50 Anos de Vida, 12º Ano no Papel e no Coração


Inscrevi-me no Centro Qualifica do Agrupamento de Escolas de Pombal para conclusão do 12º ano já com uma lição de vida de 50 anos.

Iniciei o processo de RVCC em outubro de 2024 e conclui a 10 de julho 2025. Foram 9 meses de muita dedicação, mas tive sempre o acompanhamento da coordenadora e dos técnicos do Centro Qualifica sem esquecer dos formadores que incansavelmente e com muita paciência me foram ajudando nas sessões de Formação Complementar.

Apanhei todas as estações do ano, e mesmo para minha admiração, em dias menos bons, com chuva e até mesmo mais cansada, nunca me passou pela cabeça, não ir à sessão agendada. Tal era a vontade de aprender mais e de concluir o 12º ano.

Todas as sessões foram de aprendizagem, e algumas marcaram-me muito. Ficará na minha memória a peça “Lusíadas” pelo TAP, pois em ambiente lúdico, revivi um momento importante da história de Portugal, a viagem de Vasco da Gama à Índia.

Destaco também como momento alto, o evento” Sons e Sabores da Multiculturalidade – à pala de Camões” que para além de me dar a conhecer o número elevado de imigrantes que vivem em Pombal e de ouvir a sonoridade das suas línguas, permitiu-me conviver à volta de uma mesa multicultural.

A videoconferência com o professor Joaquim Eusébio com o tema ´´Á descoberta da globalização” foi muito enriquecedora. Revelou muita simpatia, sentido de humor, um vasto conhecimento e um gosto por partilhar o que sabe com outras pessoas.

A vinda da diretora do Jornal Pombal Manuela Frias, sobre a temática as notícias falsas ou as (Fake News) ajudou-me a refletir sobre um tema do qual toda a sociedade fala hoje. Foi um alerta para uma maior atenção a todas as informações e vídeos que me aparecem nas redes sociais.

A atividade da Assertividade foi marcante pela oportunidade que me deu de refletir sobre o modo como lido com os outros.

O processo RVCC foi assim uma oportunidade para olhar para dentro de mim, mas também à minha volta. Sinto-me mais desperta para os desafios da sociedade atual. Sinto que evolui muito ao nível da minha capacidade de escrita e sobretudo no uso do computador pois foi aqui que aprendi tudo o que sei.

Não foi fácil, conciliar a atividade profissional, e a vida pessoal com a ida para as sessões à noite, e ainda os trabalhos que tinha que concluir em casa, mas tudo o que aprendi foi uma vitória pessoal.

Chegou a fase de preparação para a Prova de Certificação e, como em muitas outras situações, estava muito nervosa, mas mais uma vez com muita dedicação mergulhei na obra “Admirável mundo novo” romance escrito por Aldous Huxley e publicado em 1932.

Um agradecimento profundo a todos os elementos da equipa do Centro Qualifica.

Madalena Rocha – Candidata do Processo RVCC de nível Secundário

A Ambivalência


A ambivalência é uma propriedade característica inerente ao ser humano e a muitas das suas criações. A internet não é exceção, se por um lado facilitou o acesso à informação e aproximou as realidades, tornando ainda mais “pequena” a aldeia global em que vivemos. Por outro lado o espaço virtual é profícuo em posições radicalizadas ou demasiado egocêntricas. A responsabilidade nunca será impotável à ferramenta em si, mas ao uso que cada um decide fazer da mesma. A educação é a estratégia mais importante para combater as desigualdades e aproximar os povos, assegurando o acesso ao conhecimento e o desenvolvimento de novas competências.

De certa forma estes temas foram abordados por duas candidatas na sessão de júri de certificação de nível secundário que teve lugar no dia vinte de junho de 2025. A primeira apresentação[1] foi inspirada pela obra “No Enxame”, da autoria de Byung-Chul Han.

Começou por referir o impacto que a era digital teve em conceitos como o respeito, o nome e o tempo. Mencionou as ondas de indignação para destacar, destacando o egocentrismo, o imediatismo e o isolamento que impera na era digital.  Explorou ainda o impacto da internet ao nível da transmissão da informação. Lembrou-nos que a liberdade em que vivemos é apenas aparente, pois somos pressionados a estar cada vez mais online, o trabalho invade a vida pessoa, há um foco na métrica digital (e.g. número de gostos e partilhas) e um culto pela imagem manipulada. Mencionou de que forma o cidadão ativo se tem tornado um comprador passivo, mesmo em questões políticas, concluindo com uma reflexão sobre a evolução do poder que atualmente é determinado pelos Big Data e pelo controlo de variáveis internas dos indivíduos.

A segunda apresentação[2] inspirou-se no livro “Eu Sou Malala” de Malala Yousafzai. Malala é uma figura muito importante na luta pelo direito a educação das raparigas, cuja história começou no Paquistão, mas que rapidamente chegou ao resto do mundo através do seu discurso na ONU. A candidata abordou os contributos de Malala para o combate às desigualdades de género e a defesa do direito à educação, dois dos dezassete Objetivos para o Desenvolvimento Sustentável (ODS). Analisando o índice de igualdade de género, medido pela União Europeia, enfatizou que em Portugal tem-se assistido a uma evolução positiva entre 2013 e 2024, principalmente na distribuição de tarefas domésticas em casa e no acesso a cargos de poder, mas que ainda há muito a fazer.

[1] https://gamma.app/docs/No-Enxame-Digital-jaqxj32vq8183t2

[2] https://gamma.app/docs/Malala-A-luta-pelo-direito-a-educacao-n4wg9z0hji808u4

Mikael Mendes – Técnico de ORVc