Combate à desinformação climática – Sessão de sensibilização


No passado dia 29 de abril, o auditório do Agrupamento de Escolas de Pombal foi palco de uma sessão de esclarecimento e debate intitulada “Combate à Desinformação Climática”. Sessão, proferida pelas professoras Estefânia Ramos e Helena Lento, no âmbito da atividade integradoraEscolhas que transformam o futuro – sustentabilidade e ação na comunidade“.

Distinguir Factos de Mitos

A sessão começou por clarificar conceitos fundamentais, distinguindo o “estado do tempo” (fenómenos locais de curta duração) do “clima” (padrões de longo prazo, geralmente analisados em períodos de 20 a 30 anos). As docentes apresentaram evidências científicas irrefutáveis das alterações climáticas, como o aumento da temperatura média global, a acidificação dos oceanos, o recuo acelerado dos glaciares e a subida drástica do nível médio do mar.

A “Desordem da Informação”

Um dos pontos centrais da sessão foi a capacitação para identificar a “desordem da informação”. Foram exploradas as diferentes categorias de conteúdos enganosos, tais como:

  • Negacionismo Climático: Frequentemente associado a teorias da conspiração ou desconfiança na ciência.
  • Adiavelismo (Climate Delay): Publicações que, embora não neguem o problema, enfatizam os aspetos negativos das soluções para justificar a inação.
  • Greenwashing: A prática de fornecer informações falsas ou enganosas sobre os benefícios ambientais de produtos ou práticas corporativas.

Mãos na Massa: Ferramentas de Verificação

Através de atividades interativas com ferramentas como o Wooclap e o Mentimeter, explorámos estratégias práticas para não sermos enganados. Entre as dicas partilhadas, destacam-se a consulta de plataformas de fact-checking (como o Polígrafo ou o Observador), a realização de pesquisas inversas de imagens e a análise crítica de possíveis deepfakes gerados por inteligência artificial.

Para combater a propagação de mitos, as professoras sugeriram a técnica da “Sanduíche da Verdade”: começar por afirmar um facto correto, mencionar a informação incorreta sem a repetir excessivamente e terminar reforçando novamente a verdade.

A sessão terminou com um apelo à responsabilidade individual: ser um consumidor crítico da informação é a primeira linha de defesa para proteger as comunidades e o planeta.

Os formandos do curso EFA

Escolhas que Transformam o Futuro: Sustentabilidade e Ação na Comunidade Mesa Redonda (Atividade Integradora do curso EFA)


No passado dia 28 de abril, organizamos e participamos numa mesa redonda dedicada à aplicação prática da sustentabilidade. O evento, inserido na Atividade Integradora do nosso curso, Escolhas que Transformam o Futuro: Sustentabilidade e Ação na Comunidade contou com a presença de dois especialistas no Auditório Dra. Gabriela Coelho, da Escola Secundária de Pombal.

O Professor Mário Ferreira abordou a vertente da sustentabilidade escolar, sublinhando o compromisso da nossa escola com a eficiência energética e o papel ativo no Projeto Eco-Escolas. Percebemos que a escola tem um papel fundamental na formação de cidadãos conscientes e na transformação social. As ações desenvolvidas, com os alunos, são respostas concretas a problemas reais, como a compostagem, hortas biológicas e reciclagem que são ferramentas práticas de preservação ambiental integradas no nosso currículo.  Além disso, o nosso Agrupamento implementa medidas concretas de gestão de recursos, com especial destaque para a energia renovável, das quais salientamos: Energia Solar: a nossa escola conta com uma central fotovoltaica com potência de 100 Kw e possui painéis solares para o aquecimento de água nos balneários; Eficiência Energética: utilizamos lâmpadas LED, sistemas de controlo automático de iluminação e sinalética de sensibilização junto aos interruptores; Gestão de Água: instalamos torneiras com temporizador e adaptações (com garrafas de 1,5 litros) nos autoclismos para reduzir o volume de consumo.

Este esforço conjunto levou a nossa escola a conquistar o 3.º lugar a nível nacional na competição ECONET, provando que o caminho da sustentabilidade escolar é possível e necessário.

