Amor é fogo que se lê – Tertúlia literária


No dia 29 de fevereiro de 2024, participámos, na biblioteca da Escola Secundária de Pombal, na atividade intitulada “Amor é fogo … que se lê”.

Ao entrarmos no espaço, ficámos maravilhadas com a decoração: ao som de uma música agradável, observámos, em cima das mesas, velas; um envelope vermelho com o poema de Álvaro de Campos e um lenço dos namorados. Havia também imagens de vários poetas nomeadamente de Luís de Camões, Eugénio de Andrade, Álvaro de Campos e do pintor Gustav Klimt. Deste artista, estava exposto o quadro “O Beijo”- era colorido, com tons dourados, transmitindo muita ternura e carinho. Em cima de uma estante, havia um recipiente que emanava uma grande chama alusiva ao Amor.

A sessão iniciou com a professora bibliotecária que nos deu as boas vindas e relembrou a data comemorativa dos 500 anos do nascimento de Luís Vaz de Camões. Seguidamente, uma formanda de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências (RVCC) declamou o poema “Amor é fogo que arde sem se ver”, de Luís de Camões. A professora bibliotecária sugeriu um pequeno jogo sobre os poetas já mencionados, falou sobre a vivência do Amor ao longo dos anos, explicou o sentido de expressões idiomáticas sobre o coração e a origem do lenço dos namorados, do Minho. Os formandos de Português Língua de Acolhimento, nível A1/A2 interpretaram a canção “Cinderela” de Carlos Paião e declamaram os poemas “Urgentemente” e “Canção” de Eugénio de Andrade. Os formandos de Português Língua de Acolhimento B1/B2 declamaram o poema “Todas as cartas de amor são ridículas” do heterónimo de Fernando Pessoa, Álvaro de Campos, e apresentaram os poemas escritos por eles próprios, em sala de aula.

Ao som da canção “O amor é assim”, escrevemos a nossa definição de Amor numa cartolina em formato de coração. A sessão terminou com a leitura das frases que redigimos.

Todos colaboraram com muito empenho. Sentiu-se muita emoção nos poemas declamados pelos formandos. Foi uma atividade que fez realçar emoções, proporcionou o convívio e a interação entre todos, além de ter enriquecido a nossa aprendizagem sobre a temática.

 

Paula Sousa, Helena Lucas, Isabel Santos, Lourena Almeida e Rita Mendes – Formandas do processo RVCC

