Igualdade de Género, uma realidade?


Esta questão motivou um grupo de alunos, do 6.º C, a escolher a Igualdade de Género como tema do seu trabalho de projeto, a realizar em Cidadania e Desenvolvimento, em articulação com outras disciplinas.

Os alunos promoveram uma sessão sobre este tema, que foi dinamizada pela equipa técnica do Gabinete de Apoio às Vítimas de Violência de Pombal, da APEPI, que prontamente aceitou o convite para promover um debate orientado sobre o tema, que levou à desconstrução de estereótipos e que resultou numa partilha de ideias e numa reflexão sobre alguns aspetos da nossa sociedade.

Como resultado do trabalho, o grupo optou por realizar o vídeo “Mitos e Estereótipos relativos à Igualdade de Género”, tendo usado a música “Serei sempre uma mulher”, de Luísa Sobral, para ajudar a promover uma reflexão sobre as mensagens que pretendiam transmitir.

Ainda no âmbito do seu projeto, o grupo realizou um estudo estatístico, tendo procedido à recolha de dados através de um questionário, divulgado por email e dirigido a todos os alunos da E.B. Marquês de Pombal. A amostra foi composta por 165 alunos, 54% do sexo feminino e 46% do sexo masculino. Foram construídas tabelas de frequências relativas para organizar os dados, que também foram representados em gráficos de barras justapostas, tendo o grupo de alunos analisado os dados e tirado algumas conclusões:
– A esmagadora maioria, 84% das raparigas e 79% dos rapazes, afirmou já ter ouvido falar do conceito de Igualdade de Género, registando-se um desconhecimento ligeiramente superior nos rapazes;
– Uma clara maioria de raparigas, cerca de 71%, reconheceu a existência de desigualdade de género na sociedade, contrastando com 54% dos rapazes que partilharam a mesma opinião, o que poderá mostrar que as raparigas possuem uma perceção mais crítica sobre as assimetrias de género no quotidiano do que os rapazes;
– Uma grande maioria, 89% das raparigas e 66% dos rapazes, foi favorável à abordagem da Igualdade de Género nas aulas, o que poderá demonstrar um maior interesse das raparigas em abordar o tema;
– Cerca de 40% das raparigas e 25% dos rapazes indicaram já ter presenciado alguma situação de discriminação baseada no género, e uma grande maioria dos rapazes, cerca de 61% e 36% das raparigas afirmaram nunca ter testemunhado este tipo de situação; estas diferenças poderão significar que o público feminino está mais exposto ou atento a episódios de desigualdade no seu dia a dia;
– A maioria, cerca de 66% dos rapazes e 51% das raparigas, afirmou nunca se ter sentido tratado de forma diferente devido ao seu género, no entanto, 38% das raparigas e 18% dos rapazes afirmaram já terem sentido essa diferença, o que poderá significar que a desigualdade de tratamento em função do sexo é uma realidade vivida de forma mais direta e frequente pelas raparigas;
– A maioria, cerca de 63% das raparigas e 51% dos rapazes, indicou reconhecer a presença de comentários nas redes sociais que diminuem alguém devido ao género, o que poderá mostrar que os comentários digitais baseados no género são comuns, sendo testemunhados com maior frequência pelas raparigas;
– Verificou-se um grande equilíbrio na perceção sobre a partilha das tarefas domésticas, com a maioria, 78% das raparigas e 75% dos rapazes, a afirmar que estas são divididas por todos, o que poderá indicar que a partilha equilibrada do trabalho doméstico é uma realidade reconhecida de forma semelhante por raparigas e rapazes;
– Constatou-se um consenso de que homem e mulher devem contribuir igualmente para as finanças da família, com uma esmagadora maioria de 96% das raparigas e 88% dos rapazes, no entanto, uma mentalidade mais tradicional surgiu de forma ligeiramente superior no público masculino, uma vez que 11% dos rapazes ainda afirmou que deve ser “Principalmente o homem” a contribuir, face a 2% das raparigas;
– Cerca de 71% das raparigas respondeu “Não” à existência de brinquedos específicos para cada sexo, enquanto nos rapazes essa percentagem desceu para 43%; os rapazes concordaram mais com esta separação ou demonstraram maior dúvida, registando-se 40% no “Sim” e 17% no “Não sei”, face a apenas 27% e 2% nas raparigas; estes dados poderão revelar que as raparigas mostram uma maior assertividade na desconstrução dos estereótipos associados aos brinquedos na infância;
– Cerca de 45% das raparigas e 42% dos rapazes concordaram que o sexo masculino sofre mais críticas ao demonstrar sentimentos e emoções, verificando-se uma proximidade nas respostas afirmativas, o que poderá mostrar que a pressão social sobre as emoções masculinas é reconhecida por raparigas e rapazes;
– Uma grande maioria, 81% das raparigas e 78% dos rapazes, identificou corretamente o estereótipo associado ao desporto “As raparigas não serem aptas a jogarem futebol”, como um exemplo de desigualdade;
– Verificou-se um consenso absoluto de que a violência de género é um crime público que deve ser denunciado, tendo-se registando um valor de 96% nas raparigas e 84% nos rapazes, que poderão mostrar que os(as) alunos(as) têm uma forte consciência cívica e tolerância zero face à violência, com as alunas a assumirem uma postura ligeiramente mais firme no dever de denúncia.

Fica o desafio deste grupo dirigido a toda a comunidade:
cada um(a) tem a responsabilidade de promover a cooperação, a tolerância e o respeito pela diferença!

Os alunos, Ana Santos, Gonçalo Costa, Hadassa Dias, Inês Santos e Naiara Eusébio
A professora de CDV/ Mat., Sónia Veríssimo Marques