No dia 21 de julho, a partir das 20:00 horas, vivia-se um ambiente de Festa na nossa escola. O motivo era o sucesso alcançado por 66 adultos no seu percurso formativo.
De setembo 2022 a julho 2023, realizaram-se 15 certificações no RVCC de nível básico e 9 de nível secundário, mas igualmente 15 certificações totais no curso EFA e 27 nos cursos de PLA (Ai/A2 e B1/B2).
O professor Jorge Ventura, professor de Inglês na nossa escola, com o seu grupo de música popular – Emcantos – deu o mote à nossa noite. Como é importante determo-nos na contemplação da nossa identidade, deixarmo-nos encantar e sermos ponte, levarmos ao outro, com alegria, aquilo que é valioso para nós.
Os percursos formativos dos nossos adultos foram, também eles, tempos privilegiados para a reflexão, a contemplação dos caminhos percorridos e um olhar crítico de análise da realidade. Foram tempos de autoconhecimento e de relação de confiança mútua crescente entre formando e formador, de aprendizagem tanto para o formando como para o formador.
Citando José Barata Moura, “Não faz mal nenhum que a gente de habitue a pensar. Ouvindo os outros. Conversando com eles. Olhando à volta com olhos de ver. Indo à descoberta de como é que as coisas são e de como funcionam. De como é que nós vamos sendo, e de como é que funcionamos. É importante aprendermos a distinguir entre aquilo que existe mesmo e aquilo que apenas vive na fantasia. A imaginação transporta-nos para lá daquilo que existe. O que é muito bom. Ajuda-nos a perceber que as coisas, afinal, também podem ser de outros modos. Mas para que as coisas venham a ser de outra maneira, na nossa vida e na de todos, não basta a força de imaginar. É preciso trabalho. Junto com outros.”
Muito obrigada a todos os que se juntaram a nós e ajudaram na concretização desta noite de encontro, de valorização das particularidades do outro.
Muitos Parabéns a TODOS!
Cristina Costa – Coordenadora do Centro Qualifica
Português Língua de Acolhimento – Testemunhos
“Senti-me muito feliz por poder aprender português nesta escola no país do meu pai com outros formandos. A diversidade de nacionalidades do grupo foi importante para encontrar a diversidade do mundo. Os formandos foram simpáticos e o ambiente de trabalho foi divertido.
Gostei muito da dedicação da nossa professora em ajudar-nos a aprender.
Professora, obrigada por estar sempre presente para os seus alunos. Agradeço por ter tido a oportunidade de aprender consigo. A sua paciência, gentiliza, compreensão, tempo e energia ajudaram-nos a ter sucesso.
Obrigada por tudo!»
Marie-Odile Franja – Formanda do curso PLA A1 e A2
“Os cursos de Português Língua de Acolhimento, nível B1/B2, ajudaram-me muito a progredir, no dia a dia, tanto para as coisas básicas (ir às compras, conversar com os comerciantes, os vizinhos…) como para as tarefas mais complexas da administração por exemplo, e também profissionalmente.
Além disso, ganhei muitos amigos de todas as nacionalidades! Que oportunidade!
Tenho muita gratidão e recomendo vivamente a experiência!”
Adeline Gonçalves Domingues (França) – Formanda do Curso PLA B1 e B2
“Quando eu cheguei a Portugal, senti-me totalmente bloqueada para falar português. Só sabia dizer “Eu não sei falar muito bem português”. E dizem que o espanhol é muito parecido com o português, não é assim mas, neste curso, aprendi muito!
Hoje, posso dizer que me sinto mais confiante para iniciar uma conversa social e no trabalho.
Nós temos uma excelente professora, que nos ensinou de uma forma muito paciente e com a melhor pronúncia para nós aprendermos.
Estou muito grata.”
Caterine Rojas Saenz (Cali – Colômbia) – Formanda do curso PLA B1 e B2
Desacelerar para avançar
A vida ensina que nem sempre se deve acelerar para avançar. A candidata que obteve a certificação de nível B3 no dia 19 de julho de 2023 é prova viva disso. Apesar de ter iniciado processo de RVCC em maio de 2022, apenas naquele dia o concluiu porque, nesta janela temporal, deparou-se com dinâmicas de vida pessoais e familiares que exigiram mais da sua presença e da sua dedicação.