Testesmunhos de candidatos do Processod e RVCC – Nível Secundário
De caráter educativo e dinâmico, a sessão foi divertida, interativa e cativante. Aprendemos, rimos, cantámos e colaborámos a fim de solucionar um puzzle sobre os poetas retratados, entre outras atividades. Adorei o ambiente criado – foi muito acolhedor e intimista.
Rita Mendes
 Entre os formandos, houve muita emoção ao declamarem os poemas. Notou-se uma interação entre todos e interesse pelo tema.
Tudo foi muitoelaborado com muito pormenor.
 Helena Lucas
Gostei muito da atividade “Amor é fogo … que se lê”. Houve convívio entre formandos e formadores e o espaço estava muito bem decorado. Foi uma noite bem passada a falar de Amor.
 Isabel Santos
 Todos estavam muito atentos. Envolveram-se em ótimas apresentações.
 Lourena Almeida
 Partilhar ideias e opiniões com os colegas, fora da sala de aula, como uma conversa entre amigo, foi óptimo!
 Paula Sousa
Testemunhos de formandos o Curso de Português, Língua de Acolhimento – A1/A2
Senti-me tão feliz naquele dia porque todos se reuniram para expressar o amor por meio de poemas e cantando. Todos desfrutam de diferentes diversidades mas o amor é uma língua universal.
Binod Pariyar
A actividade de dia 29 de fevereiro foi simpática. Eu adoro encontrar outros grupos.
Bernadette Grauer
Nós cantamos muito mal mas temos um bonito coração.
O ambiente foi muito simpático.
Nós ouvimos mal porque não houve microfone.
Bruno Grauer
Em 29 fevereiro, a atividade maravilhosa “Dia do amor” foi realizada na escola numa atmosfera sincera. Estávamos rodeados pelo espírito mágico da biblioteca e pela decoração mais bonita e acolhedora da casa. E tudo isto foi acompanhado por belos poemas e canções igualmente magníficas, de há quinhentos anos atrás e dos tempos modernos.
Elena Zhuikova
Testemunhos de formandos o Curso de Português, Língua de Acolhimento – B1/B2
Apreciei a decoração. A primeira atividade foi um pouco difícil, mas aprendi muitas coisas novas. Gostei muito das leituras dos meus colegas.
Carlos Cavalero
Gostei da atividade da poesia. Foi um momento convivial. Aprendi coisas novas.
Alunos e professores foram simpáticos.
Maria Franja
Gostei muito de ouvir os meus colegas que leram os poemas deles.
O puzzle foi interessante. O trabalho que fizemos em grupo “O que significa o Amor” foi óptimo.
Cristy Sario
Gostei muito da decoração da biblioteca. A música que colocaram no evento era muito linda e também as mensagens que os colegas das aulas fizeram.
Victor Abreu
A atividade foi muito interessante. Eu gostei da canção do outro grupo (A1 A2). No geral, foi uma noite agradável.
Maria Shkurkina
A atividade foi muito acolhedora e a biblioteca estava muito bonita. Foi muito interessante.
Gostei muito dessa quinta feira.
Yana Honchar

Sobre rodas


A equipa do Centro Qualifica sabe que, seja por que motivo for, a vida de cada candidato que aqui vem bater à porta não correu sobre rodas. Vicissitudes pessoais, familiares ou profissionais empurraram para “um dia mais tarde” o prosseguimento dos estudos.

Paradoxalmente, e de forma literal, a vida da F. tem decorrido sobre rodas. Contudo, olhando ao sentido metafórico, também não o foi, mas sim uma roda-viva com mudanças, adaptações e reaprendizagens.

Desde o início do processo de RVCC, sem nunca aqui ter sido deixada em roda livre, a equipa apresentou-lhe cronogramas e propostas de atividades de reflexão. Não pretendendo este processo reinventar a roda, porque assenta no que de melhor cada candidato conhece – as suas experiências – foi-lhe sugerido andar à roda da sua própria vida, com um olhar reflexivo, e à roda de diferentes conteúdos dentro de cada área de competências-chave.

Como uma roda dentada, tudo o que construiu em formação complementar foi encaixado no seu portefólio, gerando um movimento fluido que, no final, surpreendeu a candidata. “Eu fiz isso tudo?!”, questionava por vezes, quando tomava consciência do resultado do seu trabalho. Nesta contínua construção, o que a fez ficar com a cabeça à roda foi, sobretudo, a Matemática e o Inglês, áreas em que não se sentiu tão confortável.

A equipa acredita que, para a F., este processo foi uma roda dos alimentos onde terá encontrado nutrientes essenciais que absorveu para concretizar novos projetos e no centro desta, onde se encontra a água, está a energia com que encara cada dia e cada desafio.

Isabel Moio – Técncia de ORVC

Do fazer acontecer à paz


Existem três tipos de pessoas: as que deixam acontecer, as que fazem acontecer e as que perguntam o que aconteceu. Acontecer começa com A, assim como o nome das duas candidatas que concluíram o processo de RVCC no dia 20 de dezembro de 2023. O A é a primeira letra do alfabeto, o que encima cada uma das candidatas na lista dos seus próprios projetos de vida. E um deles foi precisamente este: a realização deste processo. Seja por motivos de índole pessoal ou profissional, o denominador comum foi partilhado: aumentar o nível de qualificação escolar.

