Escrever não é novidade para quem, perante duras batalhas, a dada altura decidiu ter chegado o momento de abrir gavetas, tirar tudo para fora e reorganizar para dar um significado maior, tendo publicado o livro ‘Eu contra o mundo’.
Apesar de a K. um dia ter sentido que estava contra o mundo, ou que o mundo estaria contra si, foi edificando o mundo que é, enquanto ser humano, cidadã e trabalhadora e resolveu-se de forma madura e responsável. Foi com este perfil, e com vontade de fazer diferente (e a diferença) no mundo, que se dedicou à conclusão do 9.º ano de escolaridade através do Processo de RVCC para, com este requisito nas mãos, poder inscrever-se num Curso EFA de Técnico de Serviços Jurídicos.
Aqui, não foi contra o mundo de nenhuma das áreas de competências-chave, tendo conseguido, sim, travar uma relação pacífica com cada uma delas, absorvendo o que de melhor lhe ofereceram, sobretudo a revisitação de conteúdos de cidadania, o desenvolvimento de novas competências digitais e o aprofundamento de pressupostos e raciocínios matemáticos.
O dia 20 de março de 2025 marcou a conclusão deste percurso formativo. Agora, com um novo mundo nas suas mãos, importa lembrar que a vida é um milagre aos olhos de quem a tem e a certeza de uma luta para um dia ser mais do que ninguém num mundo onde todos são alguém.
Isabel Moio – Técnica de ORVC
Sons e Sabores da Interculturalidade – À pala de Camões
A atividade juntou os formandos que frequentam a Escola Secundária de Pombal no período noturno, nomeadamente, três turmas de Português Língua de Acolhimento (PLA) sendo duas de nível A1/A2 e uma de B1/B2; uma turma do Curso de Educação e Formação de Adultos (EFA) e, por fim, o processso de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências Profissionais (RVCC).
O sarau começou com dois formandos do curso EFA a apresentarem, através de um PowerPoint, o trabalho que desenvolveram no âmbito da Atividade Integradora subordinada ao tema: “Viagem a bordo da caravela de Vasco da Gama”. Um representou o escritor Luís Vaz de Camões, caracterizado com a pala no olho direito e uma coroa de louro, e o colega, o navegador Vasco da Gama, usando também acessórios característicos como o chapéu, a espada, a capa e a barba. Na sua apresentação, destacaram a importância da obra “Os Lusíadas”; a peça de teatro “Lusíadas”, a que assistiram, exibida pelo Teatro Amador de Pombal; os equipamentos náuticos do século XV e da atualidade e os conhecimentos que adquiriram com a palestra sobre a globalização. Seguiram-se duas formandas do curso EFA a declamar os poemas “O Mostrengo” de Fernando Pessoa e “Camões e a Tença” a de Sophia de Mello Breyner.
A atividade prosseguiu com a intervenção dos formandos de PLA apresentando poetas do seu país de origem e declamando trechos de poemas dos mesmos, na sua língua materna: turca, belga, ucraniana, bengalesa, húngara e neerlandesa. Com esta intervenção, apercebemo-nos que na cidade de Pombal há uma vasta diversidade linguística e cultural.
No seguimento da comemoração, a professora bibliotecária Fernanda Gomes falou sobre a importância dos descobrimentos que fizeram com que a língua portuguesa seja hoje a 5.ª mais popular no mundo, sendo o idioma mais falado no hemisfério sul. As regiões que fazem parte da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) são: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste. A região autónoma de Macau, na Ásia, também usa o português oficialmente sendo ao todo dez os territórios de língua portuguesa[1].
Uma das maiores referências da nossa cultura é o poeta Luís Vaz de Camões descrito como o “pai da língua portuguesa”. Camões é considerado o maior poeta renascentista português. Criou a maior obra da nossa literatura: “Os Lusíadas” que diz-se ser a obra que “fundou” a língua portuguesa. Começa por escrever no poema:
“As armas e os barões assinalados,
Que da ocidental praia Lusitana,
Por mares nunca de antes navegados,
Passaram ainda além da Taprobana,
Em perigos e guerras esforçados,
Mais do que prometia a força humana,
E entre gente remota edificaram
Novo reino, que tanto sublimaram.”.
