No processo RVCC, tive a oportunidade de visionar o filme “1984”, uma adaptação cinematográfica do livro Mil Novecentos e Oitenta e Quatro (no original, Nineteen Eighty-Four), romance distópico da autoria do escritor britânico George Orwell, publicado em 1949.
São inevitáveis as semelhanças entre o regime do romance “1984” e o regime nazista de Adolf Hitler (Alemanha 1934-1945). Por exemplo, tal como na Alemanha nazista, em que genericamente os judeus eram culpados de todos os problemas sociais e económicos, no filme, Goldstein é o inimigo do partido e, como tal, inimigo de toda a população.
Essas semelhanças são também transversais aos regimes fascistas, que vigoram ou vigoraram na Europa à data da publicação do romance (1949), tais como o de Benito Mussolini (Itália 1925-1943), de António Oliveira Salazar (Portugal 1933-1974), e Francisco Franco (Espanha 1938-1973). Do meu ponto de vista, este romance critica todos os regimes totalitários que sejam contra o livre arbítrio e liberdade de expressão, ou seja, que sejam uma ameaça à Democracia.
Creio que não será despiciente dizer que a inspiração para o personagem Big Brother, vem de Adolf Hitler:Lançado a 10 de outubro de 1984, sob a direção de Michael Radford, tem como intérpretes nos papeis principais John Hurt (Winston Smith), Suzanna Hamilton (Julia) e Richard Burton (O’Brien). Rodado em Londres e arredores, entre abril e junho de 1984, exatamente nos meses e locais imaginados por George Orwell, tenta ser uma adaptação fiel do livro, captando o ambiente, tanto a nível físico como psicológico, imaginado pelo autor do romance.
A ação desenrola-se no ano futuro de 1984, ficcionando uma Inglaterra futura chamada Oceânia, uma das três partes em que se divide este mundo que se encontra em estado de guerra perpétua. Esta sociedade vive subjugada à tirania ostensiva e omnipresente do Big Brother (Grande Irmão), líder do partido governante Ingsoc, acrónimo de English Socialist Party (Partido Socialista Inglês). Apesar de nunca ter sido visto pessoalmente, tem um olhar inquisitivo e punidor, um farto bigode preto e um rosto que inunda as telescreens, uma espécie de televisor bidirecional com que vigia constantemente a população.
O individualismo e a Liberdade de expressão são punidos como “crime de pensamento”, aplicada pela “Polícia do Pensamento”, que é controlada pela elite privilegiada do Partido Interno, uma fação do Partido Ingsoc. A própria linguagem é controlada pelo governo, através da publicação do dicionário Novilígua, tornando a sociedade inexpressiva e submissa.
“Quem controla o passado controla o futuro. Quem controla o presente controla o passado.”
A ação centra-se na personagem de Winston Smith, um humilde funcionário do Partido Exterior, outra fação do Partido Ingsoc, que trabalha no Ministério da Verdade. Este é responsável por reescrever a história e, o que não pode ser reescrito, é destruído de modo a apoiar a ideologia e a propaganda do regime.
“Guerra é Paz. Liberdade é Escravidão. Ignorância é Força.”
Apesar de ser um trabalhador diligente, Winston Smith começa a aperceber-se que a sociedade não está bem, não existe qualquer tipo de liberdade de expressão e livre-arbítrio. Escondido do olhar atento do Big Brother, vai anotando num diário secreto estes seus pensamentos.
Ao aproximar-se de Julia, que tem o mesmo espírito contestatário, o amor desenvolve-se entre ambos e um perigoso caso clandestino começa. O casal ilícito rapidamente é descoberto e têm que pagar pelo seu crime contra o estado. Presos e torturados, não resistem.
“Liberdade é a liberdade de dizer que dois mais dois são quatro”
Torturado por O’Brien, Winston Smith é forçado a acreditar que tudo o que ele percebeu sobre as mentiras contadas pelo partido, eram apenas coisas criadas por ele mesmo. Ele tem que acreditar naquilo que o partido diz e que, dois mais dois são cinco, se o partido assim o disser.