De atitude silenciosa e discreta ou destemida e aventureira, as duas candidatas souberam olhar para cada área de competências-chave como uma oportunidade de evoluir como ser humano e de aprender. Entre a vontade de arriscar ou, perante dúvidas e inseguranças maiores, de desistir, ambas não voltaram as costas aos desafios e, à sua maneira, dialogaram com os seus receios e enfrentaram-nos com a maturidade que um processo desta natureza requer. De memórias mais vívidas e precisas ou mais baças e diluídas, peça a peça foi-se construindo uma imagem unificadora de sentido e de significado: a história de vida.

No final do processo há também vários sentimentos comuns: o orgulho, a realização, a autoestima e a gratidão são alguns deles. As candidatas terminaram assim o processo de RVCC: com uma leveza interior que lhes transmite paz… palavra cuja última letra é a última do alfabeto, mas não do seu portefólio, pois a vida continua para lá desta etapa, para lá do Natal e para lá do virar de mais um ano.

Isabel Moio –  Técnica de ORVC

 

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Ventos de mudança


“Boa tarde! Sou o assistente virtual em que posso ajudar?” este é o tipo de abordagem que encontramos com cada vez mais frequência nos mais variados contextos e que se tornou possível com o desenvolvimento da Inteligência Artificial. Esta é uma tecnologia em rápida evolução e cujo alcance é difícil de prever. Se este avanço desperta o fascínio e entusiasmo nalgumas pessoas, outras há que são bastante mais céticas ou preocupadas com as aplicações menos benéficas desta tecnologia. Foi sobre estes dilemas que se focou a apresentação realizada por S. na sua prova de certificação do processo RVCC, baseada na obra “Life 3.0” de Max Tegmark.

Uma coisa é certa, o progresso não se para e por muito que as máquinas se tornem mais inteligentes, dificilmente elas conseguirão substituir o ser humano. Pois mais do que as nossas capacidades cognitivas, são as emoções e afetos que melhor nos caracterizam. Por outro lado, estas mudanças exigirão de nós uma grande resiliência e competência de adaptação. E S. é um exemplo dessas aptidões, habituada aos desafios, a candidata possui o espírito de guerreira, recusando-se a baixar os braços face às adversidades. Determinada a retirar o máximo de aprendizagens de cada experiência, batalhava para encaixar as sessões na sua agenda lotada. O Teams foi um verdadeiro aliado nesta demanda. Descrevendo a sua história como estando no “Olho do Furacão”, por muito que os ventos assobiem, S. soube sempre fazer a sua voz ser ouvida. E é essa essência determinada que lhe permitiu manter-se firme e focada naquilo que realmente era importante para si.

Terminado este processo, a candidata destacou o quão gratificante foi a experiência, sentindo que retirou valiosas aprendizagens, nomeadamente na sua capacidade de expressão, identificando um aumento da sua confiança para escrever e falar.  Demonstrando gratidão pelo acompanhamento que encontrou neste Centro.

Espera-se que as competências desenvolvidas lhe permitam continuar o seu percurso e alcançar os seus objetivos.

Mikael Mendes – Técnico de ORVC

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Sons e Sabores da Interculturalidade


No passado dia 9 de novembro 2023, participei no convívio “Sons e Sabores da Interculturalidade” que decorreu no átrio da Escola Secundária de Pombal. Estiveram presentes os formandos de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências (RVCC), Educação e Formação de Adultos (EFA), e Português Língua de Acolhimento (PLA), níveis A1/A2 e B1/B2 (duas turmas de Português para estrangeiros, com cerca de 60 formandos).

O evento desenvolveu-se em dois momentos. No primeiro, depois da mensagem de boas vindas a todos por parte da coordenadora e de uma apresentação mútua dos presentes, a professora bibliotecária apresentou a personagem Pantagruel, do escritor François Rabelais (século XVI). Estava decifrado o enigma do cartaz da atividade que representava um rosto enorme no fundo de um prato e também estava explicada a origem do nome do chocolate de culinária “Pantagruel” bem como do livro de receitas. Esta personagem era um gigante glutão que representa o exagero e o desperdício alimentar. Assim, a docente chamou a atenção para que não se coma em demasia, não só por razões de saúde mas também porque enquanto uns comem exageradamente, há outros que passam fome.

