Em muitos círculos a arte é ainda vista por alguns como sendo inferior ao pensamento científico, parecendo ignorar que ambas são facetas essenciais ao desenvolvimento e evolução. A arte tem o potencial de estimular a criatividade, de promover a reflexão e de provocar emoções. Por vezes, o discurso excessivamente hermético das ciências não consegue tocar a essência da pessoa, falhando assim na mudança que tanto deseja promover. Nesse aspeto, a arte é mais transversal e imprevisível, alcança cada ser humano de forma particular, imiscuindo-se nas vivências que este já traz a priori.
Ora nos dias 17 e 18 de dezembro de 2025, os candidatos do processo RVCC de nível secundário demonstraram através das suas apresentações que não existem formas de arte menores, sendo possível retirar reflexões valiosas da literatura, poesia, música ou banda desenhada.
A primeira apresentação[1] baseou-se na música “Eldorado” de Sniper (feat. Faada Freddy), conseguindo com a letra desta analisar a problemática dos fluxos migratórios, das causas às estratégias globais (e.g. Pacto Global para as Migrações da ONU). Destacando a importância de respeitar as preocupações da população que acolhe, sem por isso esquecer os direitos humanos dos migrantes.
A segunda exposição[2] partiu da banda desenhada “Astérix na Lusitânia” para nos guiar numa viagem pela riqueza do património cultural em Portugal, começando pelas referências históricas como Viriato na resistência à ocupação romana ou a Revolução de 25 de abril de 1974, passando por elementos visuais (e.g. calçada portuguesa e azulejos) e gastronómicos (marcados pela dieta mediterrânica), terminado com figuras marcantes da nossa cultura, de Amália Rodrigues a Fernando Pessoa.
Seguiu-se uma apresentação[3] inspirada no poema “Árvore Tutelar” de António Arnaut. Começando por destacar um dos maiores legados deixados por este autor, o Sistema Nacional de Saúde, rapidamente se focou na responsabilidade de todos preservarmos os recursos naturais. Para isso apresentou o processo de consulta pública que esteve aberto em 2024 relativamente ao pedido de expansão da pedreira de “Chão Queimado” na Serra de Sicó.
Já no dia 18 de dezembro de 2025 tivemos uma análise[4] à obra “Regresso ao Admirável Mundo Novo” de Aldous Huxley. Depois de enquadrar historicamente a mesma e comparar duas das mais reconhecidas distopias do séc. XX (“Admirável Mundo Novo” de Aldous Huxley e “1984” de George Orwell), debruçou-se sobre as reflexões do autor sobre a questão da sobrepopulação. Confrontando as ideias da teoria malthusiana, a visão de Aldous Huxley e as previsões científicas da ONU mais recentes, concluiu que provavelmente o aumento populacional não deverá despertar alarmismos, considerando que se prevê que o mesmo estabilize até 2080.
Mikael Mendes – Técnico de ORVC
[1] https://gamma.app/docs/El-Dorado-Em-busca-de-uma-vida-melhor-sjwxb4a0pykhuiv
[2] https://gamma.app/docs/Asterix-na-Lusitania–41t6xhac7bf3ny5
[3] https://gamma.app/docs/Arvore-tutelar-cuidar-da-Natureza–pohbsjpk9vv8uq6
[4] https://gamma.app/docs/Para-um-admiravel-mundo-novo-sobrepovoado-Sera-mesmo-r4o10tyv6rfuxee