O poeta narra a descoberta, pelo navegador português Vasco da Gama (1469-1524), da rota marítima para a Índia — um marco nas relações comerciais e exploratórias do século 15 e, de certa forma, a consolidação de um momento historicamente relevante para Portugal[2].
A professora bibliotecária destacou ainda a importação de algumas palavras e produtos vindos de países como a América, a China, a Índia, como por exemplo: a vinda das especiarias, frutas, tecidos e os chás. No que toca às palavras, destacou as seguintes: bengala (de “bangala”), bicho (de “bicho”), caju (de “kaju”), caril (de “kari”), catana (de “katana”), chá (de “cha”). côco (de “kokos”), jasmim (de “yasmin”), manga (de “mangga”) e pimenta (de “pippali”). Terminou a sua intervenção com um jogo cultural de “Adivinhas” para interagir com o público e tentar descobrir os produtos que vieram enriquecer a nossa cultura e a sua origem.
A segunda parte do evento decorreu com todos os formandos, formadores e elementos da direção, a partilhar iguarias tradicionais . Mostrámos assim, também através da comida, um pouco da tradição de cada país.
Foi um tempo de partilha muito enriquecedor.
Rita Mendes – Candidata do processo RVCC
[1] Informação e imagem retirada do site: https://www.dicio.com.br/paises-que-falam-portugues/. Consultado a 05/02/2025.
[2] Informação retirada do site: https://www.bbc.com/portuguese/geral-60711413. Consultado a 05/02/2025.
Testemunhos:
Foi uma experiência maravilhosa durante o evento da nossa aula de Português. Ouvimos apresentações sobre poetas de vários países, o que foi uma forma muito interessante de explorar diferentes culturas e línguas. Depois, juntámo-nos todos para partilhar pratos dos nossos países de origem, o que tornou a experiência ainda mais especial. Foi verdadeiramente fascinante ver tantas culturas e línguas diferentes reunidas num ambiente tão caloroso e acolhedor! – Kleiri Vahtra (A1+A2)
Apresentei um prato de grão-de-bico triturado com tahini, uma receita tradicional na cultura dos povos do Médio Oriente com raízes aramaicas. Foi um evento maravilhoso, interessante e inspirador, onde provámos diferentes tipos de gastronomia de várias partes do mundo. Houve conexão humana e compreensão. Estou muito grato a todos os que organizaram, tornaram possível, participaram e estiveram presentes. – Ibrahim Elido (A1+A2)
No dia 23 de janeiro, a nossa aula foi muito interessante. Os diferentes países foram representados pelos vários alunos, que levaram especialidades culinárias do seu país. Alguns participantes leram também um poema do seu país. Foi um momento muito divertido. – Jeannine Segura (A1+A2)
No evento “Sons e Sabores da Multiculturalidade”, eu apresentei um poeta da Ucrânia e declamei um poema seu na minha língua. Também ouvi poesia na língua de outros países. Fiz uma comida tradicional e provei comida de outros países. A comida estava muito saborosa. Foi um momento feliz, porque estivemos todos juntos. – Alla Chlek (A1+A2)
A atividade “Sons e Sabores da Interculturalidade” foi muito agradável! Ouvir a língua de diferentes países e provar comidas de cada um foi uma experiência muito gratificante. – Andrea Rodriguez (B1 B2)Tivemos uma atividade diferente e muito interessante porque estivemos todos juntos, ouvimos diferentes idiomas e cada pessoa trouxe comida do seu país para partilhar com todos. Erika Perez (B1 B2)
Na noite de 23 de janeiro, tivemos oportunidade de conhecer muitas culturas e tradições através de comida, poemas e pessoas de todas as partes do mundo com o mesmo objetivo: aprender e conhecer histórias de vida e experiências novas e diferentes – Catherine Rodrigues (B1 B2)
Tivemos a festa “Sons e Sabores da Interculturalidade” e celebrámos o poeta Luís de Camões. Foi muito divertido ver todos os alunos de diferentes nacionalidades com os seus pratos nacionais. A comida era muito boa. Eu li um poema belga, mas estava tão nervosa que me esqueci de falar no microfone. – Gwendolina Boom (B1 B2)
Abelhas e Sustentabilidade: Uma Viagem ao Mundo dos Polinizadores com Paulo Santos
No dia 10 de fevereiro, numa parceria com a biblioteca escolar, tivemos o prazer de receber Paulo Santos, na Escola Secundária de Pombal, para uma palestra esclarecedora sobre o mundo fascinante das abelhas e a sua importância para a sustentabilidade.