Foi o apelo para a atenção ao outro que serviu de transição pata a leitura e a representação da lenda de São Martinho, que gostei muito. Destacou-se a leitura expressiva da formanda do curso e apreciei os pormenores da caracterização das personagens.

Seguiu-se, a interpretação de várias canções de formandos que divulgaram músicas típicas dos seus países de origem. A tecnologia permitiu que um casal que se encontra de momento na sua terra natal nos brindasse com uma canção tradicional francesa. Foi um momento de partilha de boa disposição e de confraternização.

Depois do espetáculo, dirigimo-nos para outra sala (passerelle) onde estavam mesas com as iguarias (salgados e doces) dos vários países representados por bandeiras coloridas. Foi o momento para todos nós apreciarmos estas especialidades muito saborosas e para convivermos uns com os outros.

Esta festa proporcionou o contacto com pessoas de várias nacionalidades (ucranianos, brasileiros, indianos, colombianos, venezuelanos, franceses …) e a degustação de pratos típicos dos diversos países de origem. Gostei imenso da festa e da interação com os outros colegas. Foi um momento muito agradável e de muitas aprendizagens, pois estivemos em contacto com culturas diferentes da nossa. Gostaria que se repetissem convívios como este!

Cassilda Fernandes – Candidata do processo RVCC

Testemunhos de formandos do PLA – nível A1

” A vossa paixão por ensinar Português e fomentar a interação cultural uniu os alunos de todo o mundo numa bonita celebração da diversidade. Obrigado por organizarem uma noite inesquecível de cantigas, boa comida e celebração cultural. A alegria coletiva que partilhámos permanecerá em memórias acarinhadas por todos. Muito obrigado.”
Johan Barnard
“Muito obrigado pela festa da semana passada. Gostei muito. Agradeço todo o trabalho. A apresentação era boa e a comida ainda melhor. Obrigado por nos fazerem sentir bem-vindos.”
 Jan Krynauw
” No dia 9 novembro, houve uma celebração maravilhosa, “Sons e Sabores”. A festa uniu as pessoas e as suas culturas. A atmosfera foi acolhedora e bonita. Performances fantásticas e variedade de comida deliciosa! Muito obrigada aos organizadores do evento!”
Elena Zhuikova
“Foi simpático representar as comidas típicas e foi bom conversar com pessoas de outros países. Foi a primeira vez que subi ao palco para cantar. Obrigado por esta oportunidade!”

Binod Pariyar

“Gostei muito das músicas e do teatro. Obrigado, foi uma noite muito interessante.”
Susan Shrestha
Testemunhos de formandos do PLA – nível B1

Foi uma festa maravilhosa e uma oportunidade de comunicar e conhecer a cultura e a gastronomia de diferentes povos. Gostei muito da representação e do carinho demonstrado pelas professoras desta escola, unindo pessoas completamente diferentes. Obrigada!

Anna Romashchuk

A festa da Interculturalidade na escola foi muito simpática. Gostei muito do espetáculo sobre a Lenda de São Martinho e da história de Pantagruel. Cada formando trouxe um prato de comida e havia diversidade de sabores. Para mim, foi uma noite muito agradável. Podemos repetir!

Maria Franja

Fiquei agradavelmente surpreendida com a Festa da Interculturalidade. Os participantes tiveram um bom desempenho. Foi uma festa maravilhosa para mim. Já há muito tempo que não recebia tantas emoções positivas. Estou feliz por também ter participado!

Iryna Sydorenko

Eu gostei muito de ter a oportunidade de conhecer diferentes culturas na festa da Interculturalidade onde contactámos com música, teatro e comidas representativas de cada país. Fico muito agradecida e acredito que foi um dia muito bom.