Numa fase inicial, chegou a comparecer a sessões de manhã e de tarde ou de tarde e de noite, o que exigiu de si uma mais apurada gestão de tempo quando, na altura, deixava a sua filha mais nova, com apenas dois meses, a chorar ao colo da sogra, um dos seus portos de abrigo. Se em “dois minutos” pensava que “já escrevi tudo”, gradualmente foi ultrapassando as dificuldades que encontrava sobretudo na Matemática e no Inglês e conseguiu cumprir um novo patamar de qualificação.
Durante estes meses, a candidata sentia que devia uma explicação quando não podia comparecer, o que demonstra a seriedade com que assumiu este propósito de vida. A equipa ouviu-a e respeitou os seus tempos, compreendendo também que a sua sessão de júri seria mais uma vitória dentro da vitória que já lhe era o processo.
Requereu uma presença quase sistemática ao seu lado, inclusive para a ajudar a abrandar o ritmo, a pensar e a ponderar – papel também desempenhado pelos sinais de pontuação, que tinha dificuldade em utilizar, tal a impulsividade. E foi assim que reconheceu que para subir degraus mais altos ou até desnivelados é necessário, por vezes, desacelerar na vida para, então, poder avançar com passo mais firme e seguro.
Isabel Moio – Técnica de ORVC
Seminário de Educação de Adultos
No dia 7 de julho de 2023 decorreu o IX Seminário Nacional e I Seminário Internacional de Educação de Adultos, promovido pela APEFA – Associação Portuguesa de Educação e Formação de Adultos, subordinado ao tema “Cidadania e Multiculturalidades”. Este momento formativo pretendeu contribuir para uma discussão sadia e um debate informado em torno da Educação e Formação de Adultos ao longo (e em todos os espaços) da vida, determinante para a construção de um Portugal empreendedor, desenvolvido, solidário e mais humanizado. Para tal, reuniu um conjunto de palestrantes diversificado que incluiu investigadores e operadores responsáveis (técnicos e políticos) no campo da Educação de Adultos que ajudaram a refletir e a empreender nesta missão que, sendo local, é global e uma tarefa e responsabilidade de todos.
Assim, nas duas mesas temáticas foram debatidos aspetos prementes relacionados com as políticas públicas de Educação de Adultos, quadro comunitário, instrumentos e formas de operacionalização das práticas. Destacou-se que antes de se olhar para qualquer meio de financiamento deste tipo de políticas públicas, é determinante definir o que realmente se pretende alcançar na década 2020-2030 e quais os objetivos nacionais e regionais, pois apenas dessa forma se pode efetivamente trabalhar para a coesão territorial.
Tendo as metas da Educação de Adultos sido articuladas com o Pilar dos Direitos dos Direitos Sociais, carecem de apoio de toda a sociedade portuguesa, de modo a alavancar todo o esforço encetado. Neste sentido, urge envolver todos os agentes, desde autarcas a profissionais, que devem estar cientes da importância de investir nesta área e de esboroar fronteiras dos modelos clássicos, de modo a implementar ruturas que nunca foram feitas e encontrar convergências territoriais e inovadoras.
Isabel Moio – Técnica de ORVC
Cerimónia de Entrega de Diplomas
Vimos, por este meio, convidar V. Ex.ª para a sessão de entrega de certificados e diplomas aos candidatos que, no ano letivo 2022/2023, investiram no seu percurso de qualificação tendo concluído Processo de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências (níveis básico e secundário) e Cursos de Educação e Formação de Adultos e Português Língua de Acolhimento.
A sessão decorrerá no dia 21 de julho, pelas 20.00 horas, no espaço exterior da Escola Secundária de Pombal.
