E se amanhã não pudéssemos? – 50 anos da Constituição da República Portuguesa


Um acontecimento, dois olhares

Uma mesma atividade pode ser vivida e recordada de diferentes formas, consoante a perspetiva de quem nela participa. No âmbito do SMAL – Setembro, Mês da Alfabetização e das Literacias, a atividade «E se amanhã não pudéssemos?», dedicada à celebração dos 50 anos da Constituição da República Portuguesa, deu origem a dois textos que, partindo da mesma experiência, revelam olhares distintos e complementares sobre os momentos vividos, as aprendizagens realizadas e o significado da iniciativa.

O texto que se segue apresenta a perspetiva dos candidatos do processo de RVCC, dando voz às suas experiências, reflexões e aprendizagens.

E se amanhã não pudéssemos? – 50 anos da Constituição da República Portuguesa

Integrada na iniciativa SMAL – Setembro, Mês da Alfabetização e das Literacias, a atividade decorreu no dia 30 de setembro, na Biblioteca da Escola Secundária de Pombal, onde nos juntámos aos formandos do curso EFA, respondendo ao convite do Centro Qualifica para celebrar os 50 anos da Constituição da República Portuguesa.

A atividade começou com uma abordagem simbólica às restrições impostas durante o Estado Novo: à entrada, todas as convidadas foram questionadas sobre se tinham autorização para participar.

Já no interior, a penumbra da biblioteca evocava a falta de liberdade de expressão e a censura que marcaram a época. A imprensa era controlada pelo regime, que impedia a divulgação de informações e opiniões contrárias à sua ideologia. Muitos eram os livros proibidos e um grande número de portugueses emigraram, uns para fugir à Guerra Colonial e ao serviço militar, outros para escapar às dificuldades económicas.

Esta viagem pela História de Portugal, desde o Estado Novo até à Revolução de 25 de Abril de 1974, ganhou vida através das encenações de alguns de nós e dos formandos do curso EFA. Foram recordadas figuras e situações marcantes, como Celeste Caeiro, que ofereceu cravos aos soldados, contribuindo para que esta flor se tornasse um dos símbolos mais conhecidos da Revolução. Foi também representada a intervenção de um elemento da PIDE, que procurava impedir os ajuntamentos, ilustrando a vigilância e a repressão exercidas pelo regime.

A palavra e a música tiveram igualmente um lugar de destaque, com a declamação de poemas de Sophia de Mello Breyner Andresen, a apresentação de quadras originais criadas pelos formandos sobre as dificuldades e a falta de liberdade vividas durante o Estado Novo e a interpretação de canções pelo professor bibliotecário, João Silvano, que evocaram os ideais do 25 de Abril.

Estas diferentes expressões permitiram contrastar a realidade da ditadura com as conquistas da democracia, alcançadas após a Revolução, na qual se destacou a ação de militares como Salgueiro Maia.

Entre as principais transformações ocorridas em Portugal, salientam-se:

  • O pluralismo político;
  • O alargamento do acesso à educação;
  • A consolidação do sufrágio universal;
  • O fim da Guerra Colonial;
  • A criação do Serviço Nacional de Saúde (SNS), em 1979;
  • O reconhecimento da liberdade de associação;
  • A consagração da liberdade de expressão.

De seguida, refletimos sobre a importância da Constituição da República Portuguesa, aprovada pela Assembleia Constituinte em 2 de abril de 1976 e em vigor desde 25 de abril desse ano. Tivemos oportunidade de observar uma “réplica” da sua primeira edição, contactando de perto com um documento fundamental para a organização do Estado e a garantia dos direitos e das liberdades dos cidadãos.

Um de nós, o Sr. Arlindo que curiosamente celebra o seu aniversário no dia 25 de abril, partilhou a suas motivações para a conclusão do ensino secundário ecxercenddo assim o seu direito à educação e, em grupo, analisámos dois artigos que considerámos particularmente relevantes.

