A IA – Responsabilidade-Sustentabilidade


No passado dia 16 de dezembro, a área de competências chave de STC, promoveu uma palestra centralizada nos desafios e oportunidades da Inteligência Artificial. A sessão, proferida pela Doutora Catarina Silva, docente na Universidade de Coimbra e investigadora no CISUC, fez parte integrante da Atividade Integradora nº1 – “Desliga-te para te ligares – humaniza a era digital!”. Foi fum momento para debater a responsabilidade e a sustentabilidade na era digital.

A Doutora Catarina Silva, especialista em aprendizagem computacional com uma vasta experiência académica, apresentou a IA não apenas como uma ferramenta tecnológica, mas como a capacidade de uma máquina reproduzir competências humanas, como o raciocínio, a aprendizagem e a criatividade.

Foram discutidos os pilares essenciais para o uso correto destas tecnologias:

Privacidade e Direitos: A oradora alertou para o facto de a IA aprender a partir de dados pessoais, sublinhando que tudo o que partilhamos online pode ser armazenado e analisado, com riscos diretos para a nossa segurança e autonomia.

Sustentabilidade Ambiental: Um dos temas que mais despertou a nossa curiosidade foi a pegada energética da IA. Foi revelado que o consumo global de energia para treinar e manter estes sistemas é comparável ao consumo de países inteiros, como Portugal. Cada vez que se faz um pedido ao ChatGPT a energia consumida é o equivalente à carga de um telemóvel pelo que o grupo de investigação liderado pela Doutora Catarina Silva deixou de dizer “Olá” sempre que iniciam uma pesquisa para poder reduzir o consumo de energia. A “nuvem”, explicou a investigadora, reside em servidores que exigem enormes quantidades de eletricidade e água para arrefecimento. Para minimizar este impacto, a investigação atual, nomeadamente no âmbito da IA Responsável, foca-se no desenvolvimento de algoritmos “eco-friendly” que requerem menos poder de computação e são, por isso, mais sustentáveis. Estão a ser desenvolvidos sistemas mais eficientes, fáceis de manter e escalar, que utilizam recursos de nuvem (cloud) energeticamente responsáveis. O objetivo fundamental da investigação é criar produtos de IA que sejam “limpos” e simples, promovendo uma transformação digital que respeite os limites ambientais.

Viés e Discriminação: Foi abordado o perigo do viés (ou inclinação ou falta de imparcialidade) pois os algoritmos podem replicar preconceitos humanos, afetando decisões em áreas sensíveis como o emprego ou a justiça.

Foi questionado o limite entre a utilidade tecnológica e a invasão da nossa privacidade, debatendo cenários como o uso de aplicações de estudo que monitorizam a nossa localização ou sistemas que imitam vozes de pessoas falecidas.

Fomos conduzidos a refletir também sobre a nossa responsabilidade enquanto utilizadores e o impacto ambiental e do viés algorítmico na justiça social. Ficou claro que que temos de ser mais do que utilizadores passivos, mas ser criadores e auditores críticos que promovem uma “Inteligência Aumentada” em benefício de uma sociedade mais justa e sustentável.

Participar nesta palestra foi como ajustar as lentes dos nossos óculos digitais: passámos de uma visão turva, onde apenas víamos as facilidades da tecnologia, para uma visão mais nítida que nos permite identificar as “impressões digitais” da ética e da sustentabilidade em cada clique que damos.

Formandos do Curso EFA- Escolar Nível Secundário