Cristina Costa – Coordenadora do Centro Qualifica
A arte de crescer
Apesar das diferenças de personalidade e percurso dos dois candidatos que se apresentaram, no dia 18 de julho de 2023, à sessão de júri de certificação para concluir o ensino secundário, cada um encontrou uma forma de arte que os move. Se S. sempre foi apreciadora da animação japonesa (anime), para J. é a música que melhor o preenche. Estes interesses permitiram-lhes tornar cada portefólio ainda mais único e representativo da sua individualidade.
Para S. todo o processo serviu para (re)escrever a sua história, pois durante anos andou convencida que o ensino secundário era um capítulo encerrado. Nem sempre foi fácil conciliar a incerteza do trabalho, as responsabilidades familiares e as exigências do processo, mas sempre que conseguia disponibilidade empenhava-se no cumprimento dos compromissos assumidos, quer fosse vindo ao Centro, quer fosse desenvolvendo trabalho em autonomia.
Também para J. o caminho foi exigente, pois o trabalho por turnos obrigava a algumas afinações e os seres oníricos exigiam protagonismo. Lutando para manter os olhos abertos, continuava a construir o seu portefólio. Na reta final a ambivalência tomava forma, se por um lado referia valorizar este processo, por outro já acusava algum cansaço face à necessidade de ajustar horários.
Contornando todas as dificuldades e traçando o seu próprio caminho, os candidatos obtiveram sucesso no desafio a que se tinham proposto. E se S. dizia “aprendi mais durante este processo do que quando estudava de dia”, já J. reconhecia que “apesar do cansaço, vou ter saudades de vir todas as semanas às sessões”.
Mikael Mendes – Técnico de ORVC
Volta ao mundo em 80 segundos
Em 1983, Júlio Verme apresentava uma viagem pelo globo na sua obra “Volta ao Mundo em 80 dias”. O mundo mudou muito desde então, sendo que assistimos à rápida evolução das tecnologias que nos obriga a adaptarmo-nos a todo o momento. Se por um lado cresce a quantidade de equipamentos e inovações que simplificam o nosso quotidiano, inversamente diminui a distância que nos separa. Tudo parece quase instantâneo e cria-se a ilusão que o outro lado do mundo fica ao virar da esquina. Em menos de oitenta segundos é possível ligar-se a qualquer parte do mundo. Todas estas mutações exigem cada vez mais a capacidade de nos adaptarmos aos acasos da vida, pois como dizia o filósofo Séneca “a Sorte é o que acontece quando a oportunidade encontra alguém preparado”.
Assim serendipidade foi o traço que caracterizou o percurso de A. que soube transformar as incertezas da vida em oportunidades de crescimento. Natural do Brasil, foi em Portugal que decidiu aumentar a sua escolaridade através do processo RVCC.
Se para A. Portugal foi o destino, para C. seria apenas o ponto de partida. Levado pelas responsabilidades profissionais, C. viajou pela Índia, mas foi na China que encontrou o seu pouso. Habituado a desafiar os limites, este candidato não deixou que a distância o intimidasse, nem que a Muralha da China o contivesse. Com um desfasamento de oito horas foi construindo o seu portefólio e graças à plataforma TEAMS pôde estar virtualmente presente para a sessão de júri de certificação.
A conclusão desta etapa para estes dois candidatos, nos dias 6 e 7 de julho, é apenas a paragem de escala, antes de novos e mais altos voos, umas vez que ambicionam seguir para o ensino superior.
Mikael Mendes – Técnico de ORVC
Saber esperar…
…é uma virtude, diz-nos a sabedoria popular. E, no dia 22 de junho, na sessão de júri de certificação, foi possível verificar como histórias de vida e escolhas tão diferentes tiveram este lema como denominador comum, além dos receios de voltar a uma escola sem ser para participar em reuniões como encarregadas de educação.
Se a R. tinha noção de que as letras iriam causar-lhe entropia, já para a C. esse papel seria assumido, sobretudo, pelos números. Estavam assim encontradas, à partida, duas das áreas mais desafiantes: Cultura, Língua e Comunicação e Matemática, Ciências e Tecnologia.
