Entre Revoluções e Influências


No dia 11 de junho de 2026, realizou-se mais uma sessão de certificação de nível secundário no Centro Qualifica. Os dois trabalhos apresentados abordaram temas distintos, mas unidos por uma questão comum: a influência das ideias, dos discursos e dos movimentos coletivos na construção das sociedades. Enquanto uma candidata analisou o impacto das comunidades digitais associadas à chamada manosfera, outro candidato refletiu sobre os momentos revolucionários que marcaram a história de Portugal.

A primeira apresentação, desenvolvida com recurso ao Gamma AI, teve como tema “Manosfera: Influência Digital ou Perigo Social”[1], inspirada no documentário da Netflix “Louis Theroux: Inside The Manosphere”.

Partindo da análise do documentário, a candidata explicou o conceito de manosfera e as suas principais características, destacando a forma como alguns destes movimentos se apresentam como defensores dos homens perante aquilo que consideram ser os excessos do feminismo. Referiu a utilização do conceito de “pílula vermelha”, retirado do filme Matrix, como metáfora para um suposto despertar para uma nova visão das relações entre géneros.

Ao longo da exposição, refletiu sobre a dualidade e complementaridade entre masculino e feminino, utilizando o símbolo Yin e Yang como ponto de partida para analisar de que forma a manosfera tende a distorcer essa relação de equilíbrio. Abordou ainda temas como a misoginia, a valorização excessiva da aparência física, a agressividade verbal, a ostentação de riqueza e as estratégias utilizadas por alguns influenciadores digitais para captar seguidores e promover esquemas de enriquecimento pessoal.

A candidata analisou igualmente a utilização de notícias falsas e teorias da conspiração como forma de amplificação da influência digital, bem como as ligações identificadas entre alguns setores da manosfera e movimentos políticos de extrema-direita. A apresentação terminou com uma reflexão sobre a igualdade de género, ilustrada através do trabalho fotográfico desenvolvido por Eli Rezkallah, que reinterpretou anúncios publicitários da década de 1950 para questionar estereótipos ainda presentes na sociedade contemporânea.

Seguiu-se a apresentação do segundo candidato, também apoiada pela ferramenta Gamma AI, sob o título “Cinco Revoluções, Um País”[2], inspirada na série documental da RTP As Cinco Revoluções Portuguesas.

Começando por explorar o conceito de revolução e os seus diferentes significados, o candidato conduziu o júri por alguns dos momentos mais marcantes da história nacional. Iniciou a sua exposição com a crise de 1383-1385, destacando a importância do controlo da informação e das narrativas políticas, numa reflexão que estabeleceu paralelos com fenómenos atuais.

Prosseguiu com a Restauração da Independência, abordando o contexto político e económico da época e algumas das medidas fiscais implementadas. Analisou depois a Revolução Liberal e as transformações introduzidas pela Constituição de 1822, sublinhando a importância deste documento para a afirmação dos princípios liberais em Portugal.

A apresentação prosseguiu com a Implantação da República, identificando os seus principais contributos para a sociedade portuguesa, mas também algumas das fragilidades que marcaram este período. Por fim, dedicou especial atenção à Revolução de 25 de Abril de 1974, destacando as conquistas alcançadas ao nível da democracia, das liberdades fundamentais e da participação cívica.

A qualidade das apresentações e a pertinência dos temas escolhidos evidenciaram, uma vez mais, a capacidade dos candidatos para relacionar conhecimentos adquiridos ao longo da vida com desafios históricos e sociais de grande relevância. Esta sessão de certificação demonstrou como o processo de RVCC continua a promover o desenvolvimento do pensamento crítico, da cidadania ativa e da reflexão informada sobre o mundo contemporâneo.

[1] https://gamma.app/docs/A-Manosfera–kwjipzoyiwf4thi

[2] https://gamma.app/docs/Cinco-Revolucoes-Um-Pais-3bzdoztxmnbqx3m

Mikael Mendes – Técnico de ORVC