Reflexão enquanto formadora de MV/MCT


A caminhada de formadora de Matemática para Vida (MV)/ Matemática, Ciências e Tecnologias (MCT) no processo de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências (RVCC) é complexa, mas gratificante. Cada candidato apresenta-se com o seu património ao nível de competências, edificadas no seu percurso escolar e profissional, concomitantemente, com a sua vida sociofamiliar. Recordo ainda as primeiras palavras da coordenadora quando cheguei ao Centro em finais de setembro: “O acolhimento é essencial para motivar para o processo”. Na prática, acolho os interesses de cada um, no enquadramento do Referencial de Competências-Chave, e em cada sessão vou transmitindo o meu gosto por esta área que considero tão cativante. Temos candidatos mais entusiasmados por dinâmicas tecnológicas e outros para as tradicionais e procuro ir respondendo a estas apetências. Partilho duas estratégias que considero terem sido muito positivas: o estudo de polígonos recorrendo ao Google Earth e frações numa análise do indicador do nível de combustível do automóvel.

Ana Maria Ribeira – Formadora de MV/MCT

“6 ao Centro”- Energia nuclear como passo intermédio para a transição energética.


A energia nuclear é a mais controversa de todas as fontes de energia. O sonho dos anos 1950 de uma energia limpa e barata transformou-se em pesadelo com os acidentes de Three Mile Island, Tchernobyl e Fukushima, que trouxeram de volta os fantasmas de Hiroshima e Nagasaki.

E no entanto a energia nuclear é a menos poluente de todas as fontes de energia, abaixo até da solar e da eólica, e com fatalidades que, tudo somado, estão ao nível daquelas e bem abaixo das mortes por doenças pulmonares originadas na energia fóssil.

Mas o bem maior da energia nuclear é a sua capacidade para agir como regulador dos fluxos renováveis, injetando ou retirando da rede elétrica o necessário para fazer encontrar a oferta e a procura de eletricidade.

Num mundo em que é cada vez mais evidente que o futuro terá de ser elétrico e movido a fontes renováveis, o nuclear pode jogar um papel fundamental no controle das intermitências dessas fontes e assim agir como tecnologia de transição entre o passado carbónico e um futuro limpo, até que as intermitências sejam resolvidas.

Se quer saber mais sobre estes desafios que a atualidade nos impõe, inscreva-se até 30 de maio através do link: https://forms.gle/H7ggEC8KDyw5MuEa9

Acompanhe este evento no Facebook através do link https://fb.me/e/1MXoD9kXX

Organização: Centros Locais de Aprendizagem da Universidade Aberta em Ansião e em Cantanhede e Centro Qualifica do Agrupamento de Escolas de Anadia; com o apoio dos Centros Qualifica do Agrupamento de Escolas Lima-de-Faria (Cantanhede), Pombal, Sertã, da Escola Profissional de Agricultura e Desenvolvimento Rural de Vagos e da Escola Tecnológica e Profissional de Sicó.

Dúnia Palricas – CLA de Ansião

(novo) ponto de partida


São desconhecidos os rostos que entram pela porta do Centro Qualifica pela primeira vez. Contudo, com o decorrer do que aqui identificam como um “caminho de sucesso”, “degrau a degrau”, “concretizações” e “caminho de luz”, vão-se dando a conhecer através de laços que criam com a equipa, à semelhança do que ensinou “O Principezinho”.

No início, nem sempre se revela pacífico introduzir as horas de formação complementar nas suas agendas, harmonizando-as com as suas responsabilidades pessoais e familiares. Porém, a revisitação a conceitos e a conteúdos com os quais deixaram de contactar com o término do percurso escolar e o gosto pela aprendizagem acabam por deixar um travo a saudade, facilmente denunciado pelo brilho dos olhares e até pelas vozes trémulas de emoção.