Artigo 64.º – Saúde

  1. Todos têm direito à proteção da saúde e o dever de a defender e promover.
  2. O direito à proteção da saúde é realizado:
  3. a) Através de um serviço nacional de saúde universal e geral e, tendo em conta as condições económicas e sociais dos cidadãos, tendencialmente gratuito; (…)

António Arnaut, reconhecido como uma das figuras fundamentais na criação do Serviço Nacional de Saúde, defendeu o acesso aos cuidados de saúde para todos, independentemente da condição económica. A criação do SNS, em 1979, representou um passo fundamental na concretização deste direito e no alargamento do acesso aos cuidados de saúde pela população portuguesa.

Artigo 37.º – Liberdade de expressão e informação

  1. Todos têm o direito de exprimir e divulgar livremente o seu pensamento pela palavra, pela imagem ou por qualquer outro meio, bem como o direito de informar, de se informar e de ser informados, sem impedimentos nem discriminações.
  2. O exercício destes direitos não pode ser impedido ou limitado por qualquer tipo ou forma de censura. (…)

Depois de décadas de censura, a liberdade de expressão e de informação tornou-se uma das conquistas fundamentais da democracia. Hoje, perante a enorme quantidade de informação que circula na Internet, importa exercer este direito com responsabilidade, verificando a credibilidade das fontes antes de partilhar conteúdos e evitando a propagação de notícias falsas.

A sessão terminou com três palavras-chave: Ler – Compreender – Participar.

Refletimos sobre a origem da palavra democracia, formada a partir dos termos gregos dêmos («povo») e krátos («poder»). Ao contrário dos regimes autocráticos, a democracia permite aos cidadãos escolher, através do voto, quem os governa e participar nas decisões que influenciam a vida em sociedade.

Para exercermos plenamente a nossa cidadania, precisamos de nos manter informados, compreender o que nos rodeia e participar de forma consciente e responsável. Somos cidadãos, temos direitos e também deveres. Conhecer e respeitar as leis, assumir as nossas responsabilidades e contribuir para a vida coletiva são formas de defender a democracia e de a construir todos os dias. Importa, por isso, recordar que a ignorância da lei não justifica o seu incumprimento.

Esta atividade permitiu-nos revisitar a História, compreender melhor os direitos consagrados na Constituição e reconhecer a importância da leitura crítica da informação para uma participação cívica consciente. Afinal, ler, compreender e participar são passos essenciais para exercer a cidadania e preservar a democracia.

Sandra, Isabel, Elsa, Yara, Arlindo, Lucinda, Elias, Raimundo, Élio, Eliane – Candidatos do processo de RVCC

 

E se amanhã não pudéssemos?


No âmbito da SMAL 2026 – Semana/Mês da Alfabetização e das Literacias, no dia 30 de setembro, às 20h00, na BE da Escola Secundária de Pombal, o Centro Qualifica do Agrupamento de Escolas de Pombal, em parceria com a Biblioteca Escolar da Escola Secundária de Pombal promove a atividade “E se amanhã não pudéssemos?”, dedicada aos 50 anos da Constituição da República Portuguesa.

Num momento em que celebramos cinco décadas de democracia constitucional, propomos uma reflexão sobre o valor da liberdade, da participação, dos direitos e dos deveres, mas também sobre a importância de saber ler, compreender e interpretar o mundo que nos rodeia.

E se amanhã não pudéssemos escolher, expressar a nossa opinião, participar ou ter acesso à informação?

Partindo desta pergunta, iremos revisitar conquistas que hoje fazem parte do nosso quotidiano e refletir sobre a importância de as conhecer e valorizar.

Junte-se a nós!

Cristina Costa – Coordenadora do Centro Qualifica

Uma viagem à Índia através do olhar de Luís Vaz de Camões


No âmbito da iniciativa SMAL – Setembro, mês da Alfabetização e das Literacias , decorreu na segunda-feira, dia 30 de setembro, na Biblioteca da Escola Secundária de Pombal, a atividade “Viagem com Vasco da Gama à Índia” com os formandos do curso EFA e do  RVCC, que embarcaram numa viagem literária, através da epopeia de Luís de Camões.