Foi preciso saber esperar para perceber que, hoje, a idade é outra e a forma de assimilar conteúdos e acondicioná-los nos existentes também é diferente. Aos poucos, a C., habituada a conviver com duas vozes dentro de si – uma que tenta travá-la e fazê-la não acreditar que consegue alcançar os seus objetivos e outra que lhe diz para confiar e seguir em frente –, aprendeu a geri-las e a dar mais importância à que a encoraja. Já a R., tão dedicada nos seus poucos tempos livres ao cultivo do seu terreno e conhecedora das suas necessidades, soube durante o processo de RVCC deitar a semente à terra, regar e cuidar para lhe ser possível colher o tão esperado fruto.
Nem sempre é fácil saber esperar, sobretudo num mundo em que tudo acontece tão depressa, em simultâneo e em que tanto se pretende instantaneamente. Saber esperar é uma virtude que nos protege e fortalece diante de adversidades e ajuda a agir com um propósito de vida. Embora a espera por vezes possa ser longa, é importante não abandonar com antecedência os objetivos e esperar vivendo e não apenas esperando… e foi precisamente isso que a C. e a R. fizeram antes de tomarem a decisão de entrar pela porta do nosso Centro Qualifica.
Isabel Moio – Técnica de ORVC
À conversa com… Licínio Lima
“À conversa com…” é um ciclo de conversas espontâneas sobre Educação de Adultos, em que os entrevistados não conhecem de antemão as questões em debate. Trata-se de uma iniciativa conjunta entre o Centro de Investigação em Educação de Adultos e Intervenção Comunitária (Universidade do Algarve), o Centro de Investigação e Intervenção Educativas (Universidade do Porto) e o Instituto Paulo Freire de Portugal.
No primeiro evento deste ciclo, no dia 24 de maio, foi dinamizada uma conversa com Licínio Lima, professor catedrático do Departamento de Ciências Sociais da Educação, do Instituto de Educação da Universidade do Minho, onde leciona desde 1981.
No decorrer da “conversa com…”, Licínio Lima destacou que há um discurso hiperbólico em torno da Educação de Adultos: tudo tem muita importância ou não tem importância nenhuma, o que tem levado a que, ao longo das últimas décadas, este tenha sido um campo de políticas e de ações muito intermitente. Não obstante o esforço encetado desde a ANEFA e prosseguido com a Iniciativa Novas Oportunidades e os Centros Qualifica, não existem políticas sistemáticas de Educação de Adultos em Portugal. Estas sempre foram fugazes, ao ponto de Licínio Lima considerar que hoje fala-se mais em capacitação, competências, formação profissional e qualificações do que propriamente em Educação de Adultos, embora reconhecendo o esforço e o mérito dos vários agentes que, no terreno, dão visibilidade a esta área.
Isabel Moio – Técnica de ORVC
Aprender com os mais jovens
No passado dia 30 de maio, no ginásio da Escola Secundária de Pombal, assisti à brilhante representação da peça de teatro baseada na obra “José, será mago?” de Mário João Alves.
Os alunos do 9º F, com o apoio de professorasAlexandra Goreti e Fátima Rodrigues, prepararam a peça com muita dedicação e representaram-na bem. Observei que tiveram de memorizar falas muito longas o que valoriza ainda mais o desempenho deles.
O escritor Mário João Alves escreveu esta peça de teatro para dar a conhecer e homenagear José Saramago, uma grande figura da nossa literatura.
O título do livro encerra uma pergunta “José, será mago?” à qual será respondida ao longo da peça. Como qualquer mago, José leva a vida a “maguear”, a ver o que os outros não veem, a saber explicar as coisas melhor e a prever o que é que vai acontecer. José tem o dom da palavra. As palavras são muito importantes porque, se forem bem intencionadas, podem ter o poder de nos abraçar, de nos beijar, mas há outras que são como “espadas”, que magoam muito, mesmo no fundo do coração!
Parabéns a todos os que contribuíram para a representação desta peça de teatro!
Rosinda Nogueira – Candidata do processo RVCC de Nível básico