Daniela Sanchez

Uma mistura incrível e excelente de cultura, conhecimento e alegria. Foi uma experiência cheia de felicidade, valores, sons e sabores!

Victor Loureiro

 Foi um dia agradável. Gostei muito de conhecer diferentes culturas e comidas. Também gostei de partilhar e de conviver com os meus colegas. Deviam repetir! Obrigada!

Frenesi Gonzalez

Porque Dia Nacional do Formador… é todos os dias!


No dia 18 de novembro de 1994 foi publicado o Decreto Regulamentar n.º 66/1994, que pela primeira vez regulamenta o exercício da atividade de formador no âmbito da formação profissional inserida no mercado de emprego, tendo posteriormente sido instituído esse mesmo dia, de forma simbólica, como o Dia Nacional do Formador.

Foi no contexto de reconhecimento destes profissionais que, nos dias 17 e 18 de novembro de 2023, se realizou o XI Encontro Nacional de Formadores subordinado ao tema “Ninguém aprende de trombas. A Felicidade, o Prazer e a Diversão na Aprendizagem”. Este Encontro constituiu-se, uma vez mais, como um espaço de partilha e de colaboração dos diferentes profissionais da formação provenientes de distintos setores de atividade, vendo-a como um alicerce estruturante da aprendizagem ao longo da vida.

Durante o evento foi possível apr(e)ender com os testemunhos dos vários oradores cujas intervenções se focaram em conceitos tão diversos como complementares e também comuns ao mundo da formação, tais como empatia, vontade, sentido e liberdade. Do Genially às diferenças entre o ensino e a aprendizagem, dos vértices do triângulo pedagógico ao design na atividade formativa, da neurobiologia da felicidade às pontes que a Escola da Ponte concretiza, da felicidade e do bem-estar nas escolas à Associação Happy Schools Portugal… a transversalidade da riqueza concetual aplicada também à atividade formativa foi, de facto, o denominador comum.

Se a formação ocorre em distintos setores, os Centros Qualifica não são exceção, uma vez que enquanto porta de entrada para todos os que procuram uma qualificação escolar e/ou profissional, são também um importante mecanismo de capacitação e de promoção da autodescoberta de quem a eles se dirige. E, mais concretamente no processo de RVCC, também aqui todos somos formadores, pois não são raras as vezes em que os candidatos confidenciam que aprendem com os Formadores, mas também com os Técnicos… e para a construção desse caminho não há “o” Dia do Formador, porque todos os dias o são.

Isabel Moio – Técnica de ORVC

Quotidianos Femininos durante o Estado Novo


No dia 14 de novembro 2023, associámo-nos aos formandos do curso EFA na sua Atividade Integradora, “Desafios das novas dinâmicas e estilos de vida na sociedade atual” e estivemos no auditório Dra Gabriela Coelho para assistir a uma conferência sobre “Quotidianos Femininos em Portugal – 1930 – 1950”.

A professora Maria Alice Guimarães, professora de história na nossa escola, começou por apresentar fotografias da exposição “Mundo Português” que decorreu junto ao Tejo, em junho 1940. Enquanto a Europa estava em guerra, em Portugal, celebrava-se o colonialismo. Esta data recordava a fundação de Portugal (1143) bem como a Restauração da Independência em 1640. O evento foi um ponto alto da Propaganda levada a cabo por António de Oliveira Salazar.

A professora socorreu-se também de “A Lição de Salazar”, cartaz de uma série editada em 1938 pelo Secretariado da Propaganda Nacional, a fim de ser comentada pelos Professores nas escolas primárias. Com o objetivo de ilustrar a trilogia “Deus, Pátria e Família”, no centro de uma cozinha, aparece em destaque um crucifixo pousado numa cómoda, a dona da casa está metida na lareira a cozinhar, a sua filha está rodeada de alguns brinquedos e o filho está vestido com a farda da mocidade portuguesa. Os olhos estão postos no pai que está a regressar do trabalho do campo. Pela janela, vê-se um castelo medieval com a bandeira hasteada, símbolo da nação.

