No dia 13 de novembro de 2025, às 20h00 a Escola Secundária de Pombal acolheu o sarau “Pessoa, Singular e Plural – Sons e Sabores da Interculturalidade”, uma iniciativa do Centro Qualifica em colaboração com a Biblioteca Escolar. O evento teve como propósito promover a convivência, a valorização da diversidade cultural e a aproximação entre participantes, envolvendo candidatos do RVCC e formandos dos cursos EFA e PLA.
Poesia de Fernando Pessoa inaugurou a noite
A sessão iniciou-se com um conjunto de declamações inspiradas na obra de Fernando Pessoa e dos seus heterónimos. Os candidatos do RVCC e os formandos EFA e PLA, mas também o professor bibliotecário João Silvano apresentaram poemas de Álvaro de Campos, Ricardo Reis e Alberto Caeiro. Estas leituras procuraram evidenciar a pluralidade de vozes pessoanas, estabelecendo um paralelo simbólico com a diversidade humana presente na comunidade educativa.
Momentos artísticos reforçaram o ambiente cultural
Além da poesia, a noite integrou momentos de música e pequenas intervenções artísticas que contribuíram para criar um ambiente de proximidade e envolvimento. A articulação entre diferentes expressões — poesia, música e momentos de magia — reforçou o caráter cultural e formativo do sarau, valorizando as competências individuais dos formandos.
A gastronomia encerrou o sarau com sabores internacionais
A iniciativa terminou com uma amostra gastronómica que incluiu pratos típicos da Ucrânia, Irão, Venezuela, Alemanha, França, Portugal, confecionados pelos formandos e respetivas famílias. Este momento final proporcionou um espaço informal de convívio, onde os participantes puderam partilhar tradições culinárias e reforçar o espírito intercultural que marcou todo o evento.
Interculturalidade como eixo central
O sarau teve como principal objetivo destacar o valor único de cada pessoa, promovendo uma convivência assente no respeito pela diversidade e no reconhecimento das diferentes histórias de vida presentes nos percursos formativos. A adesão significativa da comunidade demonstrou o impacto positivo desta atividade na construção de uma escola mais inclusiva e participativa.
Ana Paula Neves, Cristina Santos, Paulo Santos e Ricardo Magalhães – Candidatos do Processo de RVCC- B3
Desafios da Sociedade do Cansaço
A T. iniciou o processo de RVCC no dia 07 de junho de 2023 num ritmo que, a manter-se, faria com que demorasse muito mais tempo a concluir um percurso que a Carta de Qualidade dos Centros Qualifica aponta como devendo ter duração desejável compreendida entre 9 a 12 meses. Tal confirmar-se-ia porque a sua disponibilidade estava comprometida com os constrangimentos que se lhe atravessavam no caminho e porque primeiro esteve sempre o mais importante. De facto, as decisões que tomou ao longo da sua vida, desde nova, deram sempre primazia ao mais importante – como intitulou o seu portefólio – e, embora o processo de RVCC também o fosse, muitas vezes não esteve no topo das prioridades e competia à Equipa do Centro respeitar quando era a sua família, a saúde ou o bem-estar físico e mental a ocupar esse lugar.
No entanto, apesar de inicialmente se refugiar na flexibilidade característica deste processo, rápido tomou consciência de que não poderia continuar àquele ritmo se pretendia libertar-se desta etapa para permitir que outras entrassem na sua vida, de tal modo que o discurso inicial de “não posso…” transformou-se em “vou fazer o esforço e vou conseguir!”. E esta é precisamente uma das expressões presentes na voz da sociedade contemporânea, como Byung-Chul Han refere na sua obra “Sociedade do Cansaço”, a qual serviu de inspiração à apresentação do trabalho final da T., na sua sessão de júri de certificação, que decorreu no dia 29 de maio de 2025.
Fazendo um paralelismo com as suas experiências pessoais e profissionais, a candidata começou por descrever a sociedade do tédio, na qual se assiste a uma fragmentação da atenção, que decorre do multitasking e da constante pressão para o desempenho, o que conduz ao assédio laboral em muitas organizações que, de acordo com Byung-Chul Han, atinge proporções pandémicas nas organizações contemporâneas. No que concerne à sociedade do cansaço, salientou que as doenças do século XXI são inflamatórias e não infeciosas e decorrem do excesso de estímulos externos e da dificuldade em descansar com qualidade, o que se repercute em estados de burnout e de depressão. Quanto ao impacto da tecnologia, a candidata destacou a hiperconectividade a que estamos sujeitos devido
à utilização do telemóvel (que se até há relativamente pouco tempo apenas permitia estabelecer comunicação através de mensagens e telefonemas, hoje é um minicomputador que trazemos no bolso), a exposição a excesso de informação (surgindo muitas vezes Fake News para as quais é necessário estar-se particularmente atento) e o papel assumido pelas redes sociais, que muitas pessoas utilizam como meio de autopromoção. No que respeita à crise da negatividade, destacou a cultura do otimismo, que leva a que muitas pessoas sejam intolerantes à frustração (não dispondo de ferramentas emocionais que lhes permitam ultrapassar adversidades) e a perda de pensamento crítico (que necessita de reflexão, questionamento, hipóteses e dúvida para se desenvolver – o que não é possível numa sociedade “mecanizada” entre um somatório asfixiante de tarefas).
A obra de Byung-Chul Han não termina sem uma recomendação para vencer todos estes desafios que perpassam a sociedade contemporânea: a valorização do ócio que, embora muitas vezes confundido com preguiça, favorece a reflexão, a introspeção, a contemplação, o autoconhecimento e o significado existencial. Na realidade, embora hoje em dia seja uma tarefa hercúlea viver sem dispositivos tecnológicos e ferramentas digitais, é possível assumir uma atitude crítica e consciente, impondo por vezes limites a nós próprios, no sentido de desacelerar o ritmo em que tudo se executa para nos permitirmos também desconectarmos do digital para nos conectarmos ao “aqui e agora”.
Isabel Moio -Técnica de ORVC
SMAL – O meu nome faz história
Despertar o gosto pela aprendizagem, estimular para a construção de conhecimento de modo criativo foi o objetivo da atividade “O meu nome faz história” que decorreu na biblioteca da Escola Secundária de Pombal, na tarde de 24 de setembro, e destinada aos candidatos do processo de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências (RVCC) de nível B1 (4º ano).
Integrada numa iniciativa nacional SMAL – Setembro Mês da Alfabetização e Literacias, a coordenadora da Biblioteca, a professora Fernanda Gomes, propôs, num ambiente lúdico, um exercício de escrita criativa. A partir das letras do nome de cada um dos intervenientes, com o apoio dos formadores de Linguagem e Comunicação, emergiram memórias dos poucos anos de escola, soltou-se a criatividade, esboçaram-se sorrisos e resultaram histórias fantasiosas.
Cumpriu-se o objetivo e confirmou-se ainda o desafio que se impõe aos Centros Qualifica de apoiar na consolidação de competências essenciais nos processos de certificação escolar, mas também na implementação, no concelho, de cursos de formação em Competências Básicas (alfabetização, cidadania e TIC) com o desígnio de ajudar a todos a vencer a “fronteira digital”.
Cristina Costa – Coordenadora do Centro Qualifica