Luis Vilhena – Candidato do Processo RVCC – NS
Na semana em que a primavera renovou mais um dos seus ciclos, trazendo no dorso o rebentar da folha, as dos portefólios dos dois candidatos que no dia 23 de março concluíram o nível B3 (9.º ano) por via do processo de RVCC, também os desabrocharam.
Se durante as sessões – em que trilharam um caminho tão significativo de valorização de saberes previamente adquiridos como de autodescoberta e autoconfiança – os ganhos foram visíveis aos olhos dos próprios, não menos relevantes foram os momentos que fizeram a sessão de júri de certificação acontecer.
Qualquer fruto, para ser colhido no auge do seu desenvolvimento, passa por uma sequência de etapas que contribuem para que ganhe forma e identidade. Do mesmo modo, para que estes candidatos pudessem saborear, neste dia, o resultado das horas de construção de uma história de vida à qual nunca se haviam dedicado sob a forma escrita, das horas de formação complementar e de uma lente diferente com a qual olharam para si e que os ajudou a reencontrarem-se, foi necessário um processo de meses para crescimento e maturação. No entanto, estamos cientes de que este saber esperar para fazer acontecer trouxe a estes candidatos o rebentar de uma folha.
Isabel Moio – Técnica de ORVC
No dia 25 de março de 2023 decorreu, no Teatro-Cine de Pombal, a II Conferência Happy Schools em Portugal, onde foi possível compreender o caminho tendente no nosso país para a aferição da opinião de professores, alunos e encarregados de educação no que respeita à felicidade organizacional no contexto específico da educação.
Este tema afigura-se premente se pensarmos que as escolas são espaços vivos e dinâmicos, onde o coletivo tem um peso importante e a matéria-prima mais rica são precisamente as pessoas.
A educação integral vai ao encontro das evidências do mundo contemporâneo, estimulando o valor do conhecimento e a sua aplicação no dia-a-dia. No entanto, dentro desta gramática transformacional há que ter em conta a heterogeneidade, as respostas flexíveis e singulares, os espaços e os tempos em que a aprendizagem ocorre, a curiosidade, a voz dos vários agentes e o sentimento de pertença. Também na Educação e Formação de Adultos este deve ser o apanágio, pois apenas promovendo a autodescoberta e o autoconhecimento dos candidatos durante a fase de orientação e, posteriormente, de forma mais aprofundada durante o processo de reconhecimento de competências, poderemos contribuir para que quem entra pela porta do Centro Qualifica possa sair mais qualificado e com esperança num “amanhã” mais feliz.
Isabel Moio – Técnica de ORVC
No passado dia 16 de março, os candidatos do processo RVCC juntaram-se aos formandos do Curso EFA para assistir a uma sessão de esclarecimento: ”Riscos e dependências no século XXI: ciberbullying e violência no namoro”, dinamizada pela assistente social, Sandrina Mota, a psicóloga, Daniella Gonçalves do projeto “Quebrar Silêncios” da Associação APEPI (Associação de Pais e Educadores para a Infância) e ainda a agente da PSP, Célia da Escola Segura.
Foram abordados os temas da violência nas relações “amorosas” independentemente do tipo ou grau da relação, mas também o acosso digital (ciberbullying).
No tempo dos meus falecidos avós, a violência doméstica era algo banal e considerado mesmo de “necessário”. Todos temos conhecimento dos ditados ou provérbios que hoje chegam a ser ofensivos: “Entre marido e mulher não se mete a colher”, “Quem vive no convento é que sabe o que se passa dentro”.