Ao som de “The conquest of Paradise” de Vangelis, banda sonora propícia à aventura pelos mares, num cenário de caravelas e mapas, iluminados pela luz de velas, iniciámos a viagem proposta pelo Centro Qualifica numa articulação com os  professores bibliotecários Fernanda Gomes e João Silvano.

No ato do embarque,  foram apresentados os intervenientes: o  Adamastor, representante das forças da natureza,;a singela Dona Inês de Castro e o rei Dom Pedro; os poderosos deuses Júpiter, Vénus e Baco e o nosso herói, o navegador Vasco da Gama.

Foi uma viagem pelos cantos de “Os Lusíadas”. Em grupo, os formandos foram convidados a criar um diário de bordo onde se registaram, não só os maiores acontecimentos da epopeia, mas também os sentimentos e valores presentes em alguns  episódios da epopeia, desde o bravo “ Adamastor”, ao romance “Pedro e Inês”, à violenta “ Tempestade”, à defesa dos corajosos portugueses por Júpiter no “Consílio dos Deuses” até à recompensa da bravura dos navegadores na “ Ilha dos Amores”.

A colaboração entre todos os presentes foi uma mais valia para a consolidação do conhecimento sobre a obra “Os Lusíadas” e resultou um Padlet “Viagem com Vasco da Gama à Índia”.

A sessão foi ainda abrilhantada por momentos musicais da lírica camoniana como “Verdes são os campos”,  a “Nau Catrineta” de Almeida Garret e ainda um pequeno excerto da Ode Marítima, “Ter Audácia” de Álvaro de Campos. Estes momentos musicais foram proporcionados pelo professor João Silvano, acompanhado da sua guitarra.

Foi uma experiência  enriquecedora no âmbito da comemoração dos 500 anos do nascimento do grande poeta Luís Vaz de Camões.

 

Os formandos do curso  EFA NS

Viagem com Vasco da Gama à Índia – SMAL


É com grande prazer que vos convidamos a embarcar numa fascinante jornada literária e musical, inspirada na épica viagem de Vasco da Gama à Índia.

Preparem-se para vivenciar as experiências dos marinheiros a bordo da caravela São Gabriel! Mergulhem nas emoções, desafios e descobertas que estes bravos navegadores enfrentaram durante a viagem, desde as tempestades do Atlântico até os encontros com novas culturas em terras distantes.

 

Data: 30 de setembro

Hora: 20:00 horas

Local: Biblioteca Escolar da Escola Secundária de Pombal

 

 

SMAL “O Meu Nome Faz História”


Nos dias 27 e 28 de setembro 2023, participámos na iniciativa SMAL – Setembro Mês da Alfabetização e das Literacias – “O meu nome faz história”, dinamizada pelo Centro Qualifica em parceria com a Biblioteca Escolar da Escola Secundária de Pombal e o Projeto Cultural da Escola.

No dia 27 de setembro, estivemos na Biblioteca – “o coração da Escola”, nas palavras da coordenadora do Centro Qualifica e, depois das boas vindas da professora bibliotecária,  iniciou.se a noite com o poema “Março” de Alice Neto de Sousa. Este foi o mote para a reflexão sobre a vivência dos portugueses em tempo de ditadura e no pós-Revolução do 25 de Abril 1974. Com a colaboração de todos, procurou-se o sentido do poema e orientados pela metáfora “Chuvas de março”, numa pequena tarefa de grupo, fomos convidados a elaborar um breve registo biográfico de vários nomes marcantes ligados ao 25 de Abril e à democracia, com destaque para Manuel Alegre, Salgueiro Maia, Sophia de Mello Breyner Andresen, Zeca Afonso, Carolina Beatriz Ângelo, Natália Correia e Maria Antónia Palla. Seguidamente, procedeu-se a uma partilha das informações recolhidas e foram colocad0s os rostos das personalidades, referidas anteriormente, no “Friso Cronológico da Revolução”.

