Entrevista: a realidade distorcida


A desinformação foi o tema escolhido pelos alunos do 6.º D da Escola Básica Marquês de Pombal, no âmbito dos seus trabalhos de projeto nas disciplinas de Cidadania e Desenvolvimento e Português. Entre as várias iniciativas, os alunos entrevistaram, no dia 2 de junho, jornalista Ana Laura Duarte, do Jornal de Pombal. O objetivo foi refletir e compreender o papel do jornalismo na divulgação de informação fidedigna.

Agora, a aposta dos alunos é alcançar um público mais alargado, assim, em parceria com um órgão de comunicação social muito próximo e apelativo, a entrevista completa será emitida pela 97FM Rádio Clube de Pombal em formato podcast.

Alunos: Poderia começar por se apresentar e explicar o seu trabalho neste jornal local?
Jornalista Ana Laura: Sou jornalista há 12 anos e sempre trabalhei na imprensa local e regional. O meu trabalho passa por contactar fontes, confirmar a informação e escrever notícias com rigor para informar a comunidade.

Alunos: No seu trabalho, como vê o papel do sensacionalismo na divulgação de notícias?
Jornalista Ana Laura: Hoje existe mais sensacionalismo, sobretudo por causa do online e das redes sociais. Os títulos são mais chamativos para atrair leitores, mas é importante equilibrar isso com o rigor da informação.

Alunos: Acha que podemos ficar viciados em sentir raiva ou indignação ao ler notícias chocantes?Jornalista Ana Laura: Não diria viciados, mas as notícias que despertam emoções fortes são mais partilhadas e tornam-se mais virais.

Alunos: Acha que isso nos torna indiferentes perante problemas reais?
Jornalista Ana Laura: Pode tornar, sim. O excesso de informação e o contacto constante com notícias difíceis podem levar a alguma apatia e menor empatia.

Alunos: Mensagens como “urgente, partilhe” impedem confirmar o que é verdade?
Jornalista Ana Laura: Sim, muitas vezes levam as pessoas a partilhar sem ler ou verificar, o que facilita a divulgação de informação falsa ou desatualizada.

Alunos: De que forma os títulos afetam o jornalismo?
Jornalista Ana Laura: Um bom título é essencial para cativar o leitor, mas tem de ser fiel ao conteúdo. Não pode enganar.

Alunos: O jornalismo local também acompanha esse sensacionalismo?
Jornalista Ana Laura: Às vezes sim, mas deve ser usado com equilíbrio. O jornalismo local é muito importante pela proximidade com as pessoas e pela informação sobre a comunidade.

Alunos: As pessoas partilham notícias falsas para se sentirem integradas?
Jornalista Ana Laura: Normalmente partilham porque acreditam que são verdadeiras e porque essas notícias provocam emoções fortes que querem partilhar com os outros.

Alunos: É mais fácil unir pessoas na internet através de notícias negativas ou da empatia?
Jornalista Ana Laura: As notícias negativas espalham-se mais facilmente, mas a empatia também pode unir pessoas, embora tenha menos impacto.

Alunos: Porque é que as pessoas ficam zangadas com a verdade quando uma mentira é desmentida?
Jornalista Ana Laura: Porque, por vezes, a mentira é mais interessante ou mais confortável do que a verdade.

Alunos: Será cada vez mais difícil distinguir notícias verdadeiras de falsas?
Jornalista Ana Laura: É possível distinguir, mas exige atenção e verificação, sobretudo com o crescimento da tecnologia e da IA (Inteligência Artificial).

Alunos: Que conselhos daria para evitar as notícias falsas?
Jornalista Ana Laura: Verificar em vários sites, confirmar datas e analisar imagens antes de partilhar qualquer notícia.

Alunos: Qual é o papel dos jornalistas na luta contra a desinformação?
Jornalista Ana Laura: É fundamental. Os jornalistas têm a responsabilidade de garantir que a informação que divulgam é verdadeira.

Este trabalho serve para alertar para a desinformação na imprensa escrita e nas redes sociais e informar sobre os procedimentos que devemos, todos, adotar para confirmar a realidade.

PENSAR antes de PARTILHAR!

Trabalho realizado por: Joaquim Soares, n.º 7; Matilde Pereira, n.º 13; Matilde Freitas, nº14; Vicente Silva, n.º 20.