Com as alterações ao código Penal, introduzidas pela Lei nº 7/2000, de 27 de maio, o crime de maus tratos passou a assumir a natureza de crime público, o que significa que o procedimento criminal não está dependente de queixa por parte da vítima, bastando uma denúncia ou o conhecimento do crime, para que o Ministério Público promova o processo. Tal situação confere ao cidadão comum a “obrigatoriedade moral” de denunciar
A violência é sempre um ato condenável, tanto pela lei, como perante os olhos do cidadão comum. Sendo doméstica, por norma, é menos conhecida de todos, e desta forma, torna-se ainda mais grave e perigosa. Quando alguém decide denunciar ou reportar às autoridades, aquilo que se passa dentro do seu relacionamento, fá-lo já depois de muito sofrimento. É um último grito de pedido de ajuda.
A violência pode ser exercida de diversas formas sobre o outro. Vai desde a violência verbal, com agressões esporádicas ou constantes, à violência física através de maus tratos corporais visíveis ou não, ao controlo de liberdades pessoais como o controlo do telefone, amizades e até mesmo circulação.
Em 2013, ficou também incluído no Código Penal, a Violência no Namoro como crime de Violência Doméstica e todos os presentes na sessão de sensibilização foram conduzidos para uma reflexão sobre o tema do acosso digital (ciberbullying), largamente infundido, especialmente nos mais jovens, nomeadamente através de fotografias intimas de cada um (nudes), tiradas enquanto durou a relação, e usadas como chantagem com o fim da relação.
Em Portugal, existem vários organismos que proporcionam auxílio, informações, sobre apoios úteis a todas as vitimas de violência independentemente da idade, sexo , orientação sexual, religião ou estatuto social. Temos, por exemplo, o Gabinete de Apoio à Vitima de Violência (GAVV), Apoio à Vitima (APAV), Gabinete de Apoio às Vitimas de Violência de Pombal. Existem ainda alguns números de telefone que podem ser de utilidade pública: Linha de Emergência Social – 144 (gratuito), Linha de Informação às Vitimas – 800202148 (gratuito) e mais na zona de Pombal – GNR – 236212011 – PSP – 236210190.
É tempo de eliminar definitivamente do nosso quotidiano, palavras como: Violência Doméstica, mas também Machismo; Feminismo uma vez que desde que nascemos, os direitos e deveres entre pessoas são equânimes.
Esta sessão foi uma oportunidade de clarificar conceitos e de tomada de consciência dos meus direitos, mas também deveres para com o outro. Posso e devo alertar as autoridades competentes quando o bem estar físico ou psicológico de um vizinho está em risco. Devo passar a palavra.
João Ribeiro – Candidato do processo de RVCC de NS
Conhece os seus direitos enquanto consumidor? Sabe quais são os direitos dos consumidores que estão contemplados na Constituição e na Lei em Portugal? Sabe como pode tomar as melhores decisões em termos de consumo?
Estas e outras questões serão alvo de debate no webinar “Os direitos do Consumidor em Portugal”, a realizar no dia 23 de março, às 19h, por Zoom.
Este webinar está inserido nas comemorações do Dia Mundial dos Direitos do Consumidor (15 de março) e é promovido pelo Município de Ansião e pelo Centro Local de Aprendizagem da Universidade Aberta em Ansião, com o apoio da AEDA – Associação Empresarial de Ansião.
A abertura está a cargo de Cristina Bernardino – do Pelouro do Apoio ao Munícipe e Defesa do Consumidor do Município de Ansião.
As intervenções serão asseguradas por Mário Negas, da Universidade Aberta, que irá abordar o tema “A importância da educação e literacia do consumo”, e por Ana Catarina Fonseca, da Direção Geral do Consumidor do Ministério da Economia e do Mar, que irá falar sobre “ Os direitos do consumidor em Portugal”.
Hugo Bairrada, da Associação Empresarial de Ansião, fará a moderação do debate.
