A perceção da realidade tem sido profundamente afetada pelo desenvolvimento tecnológico, sobretudo com o surgimento da internet e a massificação das redes sociais. Num mundo permanentemente interligado, os dados fluem a alta velocidade, permitindo o acesso, em meros segundos, a relatos de acontecimentos do outro lado do planeta. Apesar de este fluxo de informação parecer anunciar a chegada da chamada Era do Conhecimento, rapidamente percebemos que tal poderá não passar de uma ilusão.
Pelas mesmas vias circulam tanto factos comprovados como mentiras fabricadas, sendo a linha que os separa cada vez mais ténue. A desinformação, por si só, já constitui um perigo, porém, quando é instrumentalizada para mobilizar massas com fins nefastos, as consequências podem ser devastadoras.
Foi este o alerta que a candidata ao processo RVCC de nível secundário nos trouxe no dia 19 de março de 2026, através de uma apresentação[1] baseada no livro “Protocolo Caos”, de José Rodrigues dos Santos.
A candidata iniciou a sua exposição com a apresentação da obra e do seu autor, fazendo uma breve sinopse das três narrativas que se entrecruzam no livro. Referiu ainda Aleksandr Dugin e a influência da sua filosofia na política russa. Seguidamente, enumerou situações em que o governo russo terá interferido na política internacional, nomeadamente através da influência exercida nas redes sociais.
Explicou de que forma estas plataformas podem ser utilizadas como um verdadeiro campo de batalha, onde a desinformação explora medos preexistentes, alimentando preconceitos e acentuando divisões sociais. Apresentou também dois exemplos concretos dos efeitos nefastos das notícias falsas: o caso Pizzagate e a perseguição aos rohingyas em Myanmar.
Concluiu a sua exposição destacando o potencial da Inteligência Artificial na disseminação de desinformação, nomeadamente através da criação de deepfakes.
Mikael Mendes – Técnico de ORVC