Paulo Santos apresentou o seu projeto “Cuscas”, que nos deu a conhecer o mundo maravilhoso destes insetos. A discussão destacou o papel vital das abelhas na polinização e as potenciais consequências do seu desaparecimento, incluindo o impacto na qualidade e quantidade dos nossos alimentos
As abelhas são o ser vivo mais importante do planeta porque são responsáveis pela polinização de 70% das culturas agrícolas, com destaque para: 100% das amêndoas, 90% das maçãs, 90% dos mirtilos, 48% dos pêssegos, 27% das laranjas, 16%do algodão, 5% da soja. Também contribuem para uma boa parte do oxigénio, permitem a existência de herbívoros que nos proporcionam os seus derivados como o leite, queijo e iogurtes, ajudam no ciclo da água pois este está diretamente ligado à biodiversidade.
O mel possui propriedades nutritivas e terapêuticas que trazem vários benefícios à saúde, é capaz de proteger as células do envelhecimento precoce e regular os níveis de triglicerídeos e colesterol. Por ser rico em antioxidantes, o mel ajuda a diminuir a pressão sanguínea, além de conter propriedades antimicrobianas, combatendo infeções causadas por fungos, vírus e bactérias e aliviando a dor de garganta e a tosse. Do ponto de vista nutricional, o mel pode ser usado como adoçante natural e substituto de outros açúcares. O jogador de futebol Pepe afirmou que o segredo da sua longevidade passa pelo consumo diário de mel, que recebe de um amigo que o traz do sul do Brasil, que é muito típico da região, acrescentando que “com um mel daqueles estás imune a muitas coisas”.
Como insetos sociais, as abelhas vivem em colónias onde se dividem em hierarquias e possuem funções bem definidas. Em cada colónia existe uma rainha, de cinco a cem mil abelhas operárias e por volta de quatrocentos zangões. As funções de cada uma garantem a sobrevivência da colmeia. Após a cópula entre a abelha rainha e o zangão, a rainha deposita um ovo nos alvéolos da colmeia que as operárias fizeram anteriormente. Quando o ovo completar 3 dias, torna-se uma pequena larva e permanecerá nesse estado por 21 dias. As operárias serão agora responsáveis por alimentar com pólen essas larvas. O zangão morre após o acasalamento A divisão do trabalho na colmeia acontece de acordo com a idade dos insetos. Os trabalhos externos são, geralmente, realizados pelas operárias mais velhas e experientes, já que, ao sair, elas arriscam a vida e encontram predadores.
A vida adulta das abelhas está dividida em quatro fases:
– Do 5º ao 10º dia, são chamadas abelhas nutrizes porque cuidam da alimentação das larvas em desenvolvimento. Nesta fase apresentam grande desenvolvimento das glândulas produtoras de geleia real.
– Do 11º ao 20º dia, produzem cera para construção de favos, quando há necessidade, pois nesta idade as operárias apresentam grande desenvolvimento das glândulas ceríferas. Além disso, recebem e desidratam o néctar trazido pelas campeiras, elaborando o mel.
– Do 18º ao 21º dia, realizam defesa da colmeia. Representam órgãos de defesa bem desenvolvidos, com grande acumular de veneno. Podem também participar no controlo da temperatura da colmeia.
– Do 22º dia até à morte, realizam a colheita de néctar, pólen, resina e água. São denominadas por campeiras.
As abelhas enfrentam, no entanto, grandes ameaças globais devido ao uso de pesticidas na agricultura, mas também sofrem com as alterações climáticas e os incêndios. Então, surge a apicultura urbana. O palestrante, Paulo Santos, apresentou o caso de uma cidade holandesa que criou jardins por cima das paragens dos autocarros. Em Paris, os telhados dos monumentos como a catedral de Notre Dame e a Ópera foram escolhidos para acolher as colmeias que acabam por ser uma atração turística. Em Portugal, temos o caso do município de Guimarães que apadrinhou o projeto e colocou colmeias nos seus edifícios. Lisboa abriga cerca de 140 espécies de abelhas em monumentos como o Mosteiro dos Jerónimos.