A inscrição é gratuita, mas obrigatória por meio do link https://forms.gle/nS5Aea7Aq6EWpgjz5
Dúnia Palricas
Coordenadora do CLAde Ansião da Universidade Aberta
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O Centro Qualifica do Agrupamento de Escolas de Pombal realizará um workshop – Tecnologia nas atividades de MCT no próximo dia 23/02/2023, das 16:30 às 18:30, na BE da Escola Secundária e dinamizada pelo professor Pedro Almeida.
Este encontro de formação destina-se preferencialmente aos formadores de MCT e coordenadores ou técnicos de ORVC ou ainda professores de Matemática que se queiram juntar a nós. Pretende ser um espaço de exploração das ferramentas Polypad, Geogebra e Google Earth na resolução de situações de vida dos candidatos do processo de RVCC, mas também uma oportunidade de encontro e de partilha de experiências.
Quem puder juntar-se a nós, deverá proceder à sua inscrição aqui.
A M. veio bater-nos à porta poucas semanas depois de chegar a Portugal. Vinha de um país onde construiu a sua vida e a sua família, mas onde a instabilidade e a insegurança política não lhe permitiam sonhar e, muito menos, colher frutos.
Com o castelhano a circular-lhe nas veias, pretendia melhorar não apenas a sua proficiência na língua portuguesa, como também aumentar as suas qualificações escolares para que o mundo laboral lhe fosse mais generoso.
Assim que foi convidada a traduzir numa imagem o que representava, para si, o processo de RVCC, respondeu prontamente que era como uma árvore em que cada folha significava uma experiência da sua vida. Desde então, todo o seu portefólio foi construído à luz do ciclo de vida de uma árvore, começando pela germinação (metáfora do seu nascimento), pelas flores e perfume que exalam (os seus tempos de menina a mulher e os seus momentos de lazer), pelos frutos (resultantes do seu casamento, com o nascimento dos filhos), pela mudança da folha ao decidir vir, definitivamente, para Portugal, e pelas sementes, em sonhos e projetos transformadas.
O processo de RVCC da M. foi especial. Especial porque se mais cedo não o terminou foi por ser uma pessoa que semeia oportunidades e não confia que elas lhe apareçam, como um dado garantido, nas suas mãos. Precisamente por isso, a reinserção no mercado de trabalho afigurou-se uma prioridade. Foi especial porque a M. de cada oportunidade extrai uma essência, habilidade que não está ao alcance de qualquer pessoa. Mas foi também especial para a equipa do Centro, que viu no perfil da M. o espelho do RVCC: pessoas que a vida tirou precocemente dos bancos da escola, provando que é lá fora, nos vários ciclos, vi(r)agens e mudanças que tanto se aprende e conquista.
Isabel Moio – Técnica de ORVC
Nos momentos finais do processo de RVCC os olhares brilham e os sorrisos tímidos ganham um vigor que mistura tranquilidade, esperança e orgulho. Para trás, mas não esquecido, fica o suor e o sacrifício. A conciliação, nem sempre suave, das responsabilidades familiares como pais, mães e cuidadores com as sessões do processo de RVCC que, embora se paute pela flexibilidade, também requer compromisso, presença e trabalho.
Porém, falta o exercício final: resumir a vida e o que significou, nela, o processo de RVCC para daí emergir o título do portefólio parece uma tarefa simples, mas afigura-se um desafio.
‒ Sinto-me feliz porque consegui chegar aqui! Serve?
‒ É um ponto de partida… Agora, que imagem lhe sugere?
‒ Não tenho ideias, só sei que dei o melhor de mim!
Eis, “O melhor de mim”. Sabemos que, tal como a fadista Mariza canta, “hoje a semente que dorme na terra e que se esconde no escuro que encerra… amanhã nascerá uma flor”. Também compreendemos que existem dias mais escuros, mas é importante ter presente a semente que cada candidato é. E foi com esta mensagem que terminou a sessão de júri de certificação do dia 4 de janeiro de 2023.
Isabel Moio – Técnica de ORVC