Educação de Adultos em debate


Entre os dias 21 de maio e 30 de junho de 2026, a Educação de Adultos esteve em debate num ciclo de webinares promovido pela Associação Portuguesa de Educação e Formação de Adultos (APEFA).

A Educação de Adultos afirma-se hoje como um campo complexo, dinâmico, multicultural e profundamente marcado pelas transformações sociais, culturais e políticas das últimas décadas. Por isso, os temas aglutinadores sobre os quais a iniciativa versou – políticas públicas, inclusão e equidade, ecossistemas de aprendizagem, desenvolvimento local e identidades profissionais – permitiram refletir sobre a relevância de cada um destes eixos, mas também sobre os desafios que se colocam à afirmação desta área enquanto atuação estratégica.

A valorização dos ecossistemas de aprendizagem e dos processos de reconhecimento, validação e certificação de competências constitui igualmente um desafio e, simultaneamente, uma oportunidade. Admitir que a aprendizagem ocorre em múltiplos contextos significa atribuir legitimidade aos conhecimentos adquiridos ao longo da vida e promover trajetórias educativas mais inclusivas e significativas. Contudo, esta valorização continua, por vezes, a enfrentar resistências sociais e políticas que limitam o seu potencial emancipador.

Tem sido comum, em diferentes fóruns, debater a ligação entre Educação de Adultos, desenvolvimento local e cidadania ativa, evidenciando a importância dos territórios enquanto espaços privilegiados de aprendizagem, participação e transformação social. Além disso, a mobilização das comunidades, a construção de redes de cooperação e o envolvimento dos cidadãos na identificação e resolução dos problemas coletivos constituem dimensões fundamentais para o fortalecimento da democracia e da coesão social.

Também os fenómenos migratórios e a crescente multiculturalidade das escolas e das comunidades introduzem novos desafios à Educação de Adultos. A integração sociocultural de pessoas migrantes, nomeadamente através dos cursos de Português Língua de Acolhimento (PLA), exige práticas educativas promotoras do diálogo, da inclusão e do reconhecimento da diversidade como um recurso e não como um obstáculo.

Face a todos estes desafios, a Educação de Adultos é chamada a reafirmar a sua vocação humanista, emancipatória e transformadora. Mais do que qualificar para o mercado de trabalho, importa capacitar pessoas e contribuir para a construção de sociedades mais justas, inclusivas e democráticas. Neste sentido, o futuro desta área dependerá, em grande medida, da capacidade de lhe conferir estabilidade política (libertando-a da periferia que ocupa nas agendas políticas e educativas), reconhecimento social e recursos necessários para cumprir plenamente a sua missão e permitir a construção de projetos sustentáveis com capacidade de resposta às necessidades reais da população.

Isabel Moio – Técnica de ORVC