A Ambivalência


A ambivalência é uma propriedade característica inerente ao ser humano e a muitas das suas criações. A internet não é exceção, se por um lado facilitou o acesso à informação e aproximou as realidades, tornando ainda mais “pequena” a aldeia global em que vivemos. Por outro lado o espaço virtual é profícuo em posições radicalizadas ou demasiado egocêntricas. A responsabilidade nunca será impotável à ferramenta em si, mas ao uso que cada um decide fazer da mesma. A educação é a estratégia mais importante para combater as desigualdades e aproximar os povos, assegurando o acesso ao conhecimento e o desenvolvimento de novas competências.

De certa forma estes temas foram abordados por duas candidatas na sessão de júri de certificação de nível secundário que teve lugar no dia vinte de junho de 2025. A primeira apresentação[1] foi inspirada pela obra “No Enxame”, da autoria de Byung-Chul Han.

Começou por referir o impacto que a era digital teve em conceitos como o respeito, o nome e o tempo. Mencionou as ondas de indignação para destacar, destacando o egocentrismo, o imediatismo e o isolamento que impera na era digital.  Explorou ainda o impacto da internet ao nível da transmissão da informação. Lembrou-nos que a liberdade em que vivemos é apenas aparente, pois somos pressionados a estar cada vez mais online, o trabalho invade a vida pessoa, há um foco na métrica digital (e.g. número de gostos e partilhas) e um culto pela imagem manipulada. Mencionou de que forma o cidadão ativo se tem tornado um comprador passivo, mesmo em questões políticas, concluindo com uma reflexão sobre a evolução do poder que atualmente é determinado pelos Big Data e pelo controlo de variáveis internas dos indivíduos.

A segunda apresentação[2] inspirou-se no livro “Eu Sou Malala” de Malala Yousafzai. Malala é uma figura muito importante na luta pelo direito a educação das raparigas, cuja história começou no Paquistão, mas que rapidamente chegou ao resto do mundo através do seu discurso na ONU. A candidata abordou os contributos de Malala para o combate às desigualdades de género e a defesa do direito à educação, dois dos dezassete Objetivos para o Desenvolvimento Sustentável (ODS). Analisando o índice de igualdade de género, medido pela União Europeia, enfatizou que em Portugal tem-se assistido a uma evolução positiva entre 2013 e 2024, principalmente na distribuição de tarefas domésticas em casa e no acesso a cargos de poder, mas que ainda há muito a fazer.

[1] https://gamma.app/docs/No-Enxame-Digital-jaqxj32vq8183t2

[2] https://gamma.app/docs/Malala-A-luta-pelo-direito-a-educacao-n4wg9z0hji808u4

Mikael Mendes – Técnico de ORVc