Por sua vez, o Engenheiro Nuno Elias focou-se na realidade local, explicando as estratégias e desafios de mobilidade urbana sustentável promovidas pelo Município no concelho de Pombal. Identificámos como uma preocupação central a necessidade de ajustar as rotas e horários do serviço Pombus às carências efetivas de todos cidadãos, de forma a garantir que o transporte público cubra todo o concelho de forma eficiente e inclusiva. No entanto, a baixa adesão em certas zonas — por vezes com apenas um ou dois passageiros — impede a existência de rotas fixas, dificultando a cobertura de todo o concelho.

Para nós, esta foi mais uma oportunidade de ligar a sala de aula ao mundo do trabalho e à cidadania ativa de forma a aprofundar conhecimentos sobre como a gestão ambiental e os transportes urbanos impactam diretamente o nosso dia a dia. Saímos destas atividades com a certeza de que a sustentabilidade se constrói com informação verdadeira, gestão inteligente de recursos e, acima de tudo, reforçámos a ideia de que escolhas informadas do hoje, são a base de um amanhã mais equilibrado.

Os formandos do curso EFA 2025/2026

Riscos e Catástrofes Naturais. A Tempestade Kristin


No passado dia 26 de março, no Auditório Dra. Gabriela Coelho, realizou-se uma palestra dedicada ao tema dos Riscos e Catástrofes Naturais, com especial destaque para a tempestade Kristin, que assolou o nosso concelho. O evento contou com a presença do coordenador da Proteção Civil de Pombal, Engenheiro Hugo Gonçalves, como convidado. A sua intervenção trouxe um contributo extremamente relevante e esclarecedor, nomeadamente, no papel fundamental da Proteção Civil na gestão deste tipo de ocorrências.

Ao longo da sessão, foram abordadas diversas questões relacionadas com a prevenção, preparação e resposta a situações de emergência. A análise da tempestade Kristin permitiu compreender melhor os desafios enfrentados no terreno, bem como a importância de uma atuação rápida, coordenada e eficaz por parte das entidades responsáveis.

O papel da Proteção Civil foi amplamente discutido, evidenciando-se não só a sua capacidade de resposta em momentos críticos, mas também o trabalho contínuo de sensibilização e planeamento que muitas vezes passa despercebido. Ficou claro que a segurança das populações depende, em grande medida, da articulação entre diferentes agentes e da consciencialização coletiva para os riscos existentes.

Durante a palestra, foram colocadas algumas questões pertinentes por parte dos presentes, gerando momentos de reflexão e partilha bastante enriquecedores. No entanto, ficou também a sensação de que muitas mais perguntas poderiam ter sido feitas, tal era a relevância e atualidade do tema.

Tratou-se, sem dúvida, de uma noite agradável, marcada pela aprendizagem e pela troca de conhecimentos, que contribuiu para um maior entendimento sobre a importância da Proteção Civil e da preparação para situações de risco. Uma iniciativa, organizada pelos formandos do Curso EFA 2025/2026, que deixou certamente todos os presentes mais conscientes e informados.

Formandos Curso EFA

Invasão na Derovo


No âmbito da Atividade Integradora, os formandos do Curso EFA (Educação e Formação de Adultos) da Escola Secundária de Pombal realizaram uma visita de estudo à Derovo Group, em Pombal, integrada na temática do Ambiente e Sustentabilidade.

Esta atividade teve como principal objetivo promover a ligação entre as aprendizagens desenvolvidas em contexto de sala de aula e a realidade do tecido empresarial, permitindo aos formandos contactar diretamente com práticas industriais, processos produtivos e estratégias de sustentabilidade. Como refere um dos formandos: “É interessante entender como uma fábrica de ovos funciona.”

Os formandos do Curso EFA

A mais bela de todas as conquistas


Há vitórias que não se anunciam com estrondo. Chegam devagar, como chega a manhã depois de uma longa noite de introspeção: quase em silêncio, mas no passo firme. E foi com essa firmeza que no dia 31 de março de 2026 se celebraram no Centro Qualifica cinco vitórias em que cada uma trouxe mais do que conhecimentos: noites mal dormidas, dias curtos, dores antigas e responsabilidades adiadas.

Um carpinteiro, uma doméstica, uma ajudante de cozinha, uma operária fabril e uma ajudante de lar encerraram uma etapa do seu percurso formativo para poder abrir outras. Em comum? O poder das mãos que constroem, que limpam, que cozinham, que montam e que cuidam. E foi com essas mesmas mãos que também vieram até nós para escrever o futuro.

