A Associação Portuguesa de Educação e formação de Adultos, APEFA promove e convida a assistir, na próxima segunda-feira, dia 19 de outubro, das 14:30 às 17:30, à Conferência de Encerramento da Iniciativa Nacional, “Setembro Mês da Alfabetização e das Literacias“.
Destacamos a participação do Senhor Secretário de Estado Adjunto e da Educação, Professor João Costa e da Comissária do Plano Nacional de Leitura, Drª Teresa Calçada, que refletidos caminhos e estratégias de EFA, literacias e Felicidade e de Liberdade, tão notoriamente requeridos nestes tempos atípicos e únicos que vivemos.
O evento é o corolário da Iniciativa Nacional de Educação e Formação de Adultos, “Setembro, Mês da Alfabetização e Literacias“, que uniu Portugal, continente e ilhas, em redor de questões emergentes das literacias da leitura, da escrita e do digital, com centenas de eventos dinamizados pela maior diversidade de atores territoriais.
A participação na conferência é de acesso livre, transmitida no site da APEFA (www.apefa.org.pt), ou no Youtube, https://youtu.be/TMictbtATyc
Deixamos o link de inscrição para os docentes que pretendam Certificação desta Conferência, para efeitos de progressão da carreira docente : https://bit.ly/2SYjM0G
Brevemente, o Programa ficará disponível em www.apefa.org.pt
Armando Loureiro – Presidente da Direção Nacional APEFA
“Desinformação: verdade ou mentira nas redes” – Sessão de informação online
Hoje em dia as redes sociais assumem um papel preponderante na forma como apreendemos o mundo e temos acesso à informação, pelo que é necessário percebermos quando estamos perante uma notícia falsa e que tipo de atitude devemos adotar. Neste sentido, e dando resposta a um pedido do Centro Qualifica do Agrupamento de Escolas de Pombal, os Centros Locais de Aprendizagem de Ansião e Cantanhede, estão a promover a sessão de informação online “Desinformação: verdade ou mentira nas redes”, a decorrer no dia 15 de outubro, pelas 20h, dinamizada pelo Professor Leonel Morgado da Universidade Aberta.
Esta sessão tem como principais destinatários, técnicos, professores, formadores, formandos e candidatos afetos aos Centros Qualifica irá decorrer na plataforma Colibri (Zoom).
A inscrição é gratuita mas obrigatória até o dia 13 de outubro em https://bit.ly/2HOBi5p
Dúnia Palricas
SMAL – O meu nome faz história
No âmbito de uma iniciativa nacional SMAL – Setembro Mês da Alfabetização e Literacias, o Centro Qualifica, em articulação com a coordenadora da Biblioteca Escolar, a professora Fernanda Gomes, propôs um espaço de leitura e de escrita criativa: “O meu nome faz história”.
A atividade decorreu num ambiente acolhedor, na biblioteca da Escola Secundária de Pombal, na tarde de 24 de setembro e destinou-se os candidatos em processo de RVCC de nível básico. Partindo da leitura em voz alta de alguns excertos do discurso que o escritor José Saramago proferiu na solenidade da entrega do prémio Nobel de Literatura, a 07 de dezembro de1998, os candidatos puderam conhecer um pouco da obra deste grande escritor de origens humilde. Linha após linha, foram acompanhando a evocação dos avós de José Saramago, o analfabetismo, a dureza da vida no campo, mas também os seus genereros ensinamentos.
De seguida, a partir das letras do nome de cada um dos intervenientes, com o apoio dos formadores de Linguagem e Comunicação, os candidatos foram desafiados a entrar no mundo dos anagramas e a criar, também eles, uma pequena história fazendo uso de muita imaginação.
O ambiente participativo e lúdico foi motivador para o exercício da leitura e da escrita, mas também constituiu um pequeno contributo para o despertar os sentidos da vida pela oportunidade de novos olhares.