O palestrante apelou à plantação diversificada de flores tais como jarros, coentros, girassol, margaridas, alfazema, rosas e erva de gato. Como as abelhas precisam de alimento ao longo do ano, é necessário plantar flores que floresçam em diversas estações do ano.
A viagem ao mundo das abelhas, guiada por João Santos e o seu projeto “Cuscas”, revelou-nos a beleza e papel crucial que as abelhas desempenham no nosso ecossistema e na nossa própria sobrevivência. Que esta experiência nos inspire a olhar para estes insetos como sentinelas da biodiversidade, como lembretes constantes da intrincada teia que liga todos os seres vivos.
Daniel, David, Márcio, Sérgio, Sílvia e Marina – Candidatos do processo de RVCC – Nível Secundário
Sons e Sabores da Interculturalidade – À pala de Camões
Caros membros da comunidade escolar,
Temos a honra de convidar toda a comunidade para um evento especial protagonizado pelos nossos formandos dos cursos de Português Língua de Acolhimento e do Curso de Educação e Formação de Adultos. Serão os próprios formandos os principais intervenientes, que irão declamar versos de Luís de Camões e apresentar poemas de escritores dos seus países de origem. Para o curso EFA, será também uma ocasião para partilhar o resultado da sua atividade integradora.
Como já é tradição, numa segunda parte do sarau, teremos a oportunidade de partilhar sabores interculturais.
Junte-se a nós neste evento de celebração da diversidade, da aprendizagem e da integração através da língua portuguesa.
Contamos com a vossa presença!
Cristina Costa – Coordenadora do Centro Qualifica
Boas Festas!
A todos um Natal cheio de paz e harmonia e um Ano Novo repleto de novas conquistas.
Tradição e Inovação
Manda a tradição que depois de uma sessão de júri de certificação seja publicado um post para divulgar este momento, refletindo sobre as aprendizagens realizadas, não só pelos candidatos, mas por todos os elementos envolvidos. Ainda bem que existem rotinas e padrões que permitem dar alguma previsibilidade a um mundo mutável e instável. Preservar e respeitar o conhecimento daqueles que nos precederam é um sinal de sabedoria, pois só assim podemos evitar a repetição dos erros passados e encontrar respostas mais rápidas para problemas no imediato. Contudo, não podemos cair na tentação de cristalizar os nossos hábitos. Mesmo que um inseto preservado em âmbar possa parecer belo ao primeiro olhar, neste processo ele perdeu a vida e capacidade transformadora da metamorfose. Assim é preciso dosear o respeito pela nossa história e complementá-la com análise crítica e criatividade, entendendo que aquilo que fez sentido num determinado momento, poderá não se enquadrar na realidade atual.
Neste sentido a primeira apresentação, inspiradas nas considerações de Yuval Harrari sobre os desafios tecnológicos na sua obra “21 Lições para o Século XXI”, fomentou a reflexão em torno do impacto que o desenvolvimento da Inteligência Artificial e de sensores biométricos poderá ter no mercado de trabalho. As potencialidades destas tecnologias são inegáveis, superando já o ser humano na sua capacidade de executar algumas tarefas de forma rápida, em permanente conexão com outros sistemas e atualização imediata. Mais preocupante se torna quando percebemos que a IA invadiu o espaço que se considerava exclusivo dos seres humanos, a cognição. Prevê-se que estas inovações constantes resultem no desaparecimento de profissões (principalmente aquelas que exigem menos habilitações) e no surgimento de equipas centauro, em que humanos e máquinas cooperaram para a realização de tarefas. Estas mudanças irão exigir atualização constante de conhecimentos e muita capacidade de gerir o stress, pois não é fácil viver com a dúvida: Será que a minha profissão ainda vai existir amanhã?