Diz-se que o valor de um caminho não está apenas no destino, mas na transformação interior que exige e nenhum destes candidatos chegou a este momento igual ao que era quando começou o processo de RVCC. Provaram a si mesmos que a condição humana é feita da espantosa capacidade de resistir, de crescer e de se reinventar e afirmaram que o conhecimento, quando conquistado com sacrifício, tem o peso das coisas verdadeiramente merecidas.

Prestar uma prova é sempre um privilégio porque não é todos os dias que se tem um júri centrado no trabalho de cada candidato, depositando todo o respeito e reconhecimento em cada um que, de pé perante olhares imparciais, defende o que tão bem sabe. Houve sacrifícios e responsabilidades ficaram presas num limbo entre o dever (como pais, mães, encarregados de educação, trabalhadores) e a valorização pessoal (porque entre todos aqueles papéis, muitas vezes esqueciam-se de se darem a si próprios).

Se a sociedade muitas vezes gosta de recordar às pessoas de onde vêm, a Educação oferece-lhes a possibilidade de escolher para onde vão e quem foi capaz de atravessar este caminho formativo descobriu dentro de si algo irreversível: a certeza de que é capaz. E esta talvez seja a mais bela de todas as conquistas.

Isabel Moio – Técnica dde ORVC

Das raízes aos horizontes


No passado dia 26 de março, cinco candidatos obtiveram a certificação do 9.º ano de escolaridade, através do Processo de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências, resposta formativa que dignifica os seus percursos de vida, as suas escolhas e os seus caminhos.

Embora sem antecipar uma ligação racional entre os temas que apresentaram na sessão de júri de certificação, os cinco percursos entrelaçaram-se como capítulos de uma mesma narrativa humana, onde o passado se ancora na identidade e o futuro se projeta em autodescoberta.

O M. começou por descrever a ligação às suas raízes através da participação num rancho folclórico ao qual pertence há cerca de 50 anos, criado após o 25 de Abril de 1974, marco que trouxe a liberdade de associação e de fruição e criação cultural que, antes dessa data, não faziam parte do quotidiano.

O N. viajou do seu país de origem, a Rússia, há 26 anos, movido pela curiosidade e pela aventura. Conheceu um Portugal que se preparava para receber o Campeonato Europeu de Futebol, EURO2004, e não quis mais sair do país que tão bem o acolheu. Aqui constituiu a sua família e sedimentou a sua vida, trilhando agora um caminho de reconstrução da sua habitação que reafirma o seu enraizamento – projeto que apresentou na sua prova de júri –, numa procura incessante por melhores condições de vida, conforto, modernização e funcionalidade.

A T. deixou também as suas origens na Ucrânia e identificou em Portugal as condições em que pretendia prosseguir o seu rumo e nas quais tencionava cuidar dos seus filhos e educá-los. Integrou-se ativamente nas novas raízes, ampliou a sua rede relacional e envolveu-se no associativismo local aliando-se a um dos maiores clubes do concelho. O seu caminho evidencia que criar raízes vai além do espaço privado, pois estende-se ao envolvimento nas dinâmicas associativas, ao contributo para o coletivo e ao sentido de pertença.

A Y., vinda também da Ucrânia há praticamente tantos anos como T., escolheu Portugal para continuar a escrever a sua história de vida. Experimentou vários trabalhos e com nenhum se identificou. Um dia, algures em 2022, contactou com a cravação de pedras preciosas e na precisão da função, também ela se foi moldando e encontrando brilho e identidade no que sente como uma arte na qual o seu quotidiano se enraizou.

Por fim, o F. perspetivou novos horizontes que o seu gosto por viagens pretende ainda conhecer, tendo a sua apresentação aberto a perspetiva para o mundo e lembrado que crescer implica precisamente o que N., T. e Y. fizeram: partir, explorar o novo e transformar-se. Se as apresentações anteriores focaram a fixação e o sentimento de pertença, esta primou pela expansão e pela descoberta, pois não há crescimento sem raízes, nem futuro sem horizonte.

Foi assim que entre o chão que sustenta e o céu que chama, se desenhou um percurso simbólico: das raízes que definem aos caminhos (re)construídos, sem descurar os horizontes por explorar. São histórias de quem chegou, ficou, construiu, reinventou e continua a sonhar. Em comum? A passagem pelo Centro Qualifica vendo neste o ponto de partida para o percurso formativo que lhes fortaleceria a valorização pessoal e a obtenção de um comprovativo de escolaridade, pois foi aqui que cada um transformou a sua experiência de vida em reconhecimento formal, dando um novo valor às suas raízes e abrindo caminho a novos horizontes.

