Educação e Formação de Adultos 2040: Liberdade, Democracia


Sob o mote “Educação e Formação de Adultos 2040: Liberdade, Democracia”, a Associação Portuguesa de Educação e Formação de Adultos (APEFA) realizou a partir da Biblioteca Municipal Almeida Garrett, no Porto, no dia 4 de julho, o XI Seminário Nacional e III Internacional de Educação e Formação de Adultos, como tem sido seu apanágio ao longo dos últimos anos.

Este é um dos poucos momentos anuais em que os elementos da rede nacional de Centros Qualifica têm oportunidade para se reencontrar e partilhar preocupações. Uma das mais significativas continua a ser o presente e o futuro da Educação de Adultos, marginalizada do sistema educativo e perspetivada como “parente pobre” deste, embora continue a dar resposta a milhares de pessoas e a ser um rasgo de esperança nos olhares de muitas por se assumir como uma ferramenta cultural, política e social de capacitação individual e coletiva.

No Painel da manhã, subordinado ao tema “O papel da Educação de Adultos na promoção e defesa da liberdade e democracia”, debateu-se o trinómio “Educação, Liberdade, Democracia”, sendo que a Educação se orienta para a cidadania e permite a defesa dos outros dois valores e ao mesmo tempo a Democracia assume centralidade na defesa do direito à Educação. O Professor Doutor Luís Rothes arriscou ir mais longe, sugerindo a leitura dos programas eleitorais dos vários partidos políticos, dado que vários não têm qualquer referência à Educação e Formação de Adultos. Identificou ainda o esforço público como fundamental no combate às desigualdades que o PIAAC continua a trazer a público.

O Painel da tarde, “EFA 2040: e nós, Portugal! Por que agir? Com o que podemos contar?” era, pelas questões levantadas pela audiência, o mais aguardado, numa tentativa clara de compreender que caminho está a ser trilhado e para onde se vai. Foram mais as questões do que as respostas e as certezas. O foco centrou-se nas intervenções dos representantes do PESSOAS2030 e da ANQEP: na primeira, foram tecidas considerações sobre a execução física e financeira da oferta formativa; na segunda, foram sublinhados os desafios a curto e médio prazo, devido a questões demográficas (dado que cada vez mais se lida com públicos mais velhos) e de migração. Aqui, Ana Cláudia Valente, em representação da entidade tutelar, destacou que o primeiro grande desafio dos Técnicos é mobilizar a população adulta para voltar ao sistema formativo, colocando a tónica na qualidade do trabalho realizado pela rede de Centros Qualifica e deixando uma palavra encorajadora a todos quantos nestes trabalham, visando a mobilização de públicos que, tradicionalmente, permanecem mais afastados da educação e da formação, ciente de que muito já se construiu em quase uma década de Programa Qualifica, mas muito continua por (e para) fazer em prol de um país mais coeso.

Isabel Moio – Técnica de ORVC