As famílias eram numerosas pois como não havia reformas, os filhos ajudariam no sustento da casa. Imperavam altas taxas de mortalidade infantil (150%) em parte pelo excesso de trabalho e falta de assistência materno-infantil. A ideologia vigente atribuía esta assistência  à iniciativa particular e considerava que esta devia ser prestadas no seio do lar. A OMEN – Obra das Mães pela Educação Nacional era responsável pela solidariedade com a oferta de berços, por exemplo.

Com recurso à leitura de alguns trechos, a professora clarificou que “à esposa cabia o dever de amparar e animar o marido, o irmão ou o filho; devia apresentar-se perante o homem frágil, humilde e delicada; a mulher era feliz quando vivia na tranquilidade do lar, quando educava os filhos e quando cultivava o seu jardim”.

Foi também apresentada uma cronologia da atribuição do direito de voto à mulher. Carolina Beatriz Ângelo foi a primeira mulher portuguesa a votar (1911). Valeu-se da interpretação da lei que permitia o voto aos chefes de família. Sendo ela viúva, exerceu esse seu direito, mas a lei foi rapidamente alterada para “chefe de família, homem”. Em 1931 o Dec-Lei nº 19 694 de 5 de maio atribuiu o direito de voto às mulheres detentoras de um curso secundário ou universitário. Em 1946, este foi alargado às chefes de família (divorciadas, viúvas e solteiras) que soubessem ler e escrever ou pagassem ao Estado uma quantia não inferior a 100$00 de impostos.  A lei Eleitoral nº 2317, de 26 de dezembro permitiu o alargamento do número de votantes  a todos os que soubessem ler e escrever e finalmente, em 1974 temos o sufrágio Universal com a Lei nº 621/74 de 15 de novembro.

A professora salientou também o elevado analfabetismo em Portugal. As mulheres, na sua maioria, estudavam apenas até à terceira classe e os homens faziam a quarta classe.

A Propaganda apostava também na divulgação de ementas numa altura  de baixos salários e de senhas de racionamento durante o período da guerra. De igual modo, a  moda adaptou-se aos tempos de escassez que se refletiu, por exemplo, nas saias mais curtas para poupar tecido.

Com imagens apelativas com destaque paras fotos de Maria Lamas com retratos das mulheres do povo do nosso país, a professora cativou todos os presentes. De modo particular, ajudou os candidatos com mais idade (candidatos do processod e RVCC) a compreenderem que as marcas do Estado Novo demoraram algum tempo a esbater-se. Foram muitas as partilhas das vivências que esta sessão suscitou sendo que todos começaram a trabalhar com 12, 13 anos e os percursos profissionais passaram, por exemplo, pela função de “sopeira” em Lisboa tal como acontecia nos anos 50.

Cristóvão, Isabel, Helena,  José e Raquel – Candidatos do processo RVCC

“Ensino Superior: um caminho possível” – Sessão de informação


Esta sessão tem como objetivos:

  • Apresentar a UAb, a oferta em termos de licenciaturas e formas de acesso;
  • Apresentar o Curso de Qualificação para Estudos Superiores;
  • Apresentar o Programa de preparação para exames M23.

O público-alvo são: adultos em formação nos Centros Qualifica, TORVC  e público em geral.

São parceiros desta sessão os Centros Qualifica dos Agrupamentos de Escolas de: Águeda Sul, Anadia, Lima-de-Faria de Cantanhede, Pombal, Sertã e Escola Técnico Profissional Sicó.

Pedimos que efetue a v/ inscrição através do link https://forms.gle/edtU4TX4Ww8rwuSP6

Dúnia Palricas – Coordenadora do Centro Local de Aprendizagem de Ansião da Universidade Aberta