Já a segunda exposição partiu da história da China, tal como é relatada na obra “Cisnes Selvagens: Três filhas da China” de Jung Chang, para analisar questões da atualidade. Neste livro a narradora conta a história da sua família, três gerações de mulheres, evidenciando como as alterações políticas na China tiveram impacto na trajetória das suas vidas. As experiências da avó Daotai lembram-nos como a tradição pode ser usada para perpetuar desigualdades de género, quer seja através da prática do pé de lótus ou de casamentos arranjados. Não é porque “foi sempre assim” que é justo ou correto. Já a época da mãe Wu Chunrong corresponde ao período de ascensão do comunismo na China e implementação da ditadura. A falta de liberdade mantem-se até ao final da obra, sendo a razão que levou Jung Chang a emigrar. Ainda que com pequenas nuances e alterações estratégicas, a China continua numa ditadura, em que há vigilância e controlo da população. Se por um lado a diversidade de ideologias e culturas é favorável ao desenvolvimento e à evolução, por outro há situações que não são aceitáveis por porem em causa os Direitos Humanos (e.g. campos de reeducação).
Mikael Mendes – Técnico de ORVC
Videoconferência com o Professor Joaquim Eusébio: “À Descoberta da Globalização”
No dia 4 de dezembro de 2024, o auditório Dra. Gabriela Coelho foi palco de uma videoconferência envolvente com o professor Joaquim Eusébio, intitulada “À Descoberta da Globalização”. O evento começou às 20h00 e o professor Joaquim Eusébio, historiador e antigo professor da Escola Secundária de Pombal, participou remotamente a partir do Canadá onde se encontra agora a residir.
A apresentação começou com o professor a ler uma definição do conceito de globalização retirada da IA (Copilot), sem qualquer adaptação, enquanto a audiência acompanhava os slides escuros. Após revelar a origem da definição sublinhando a importância da globalização digital, o professor cativou os presentes de modo particular ao usar o exemplo da morte da Princesa Diana para ilustrar a globalização. Destacou como uma princesa inglesa, com um namorado egípcio, que morreu em Paris, vítima de um acidente de viação num automóvel alemão… se tornou um fenómeno global.
De seguida, com uma referência ao neoliberalismo e à criação dos grandes grupos económicos, o professor Eusébio recuou no tempo para explorar as raízes da globalização. Começou pelo Império Romano e o Mediterrâneo, descrito como “o mar que fica entre terra”, um espaço vital para a circulação de bens e da própria língua. Também fez referência à Idade Média e à Rota da Seda, que ligava o Médio Oriente ao Ocidente, trazendo especiarias e influências culturais. A viagem de Vasco da Gama em 1497 foi destacada como um feito extraordinário do ponto de vista científico, comparável a uma viagem espacial nos dias atuais. No entanto, o professor alertou para a hipervalorização desse feito, lembrando que a frota de Vasco da Gama foi apenas mais uma que chegou a Calecute e que nosso Império era bem diminuto em comparação com o dos espanhóis, ingleses, holandeses e franceses.
Finalmente, o professor resumiu as vantagens da globalização, referindo a aproximação cultural, a superação das distâncias geográficas e o desenvolvimento económico pois hoje quem produz não pensa apenas no mercado nacional, mas sim no mundial. Também abordou as desvantagens desse fenómeno, incluindo a desigualdade económica e a uniformização cultural que leva ao desaparecimento de culturas locais. Além disso, destacou o impacto ambiental e os recursos naturais necessários para sustentar o desenvolvimento tecnológico.
Para concluir sua intervenção, com uma nota de humor no recurso a cartoons sublinhou que tudo depende da perspetiva com que se observa a globalização, mas a escola deve formar cidadãos globais para que as gerações futuras possam enfrentar desafios como o aquecimento global.
Foi uma abordagem que deixou os presentes com muito em que pensar sobre o mundo interconectado em que vivemos. Tivemos também a oportunidade de descobrir um grande senhor: o Professor Joaquim Eusébio, que mesmo à distância, no Canadá, conseguiu transmitir o seu vasto conhecimento e o seu gosto pela partilha de saber.
Os candidatos do Processo RVCC – Nível Secundário
Na Era da Inteligência Artificial
Uma vez mais dou por mim a iniciar um post referindo a evolução tecnológica e a verdade é que ela é cada vez mais incontornável. A uma velocidade estonteante surgem novidades quase todos os dias e aquilo que há poucos anos pareceria mero produto de ficção científica, torna-se uma banalidade da atualidade. A este ritmo será tão estranho para a próxima geração uma realidade sem Inteligência Artificial (IA), como hoje é desconhecida a funcionalidade de uma disquete ou de uma cassete, sem falar de uma lista telefónica, para os mais jovens.