Cristina Costa – Coordenadora do Centro Qualifica
SMAL – Atelier de escrita criativa
Aderindo à iniciativa da APEFA, no dia 24 de setembro, pelas 14;30 horas, o Centro Qualifica, em articulação com a Biblioteca escolar do Agrupamento de Escolas e Pombal, irá proporcionar aos candidato do processo RVCC de nível básico, um espaço de escrita criativa: “O meu nome faz história”.
Cristina Costa – Coordenadora do Centro Qualifica
Parabéns a todos neste final de ano letivo!
Entre a afirmação da relevância de iniciativas do nosso Centro e a adaptação a novas estratégias pedagógicas, eis o balanço de um ano letivo marcado pela pandemia.
Um agradecimento muito especial a cada um dos membros da equipa e formadores externos que remaram juntos por mares nunca antes navegados.
Uma palavra de apreço a todos os candidatos e formandos pelo esforço e empenho redobrado neste ano particularmente desafiante.
Que as imagens dos pontos altos do ano letivo 2019-2020 nos impregnem de dinamismo para preparar o início do próximo.
BOAS férias!
Cristina Costa – Coordenadora do Centro Qualifica
Mundos dentro do mundo
Refletir sobre a atividade educativa e formativa num contexto de diversidade cultural afigura-se sempre um desafio se olharmos à nossa volta e observarmos com redobrada atenção os fluxos migratórios de que a sociedade atual está impregnada. Não menos desafiante é, para quem trabalha na área da educação e da formação, atender a essa diversidade, no pleno respeito pelo que de mais específico tem cada Pessoa e cada cultura que nos procura.
Foi precisamente com o objetivo de apoiar no processo de desconstrução de estereótipos, analisar e compreender processos de exclusão, melhorar a capacidade de entendimento sobre outras culturas, aprofundar o conhecimento sobre a situação das comunidades ciganas e de comunidades imigrantes em Portugal e apoiar na identificação de estratégias de comunicação que a ANQEP convidou o Centro Qualifica do Agrupamento de Escolas de Pombal a participar na ação “A formação profissional num contexto de diversidade cultural”. Com recurso a uma modalidade formativa à distância, tão apregoado pelos tempos que vivemos, foi através do Microsoft Teams que nas tardes dos dias 20, 21 e 22 de julho elementos de diversas entidades, de norte a sul do país, se juntaram para refletir sobre o tema.
Pela porta do nosso Centro têm entrado cidadãos com raízes culturais distintas da ocidental e que procuram formação de Português para Falantes de Outras Línguas, mas também pessoas ciganas, cujos valores e conduta se projetam na sua forma de Ser, de Estar e de Fazer. Esta formação proporcionou a oportunidade de refletir sobre a cultura cigana, programas e projetos dirigidos às comunidades ciganas (sendo o 3I – Intervir, Integrar, Incluir um deles e com o qual o Centro estabeleceu parceria) e estratégias de comunicação e intervenção.
Estamos, de facto, perante mundos dentro do mundo e ao Centro Qualifica compete, cada vez mais, perspetivar-se como uma porta aberta fora de portas e sensibilizar a população para a importância da educação e da formação que, mais do que um dever, devem ser entendidas como um direito.
Isabel Moio – Técnica de ORVC
Leituras com Arte no Centro Qualifica
“Leituras com Arte” foi o caminho escolhido no presente ano letivo no Centro Qualifica para despertar o gosto pela leitura, a sua capacidade mágica de nos fazer viajar de expandir o nosso mundo interno. Com atividades diversificadas, proporcionámos aos candidatos do processo de RVCC e formandos do Curso EFA do nosso Agrupamento a aventura do encontro com os livros, suas personagens e autores.
Cristina Costa – Coordenadora do Centro Qualifica
Curso EFA – Inscrições abertas
Objetivo alcançado: certificação de nível secundário
“Deus quer, o homem sonha, a obra nasce”. Foi este um dos lemas que conduziu o Processo RVCC dos três candidatos que prestaram prova de certificação de nível secundário, no dia de 22 de julho, uma vez que apesar das diferentes contrariedades que encontram ao longo destes meses de trabalho, o objetivo esteve sempre presente: alcançar a certificação de nível secundário.