No dia 28 de setembro, no Auditório da Escola e inspirados no verso “Grafitar Liberdade”, demos continuidade à atividade. Ao som da Garota Não, ouvimos a “Canção a Zé Mário Branco”. Com recurso ao Mentimeter, fomos desafiados a identificar as palavras mais marcantes da canção, sobressaindo a palavra “Liberdade”. E chegou a vez do convidado da noite, um artista local, João Ribeiro, que através da técnica do grafiti, tem deixado registos da nossa identidade em várias paredes do nosso concelho. Depois de um enquadramento do conceito de arte urbana com referência aos artistas Vhils, Bordalo II, Eduardo Kobra, Bansky, relatou-nos o seu percurso pela Escola Secundária de Pombal e de nível superior, as técnicas utilizadas, o começo aos 14 anos no mundo do grafiti. De marcante, foi a exposição “Identidade” na casa Varela, Pombal, com obras que resultaram de uma viagem a Berlim e Amsterdão onde recolheu cartazes com os quais compôs narrativas visuais. A arte urbana é para João Ribeiro a possibilidade de se expressar livremente embora não se enquadre nos movimentos “românticos” retomando a sua expressão, de transgressão e contracultura.

Resumindo, nestes dois dias tivemos a oportunidade de conhecer o que foi a Revolução de 25 de Abril de 1974, que pôs fim ao regime ditatorial do Estado-Novo, através de um golpe de Estado militar e que foi um marco da nossa história. Ficámos a conhecer nomes  marcantes na luta contra a ditadura e o seu contributo para a Revolução. Esta atividade foi também um encontro com representantes da geração atual, que através da poesia ( Alice Neto), música (Garota não) e do grafiti (João Bribeiro), beneficia da conquista de Abril que é a liberdade de expressão e não deixa de denunciar o que falta cumprir.

Os Formandos do curso EFA – Nível Secundário

 

Origami no SMAL


O meu nome é F. vim ao Centro Qualifica para melhorar os meus conhecimentos, reconhecer e validar as competências que fui adquirindo ao longo da minha vida e assim obter a minha certificação do nível básico. Este processo de RVCC permitirá uma melhor integração no mundo do trabalho.

Iniciei o processo em setembro, mês da alfabetização e das literacias (SMAL). Este ano, as atividades propostas são alusivas ao 25 de abril 1974 e, por esse motivo, no âmbito da área de competência chave MCT (Matemática Ciências e Tecnologia) construi um cravo em origami para explorar figuras geométricas e calcular áreas e perímetros de polígonos. O cravo vermelho simboliza, na maioria das culturas mundiais, liberdade e vitória. Em Portugal é um dos símbolos da Revolução de Abril.

Foi com entusiasmo que realizei esta atividade de exploração de figuras geométricas e ao mesmo tempo de aprofundamento da história de Portugal.

F – Candidata do Processo de RVCC- B3

SMAL – Setembro Mês da Literacia e da Alfabetização


O Centro Qualifica do Agrupamento de Escolas de Pombal aderiu à iniciativa SMAL numa atividade conjunta com  a BE da ESP e o Projeto Cultural da Escola.

Junte-se a nós nos dias 27 e 28 de setembro

O MEU NOME FAZ HISTÓRIA
Inspirado no poema “Março”, de Alice Neto de Sousa

27 de setembro – 20:00h
BE da escola Secundária de Pombal

“Chuvas de março”
– Exploração de narrativas de figuras chave da democracia em Portugal
– Construção de friso cronológico

“As pétalas que me mancham”
– Escrita criativa

28 de setembro – 20:00h
Auditório Gabriela Coelho
“Grafitar liberdade”
– Encontro com João Ribeiro

 

 

Cristina Costa – Coordenadora do Centro Qualifica

Ateliers: LiteraciArte e Matemática e O meu nome faz história


Aderindo à iniciativa SMAL – Setembro Mês da Alfabetização e das Literacias , propomos dois ateliers para,  de forma lúdica, desenvolver competências de Leitura,  Escrita e Matemática.

A ação destina-se preferencialmente aos candidatos do processo de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências e inscreve-se no Referencial de Competências de nível Básico, mas alargamos o convite a toda a comunidade educativa para os desafios da arte do Tangram, do Origami e uma leitura animada de um dos contos de “Os bichos” de Miguel Torga.

Cristina Costa – Coordenadora do Centro Qualifica