As preocupações com as consequências desta evolução não são novidade, pois mesmo antes da IA ser uma realidade, já existiam obras de ficção que pintavam os cenários mais pessimistas. Esperemos que Skynet de “O Exterminador Implacável” ou Viki de “I, Robot” permaneçam no sector do entretenimento. Se as opiniões se dividem quanto ao futuro que nos espera e não podemos apenas seguir as vozes dos “velhos do Restelo”, também não devemos assobiar para o lado e ignorar os riscos existentes. O mais importante será mantermo-nos atualizados, acompanhando os desenvolvimentos.
E é aqui que a educação desempenha um papel de destaque, incentivando à exploração destas novas ferramentas de forma responsável, soprando gentilmente para manter a brasa do espírito crítico acesa. Foi numa dessas lufadas que um dos candidatos do processo RVCC de nível secundário foi desafiado a fazer uma apresentação para a prova de certificação de dia 12 de dezembro de 2024, inspirada no livro “A Era da Inteligência Artificial” de Henry Kissinger, Eric Schmidt e Daniel Huttenlocher.
Na sua apresentação foram referidos os contributos de Alan Turing e John McCarthy para uma definição de IA e os principais marcos no desenvolvimento desta tecnologia. Analisando as razões pelas quais a IA ainda falha, reforçou a importância de existirem mecanismos de verificação da qualidade das respostas dadas. Concluiu a explorando os dilemas de recorrer a IA em três contextos diferentes, nomeadamente nas plataformas de rede, ao nível político ou para fins bélicos.
Mikael Mendes – Técnico de ORVC
À descoberta da globalização – Videoconferência com o Professor Joaquim Eusébio
Participe na nossa videoconferência com o historiador e antigo colega, Joaquim Eusébio!
🗓 Data: 04 de dezembro 2024
🕒 Hora: 20h00
🔗 Link: A caminho da Mundialização
Esta enquadra-se na atividade integradora do o curso EFA e promete ser um espaço de muito enriquecimento.
Não perca a oportunidade de e refletir e interagir com um grande especialista!
Livres e Felizes
Vivemos na era da liberdade e da felicidade ou pelo menos é essa a realidade que nos é vendida. Se é verdade que muitos direitos foram conquistados e seria até de mau tom ousarmos comparar a atualidade aos tempos da escravatura ou mesmo da ditadura, também devemos reconhecer que ainda há um longo caminho a percorrer. Para sair das ilusões mais disseminadas é preciso usar as lentes da análise crítica, que só existem quando o espírito curioso não se contenta com explicações superficiais. É preciso mergulhar mais fundo, sendo que a literatura pode ser a botija de oxigénio necessária para alcançar a essência das coisas. Todos os géneros literários têm o seu propósito, sendo que na sessão de júri de certificação de nível secundário do dia 28 de novembro de 2024 as candidatas partiram de duas obras distintas para refletir sobre a liberdade e a dor.
A primeira apresentação baseou-se na obra “1984” de George Orwell, uma distopia de 1949 que promove a reflexão em torno das características dos regimes totalitários, nomeadamente a vigilância e a manipulação. Se a história narrada é ficcionada, algumas descrições aproximam-se perigosamente da realidade. O desconforto provocado por alguns episódios do livro tem o potencial de nos despertar para a atualidade e mover-nos para a defesa dos nossos direitos e liberdades.
A segunda exposição inspirou-se na obra “Sociedade Paliativa” de Byung-Chul Han publicada em 2020. Com uma escrita mais filosófica, o autor alerta-nos para o perigo de evitarmos a dor a qualquer custo (algofobia). Se noutras alturas a dor era usada para controlar a sociedade, por exemplo numa sociedade do martírio são usadas punições físicas e públicas para dissuadir comportamentos, na atualidade a dor é camuflada e incute-se a necessidade de ser feliz. Assim o chicote é retirado das mãos do carrasco e dado à vítima que se pune a si própria, através da autocrítica, por não conseguir ser feliz, ignorando o papel de fatores externos ou mesmo a volatilidade da felicidade. Assim a sociedade e a própria democracia tornam-se paliativas, com cada um focado no seu umbigo. A tolerância à dor vai diminuindo e o recurso à medicação aumenta, entorpecendo os sentidos e a conexão aos outros.