É de destacar que em todos estes três percursos, a humildade, a boa disposição e a determinação foram ingredientes fundamentais para que as adversidades encontradas se transformassem em oportunidades de aprendizagem e crescimento pessoal.
A riqueza dos seus portefólios, a par da serenidade e confiança demonstradas em prova de certificação espelham a legitimidade de que a Carolina, o Luís e o Pedro são merecedores da valorização das suas histórias de vida e dos seus saberes intrínsecos.
Parabéns aos três candidatos pela certificação alcançada e fazemos votos para o ensino secundário seja o primeiro registo para um interessante e profícuo percurso formativo, lembrando-se sempre de que o que interessa em qualquer trajeto, não é o ponto de partida, mas sim o ponto de chegada.
Patrícia Amado – Técnica de ORVC
” O largo” – Ler e recordar
Assinalando as festas do Bodo, partilhamos registo das memórias de um candidato do processo RVCC de nível secundário.
Numa sessão de Cultura, Língua e Comunicação, analisámos em detalhe o conto “O largo”, de Manuel da Fonseca. Cheio de simbolismo e riqueza, fez-me recordar esses tempos idos, mais saudáveis, mais simples, mais autênticos da minha infância numa aldeia bem perto da cidade.
Desde sempre, observei com atenção as suas raízes históricas, esse acervo de património do qual nos devemos orgulhar. Um Conde que um dia foi elevado a Marquês é sempre um nome que vem à mente por qualquer português quando se fala de Pombal. Muitos edifícios estão inseparavelmente ligados a este personagem. Todo o espólio tem sido bem cuidado e está disponível para quem quiser observar e aprender da história em especial no museu que leva o seu nome.
Assim, como no conto “O Largo”, hoje, o dia a dia das pessoas é incomensuravelmente diferente do que era no tempo dos meus pais, avós ou bisavós, com quem ainda privei até à idade dos dez anos. O centro da vila era o local também mais central, por graça também denominado Largo do Cardal. Durante a semana era em frente aos Paços do Concelho que havia a estação das “camionetas da carreira”, hoje denominamos os autocarros de passageiros, que “desaguava” toda a gente que vinha por esse meio até à cidade. Gente que trazia o seu melhor fato, muitas vezes com aspeto muito humilde, mas cuidavam da aparência sempre que se deslocavam à vila. Mesmo assim era notório pela forma de vestir, quem era do meio rural e quem era residente.
No conto, o comboio invadiu e “dinamitou” o Largo. Na vila de Pombal, o comboio sempre a atravessou, tendo também uma estação. Mas foi curioso, quando retiraram as cancelas no local onde a linha se cruzava com a antiga estrada de Leiria, um dos bairros típicos foi cortado, ficando durante muito tempo isolado do “lado de cá”. Mais segurança trouxe mais isolamento. Com o tempo, e depois da praça das galinhas ter dado espaço à feira semanal, este local veio a ganhar de novo vida.
Esta dita feira, ainda hoje é realizada em dois dias da semana, segunda e quinta-feira. Além de ser um espaço de vendas e negócio, muitas pessoas mantêm a velha tradição de guardar alguma coisa para comprar na feira. Se pensarmos nos artigos e itens que lá encontramos, facilmente os encontraríamos noutros espaços “quiçá” bem perto e em abundância. Era um tipo de negócio dispensável para os tempos que correm. Se pensarmos também no desconforto em dias de mau tempo, muitas vezes nem justifica “montar a barraca”. Mas mesmo assim, dada a importância de não deixar morrer a nossa identidade cultural, devemos todos manter o bom hábito de passar na feira e comprar qualquer coisa.. Tanto no passado como hoje continua a ser também um espaço de convívio. Dar dois dedos de conversa, revendo aquele vendedor, ou aquele fiel cliente com décadas de presença frequente é algo a preservar.
