No processo de RVCC todos têm lugar e oportunidade, independentemente dos percursos de vida, das escolhas e da idade. Exemplo disso foi a sessão de júri de certificação de nível básico do dia 27 de novembro de 2025 que, na mesma sala, juntou quem tinha 10 e 20 anos quando ocorreu a Revolução dos Cravos e quem nasceu 30 anos depois desse momento histórico de viragem.
E se há algo bonito neste processo é o respeito e a admiração entre os candidatos e o facto de evidenciarem o orgulho de “voltar à escola”, de percorrer os corredores entre os mais jovens e de se sentirem parte ativa neste contexto, como tantas vezes confidenciam à Equipa.
Por esse motivo, os ganhos vão muito para lá do que constroem durante as sessões de reconhecimento e do que desenvolvem na formação complementar. Há autoconhecimento e redescoberta. Prazeres arrumados nas gavetas do tempo são aqui aflorados e reinventam-se e projetos tímidos e embargados batem à porta do coração e da consciência dos candidatos, despertando-os para capacidades adormecidas ou anestesiadas na sombra de tradições e legados culturais.
Os portefólios viram metáforas de vidas de história e de histórias de vida: “Versos que sou” personifica quem, em rima cruzada, ajeita a caneta para reproduzir a ligação à terra, às gentes e aos costumes; “Vida em produção” reflete o trajeto de quem acumulou experiência profissional na indústria têxtil, acompanhando mudanças e exigências; “O último dia na gaiola” representa o valor de um certificado de qualificações nas mãos de quem nenhum tem e a esperança de, na sua posse, libertar-se de algumas tradições que (ainda) prendem, perpetuando tendências que urge combater e esbater.
Por trás da exigência da Equipa está o reconhecimento pelo esforço que cada candidato experiencia ao longo do processo de RVCC, mas é também objetivo que cada um leve deste percurso ferramentas e conhecimentos que lhes possam ser úteis para responder a cada novo projeto que abraçarem… porque um ponto de chegada é um excelente ponto de partida e é isso que se pretende que cada sessão de júri de certificação signifique.
Isabe Moio – Técnica de ORVC