 

Isabel Moio – Técncica de ORVC

(Des)Informação em Rede


A perceção da realidade tem sido profundamente afetada pelo desenvolvimento tecnológico, sobretudo com o surgimento da internet e a massificação das redes sociais. Num mundo permanentemente interligado, os dados fluem a alta velocidade, permitindo o acesso, em meros segundos, a relatos de acontecimentos do outro lado do planeta. Apesar de este fluxo de informação parecer anunciar a chegada da chamada Era do Conhecimento, rapidamente percebemos que tal poderá não passar de uma ilusão.

Pelas mesmas vias circulam tanto factos comprovados como mentiras fabricadas, sendo a linha que os separa cada vez mais ténue. A desinformação, por si só, já constitui um perigo, porém, quando é instrumentalizada para mobilizar massas com fins nefastos, as consequências podem ser devastadoras.

Foi este o alerta que a candidata ao processo RVCC de nível secundário nos trouxe no dia 19 de março de 2026, através de uma apresentação[1] baseada no livro “Protocolo Caos”, de José Rodrigues dos Santos.

A candidata iniciou a sua exposição com a apresentação da obra e do seu autor, fazendo uma breve sinopse das três narrativas que se entrecruzam no livro. Referiu ainda Aleksandr Dugin e a influência da sua filosofia na política russa. Seguidamente, enumerou situações em que o governo russo terá interferido na política internacional, nomeadamente através da influência exercida nas redes sociais.

Explicou de que forma estas plataformas podem ser utilizadas como um verdadeiro campo de batalha, onde a desinformação explora medos preexistentes, alimentando preconceitos e acentuando divisões sociais. Apresentou também dois exemplos concretos dos efeitos nefastos das notícias falsas: o caso Pizzagate e a perseguição aos rohingyas em Myanmar.

Concluiu a sua exposição destacando o potencial da Inteligência Artificial na disseminação de desinformação, nomeadamente através da criação de deepfakes.

 

Mikael Mendes – Técnico de ORVC

[1] https://gamma.app/docs/Protocolo-Caos-ob4mdwj76w9na3a

Visita de Trabalho Erasmus+ K122-ADU no Centro Qualifica


Entre os dias 10 e 12 de março, o Centro Qualifica recebeu a visita de dois professores espanhóis, oriundos da Galiza, no âmbito do programa Erasmus+ K122-ADU, promovendo a partilha de experiências e o reforço da cooperação europeia na área da educação de adultos.

Os participantes desta mobilidade foram Tito, professor do Ensino Secundário, especializado em Língua Galega, e Conchi, professora do Ensino Básico. Desde o primeiro momento, destacaram-se pela sua enorme simpatia, espírito de partilha e interesse genuíno em conhecer e aprender com a realidade do nosso Centro, o que contribuiu para um ambiente de grande proximidade e colaboração.

O foco principal da visita foi o Processo de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências (RVCC). Os docentes puderam observar as diferentes etapas do processo, compreender o seu funcionamento global e aprofundar o conhecimento sobre este modelo, inexistente no seu contexto educativo de origem.

Acompanharam o trabalho quotidiano do Centro Qualifica, incluindo sessões de diagnóstico e a observação de sessões de Reconhecimento de Competências e de Formação Complementar onde puderam conhecer as metodologias utilizadas e interagir com formadores e formandos.

No decurso da visita, tiveram ainda a oportunidade de assistir a uma sessão de júri de certificação, momento central do processo, que lhes permitiu compreender os critérios de avaliação e a importância do reconhecimento formal das competências adquiridas ao longo da vida.

Outro dos aspetos relevantes da visita foi a partilha de estratégias de prevenção do absentismo escolar. Os participantes tiveram a oportunidade de identificar recursos e práticas adotadas pelo centro para promover a motivação e o envolvimento dos adultos em formação.

Esta experiência revelou-se extremamente enriquecedora para ambas as partes, reforçando a importância da cooperação europeia na melhoria contínua das práticas educativas e na valorização da aprendizagem ao longo da vida.