Uma das memórias que guardo bem vivas era de ir com o meu avô à vila à segunda-feira, dia de mercado. Como ele era sapateiro, muitas das entregas levava engenhosamente presas na parte de trás da bicicleta. Colocava-se num local estratégico perto da praça, e os clientes procuravam-no, ou para levar ou para entregar para arranjar durante a semana. Oito dias depois, iam ao mesmo local recolher. Lembro a conversa típica de velhos conhecidos, com sonoras palmadas nas costas e tratando-se uns aos outros com linguagem pouco polida. Mas riam-se, divertiam-se e percebia-se que eram felizes e sinceros. Enquanto isso, a minha avó dava as necessárias voltas com as comadres, para levar o avio para a semana, parando muitas vezes para conversar com familiares ou conhecidos de outras aldeias e que pelo mesmo motivo também andavam por ali. Perto das 13:00 horas encontravam-se para almoçarem juntos. O meu avô, já com uma dose considerável de copos bebidos, tantos quantos clientes apareceram naquele dia, mais uns quantos com uns esporádicos conhecidos. Na rua de Ansião, no local onde hoje é o restaurante “O Tirol”, havia uma tasca que servia refeições. À segunda-feira era ali, religiosamente. Havia um enorme braseiro para especialmente no verão, assar sardinha. Cada um assava as suas. Depois, com aquele molho a escorrer, aquela sardinha gorda a escaldar, era colocado num naco de broa. Lembro-me das gargalhadas e da satisfação com que eles comiam. O tinto sempre a “empurrar”. Muitos comiam de pé. As mesas eram insuficientes para aquela aglomeração de gente. Pelas 15:00, 16:00 horas, as mulheres regressavam com a cesta das compras à cabeça. Eram mais ligeiras no caminho de regresso. Eles já bastante “tocados”, vinham lentamente com passos pouco firmes encostados à bicicleta. Mas haviam de chegar. O dia estava feito.
Os mais bêbados, como o Ranito do conto, muitas vezes, ficavam numa valeta a recuperar quase em estado de transe, incapazes de regressar a casa. Muitas mulheres eram “obrigadas” a virem procurá-los, e passar por essa vergonha, ou então um amigo ou vizinho que, sensibilizado, fazia o favor. Dessas realidades tristes penso que ninguém tem saudades. Podem perder-se no tempo…
O domingo também era um dia de excecional movimento no Largo do Cardal. Em especial no período da manhã – a vinda à missa. Famílias inteiras da vila e também de muitas aldeias da freguesia, vinham cumprir a sua missão religiosa. Muitos maridos não ligavam tanto, ficando-se pelo espaço envolvente, enquanto a devoção da esposa na sua opinião serviria para espiar “os pecados” deles também. Muitos hoje, já descobriram se foi boa opção ou não. Estavam muito concentrados no “sermão” da vendedora de pevides e tremoços. E com uma medida na mão, rumavam a uma “tasca” das redondezas porque aquilo “custava a descer”.
Na obra “O Largo”, as faias eram uma barreira e um abrigo natural, além de darem vida e serem protagonistas de tudo quanto se passava ali. Sem elas o largo não era “O Largo”. Fizeram lembrar-me os frondosos plátanos do Largo do Cardal. O novo projeto de requalificação incluiu o abate da maior parte deles. Foi uma tremenda perda. São décadas e décadas que uma árvore daquele porte precisa para se tornar assim. A vida que atrai, pássaros em especial, a sombra refrescante que proporciona, não podem de todo ser substituídas por coberturas de materiais sintéticos. Talvez neste ponto, os decisores tenham seguido o rumo errado.
No conto “ as suas lágrimas (de João Gadunha) molham o tronco carunchoso das faias.” No Largo do Cardal, as suas lágrimas (dos plátanos abatidos) molharam as pedras da calçada, tornando-as frias e escorregadias, para sempre. Que todos os “plátanos” que sobreviveram possam molhar o chão e quem passa, com lágrimas de alegria, felizes, quais testemunhos silenciosos da vida daqueles que debaixo “das suas asas” vão passando…
João Domingues – candidato do Processo de RVCC – Nível Secundário



