Museu no sentido de preservar e honrar a memória das vítimas. Tendo por base a Declaração Universal dos Direitos Humanos, referiu os principais direitos que foram violados nos campos de concentração, tais como o direito à igualdade e à dignidade, o direito à vida, à liberdade e segurança da pessoa, a proibição da tortura e tratamento cruel e o direito à liberdade de pensamento, consciência, religião, opinião e expressão.
A candidata concluiu a sua apresentação lendo um excerto da obra, destacando o sentimento de gratidão pelas suas experiências e referindo que o vazio existencial e a vitimização nascem quando o ser humano não encontra um propósito para a sua vida.
Isabel Moio -Técnica de ORVC
Sair da Caverna
As rotinas do dia a dia impõem-se muitas vezes sem darmos por ela, consumindo as nossas energias e remetendo-nos a um estado de “hibernação”. Em rápidos momentos de lucidez apercebemo-nos que nos fomos esquecendo dos nossos sonhos e projetos, embalados pelas obrigações e responsabilidades. No entanto, basta esta tomada de consciência para reunir coragem e lançar-se à exploração e descoberta. Foi esse o sentimento que trouxe A. à porta do nosso Centro e que a motivou a fazer o processo RVCC.
A própria acabaria por referir-se ao processo RVCC como o “Sair da Caverna”. Nesta viagem das entranhas da terra à liberdade, ela começou por avivar a brasa da curiosidade, que com um simples sopro se animou para alumiar novos caminhos. Guiada por esta nova luz, recordou que os livros são uma boa fonte de conhecimento e sem tardar começou a explorar a biblioteca. Ainda com os movimentos entorpecidos, foi treinando a escrita e a sua história foi surgindo, com altos e baixos, mas sempre muito para contar. Valorizava o apoio da equipa, mas soube percorrer muitos quilómetros sozinha, pois a ânsia de ver a luz do sol era mais forte.
Nesta aventura conheceu o “Gustavo Pedro Teixeira”, mais conhecido por GPT, um conversador nato, adepto do gerúndio, que a ajudava a organizar os seus textos. Foi preciso algum tempo e sinais de alerta para perceber que, apesar de este ser uma boa companhia, não podia acreditar em tudo o que ele dizia.
Por ter manifestado curiosidade pela ciência, foi-lhe proposta a apresentação[1] do livro “Os Limites da Ciência” de Jorge Calado para a sua sessão de júri, que decorreu a 29 de maio de 2025. Assim expos os tipos de limites da ciência, os internos, os científicos e os provisórios e explorou quatro condicionantes da ciência, que são a linguagem, a ética, a política e o dinheiro.
Agora que saiu efetivamente da caverna, tem pela frente um mundo de possibilidades para explorar.
[1] https://gamma.app/docs/Limites-da-Ciencia-wucnyxncj6istuq
Mikael Mendes – Tecnico de ORVC
Regresso ao Futuro
No filme “Regresso ao Futuro” de 1985, a personagem principal viaja até ao passado, acabando numa aventura para preservar o seu presente. Sem precisar de um DeLorean, o processo de construção do portefólio é quase como uma viagem pelo tempo e espaço, pois permite aos candidatos relembrar as suas experiências e por onde passaram. Esta viagem tem sempre um efeito positivo, mesmo quando se reconhece que haveria coisas a mudar. É com orgulho que os candidatos destacam as aprendizagens que foram realizando, os obstáculos que foram ultrapassando e as marcas que foram deixando. O passado mantem-se presente por fazer parte integrante da matriz de quem somos, mas somos muito mais do que a soma das nossas experiências.
Os candidatos que se apresentaram a júri de certificação no passado dia um de junho são exemplos disso mesmo. Com personalidades muito diferentes, cada um expandiu horizontes a cada viagem e com cada vivência. Retiram dos respetivos processos RVCC o máximo de aprendizagens, confiando um pouco mais nas suas capacidades, tal como o pássaro que não teme pousar num galho mais frágil, por confiar na força das suas asas.
Mikael Mendes – Técnico de ORVC