Cristina Costa – Coordenadora   Qualifica

Campo de Jogo


A J. entrou em campo como quem inicia uma nova missão e, ao longo do Processo de RVCC revelou uma atitude atenta, como um jogador que sabe que cada novo desafio requer planeamento e atenção aos detalhes.

Começou por ter sessões à noite, mas rapidamente observou o terreno e compreendeu que este horário seria um obstáculo. Ainda assim, não recuou nem desistiu – ajustou a estratégia, mudou o ângulo, passou a ter sessões durante o dia e prosseguiu. Tal aconteceu porque Equipa do Centro não ficou indiferente aos seus constrangimentos e de imediato estudou alternativas para lhe apresentar soluções, pois numa modalidade formativa que se pauta pela flexibilidade, seria impensável também esta não ler o mapa para definir uma forma diferente de atuar, ajustada às necessidades do público-alvo.

À semelhança das rápidas mudanças que ocorrem num campo de jogo, a J. conseguiu manter o foco no objetivo de chegar ao momento da certificação, que aconteceu no dia 12 de março de 2026, e superou-se com foco no terreno e leitura cuidada de todos os desafios que lhe foram propostos pela Equipa nas várias áreas de competências-chave. Sempre que era necessário recentrar, abrandava para puxar o referencial, permitindo-lhe compreender melhor o caminho percorrido e o que ainda faltava.

Ao longo dos meses, a J. calcorreou este campo com consistência e sacrifício pessoal, alcançando um resultado que derivou de todo o trabalho construído em formação complementar e durante a elaboração do seu portefólio. Com esta missão cumprida, muitas outras, novas, surgirão para desafiar quem está habituado a ler mapas do jogo que é estar aqui e agora e estudar alternativas de readaptação para cumprir os desígnios aos quais se propõe.

Isabel Moio-Técnica de ORVC

O Valor do Cuidado


Já no século XVII, John Donne escrevia que “Nenhum homem é uma ilha isolada”. A verdade é que o ser humano é um ser eminentemente gregário, que precisa da relação afetiva e de apoio dos outros humanos. Mesmo que a sociedade esteja cada vez mais individualista, essa necessidade de ligação não desaparece. Ora a candidata, que se apresentou para júri de certificação do processo de RVCC de nível secundário a 26 de fevereiro de 2026, é um elemento ativo da sociedade para o combate à solidão.

Enquanto cuidadora informal, ela conhece a importância de ser a mão que suporta e apoia o outro quando está frágil. Paralelamente, o seu papel enquanto mãe esteve sempre presente ao longo da sua vida. Por ter dado tanto, foi com naturalidade que algumas palavras de gratidão da sua filha surgiram no dia da certificação para descrever a sua mãe: “Como uma árvore em solo duro. Quando lá foi colocada na terra seca e cheia de pedras para criar raízes, a árvore teve de forçar caminho, onde nada parecia ceder. (…) Cresceu aos poucos, sob sol intenso e chuvas escassas, mas nunca deixou de crescer. Com o tempo, o tronco tornou-se forte para sustentar três ramos principais, os seus filhos, oferecendo sombra, alimento e abrigo. Mesmo cansada, a árvore estende os galhos para além de si, protegendo quem passa por baixo, porque cuidar dos outros já faz parte da sua natureza”.

Esta dimensão de cuidado e atenção ao outro reflete-se também na forma como estruturou a sua apresentação[1].

Começou assim por apresentar o filme “V de Vingança”, que é uma adaptação de uma novela gráfica. Com um pequeno excerto do filme, explicou de que forma o ditador tinha subido ao poder na realidade distópica retratada na obra. Evidenciou os mecanismos de controlo, quer através da comunicação social, quer com recurso às forças de autoridades, os “homens dedo”. Prosseguiu mencionando a proibição da cultura e a doutrinação ideológica dos mais novos. Utilizou um excerto do filme para demonstrar como era feita a perseguição às minorias. Referiu a origem histórica da máscara de Guy Fawkes, a sua simbologia e utilização por grupos ativistas. Comparou a ditadura do filme com o período do Estado Novo. Concluiu expondo a relevância deste filme na atualidade, analisando o caso concreto dos EUA e da governação de Donald Trump.

[1] https://gamma.app/docs/V-de-Vinganca-Ditadura-Opressao-e-Resistencia-ndhzorgqwd5kjuo

Mikael Mendes – Técnico de ORVC