O momento da certificação não representa o fim de nada, apenas um ponto de chegada. E um ponto de chegada é um excelente ponto de partida. É desta forma que a equipa lê o processo de RVCC dos quatro candidatos que a contactaram em virtude do trabalho em rede com o projeto municipal 3ESC (Educação, Saúde e Cidadania) e que obtiveram a certificação de nível básico nos dias 10 e 17 de fevereiro. A todos, desejamos que este ponto de partida alavanque novos começos, novos sonhos e novos projetos porque a vida é esse…

…milagre aos olhos de quem a tem

e a certeza de uma luta

para um dia ser mais do que ninguém

num mundo onde todos são alguém.

Isabel Moio – Técnica de ORVC

Missão Saramago


Foi sob o tema Missão Saramago que, no dia 11 de fevereiro de 2022, os 25 candidatos do processo de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências (RVCC), certificados em 2021, aceitaram o convite para desfilar pela passadeira vermelha e receberem o seu diploma.

Juntando a celebração da conquista da certificação de nível básico ou secundário com a celebração dos 100 anos do nascimento do escritor José Saramago, procurámos desafiar os sentidos e estimular a reflexão dos candidatos sobre os grandes diálogos do nosso tempo à luz da obra do nosso Prémio Nobel da Literatura.

Com um momento musical proporcionado pelo Ensemble de Clarinetes da Filarmónica Artística Pombalense, um momento de leitura animada pela coordenadora da Biblioteca Escolar, Fernanda Gomes, e um Escape Game, fomos entrando um pouco na lucidez de José Saramago que denuncia a cegueira humana num mundo pejado de informação irrelevante.

“Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara.”

Epígrafe de Ensaio sobre a cegueira

Cristina Costa – Coordenadora do Centro Qualifica

 

Missão Saramago

Processo RVCC – Testemunhos


Através do processo RVCC, ganhei novamente o gosto pela escrita que tinha perdido com o passar do tempo e fez-me pesquisar. Permitiu-me olhar de dentro para fora de mim própria e do mundo, colocar em palavras milhares de pensamentos presentes na minha mente. Fez-me recordar e reviver momentos da minha vida. (…)

Assisti a documentários, tais como, “Lixo Extraordinário”, “Seremos História” e o filme “O Carteiro de Pablo Neruda” pelos quais me deixar fascinar. Fizeram refletir e aprender.

Acima de tudo foi muito isso… O processo RVCC fez-me parar e refletir sobre assuntos que na pressa do meu dia-a-dia passavam despercebidos.

Carolina Matias – Candidata do processo RVCC – NS

 

Desafio é a palavra  para caracterizar a minha passagem pelo Processo de RVCC. O cumprimento de horários, a realização de atividades e a necessidade de vir três vezes por semana ao Centro foi exigente. Confesso que, muitas vezes, não foi fácil conciliar a minha vida profissional e familiar com a construção do meu portefólio. (…)

No início, estava um pouco receosa do que me iria ser solicitado. Não pretendia expor a minha vida, mas sinto que a minha intimidade foi respeitada. Alterei a visão que tinha acerca do Processo de RVCC e, garantidamente, irei incentivar familiares e amigos a realizarem este processo.

Para além de valorizar os meus saberes, durante estes meses, tive também a oportunidade de adquirir outros conhecimentos. Refleti sobre as Fake News, aprendi o que foi o Protocolo de Quioto e a Cimeira de Paris e, muito importante, consultei, pela primeira vez, a Constituição da República Portuguesa.

Cátia Duarte – Candidata do processo RVCC – NS

Balanço de um processo RVCC


O RVCC é um processo de aprendizagem que me proporcionou uma grande evolução a todos os níveis.

Graças a muita pesquisa e sessões via Teams e também presenciais, a visualização de filmes/documentários, leitura de livros, etc… aumentei a minha cultura geral. Melhorei a minha escrita, a minha fluência na língua portuguesa, mas também as minhas competências a nível informático. Graças à elaboração do meu portefólio em suporte digital, desenvolvi os meus conhecimentos no word, mas também explorei as potencialidades da plataforma TEAMS ao longo das sessões a distância.

Deixei-me fascinar pelos temas desenvolvidos, principalmente a arte contemporânea a partir de lixo. Gostei de refletir sobre o aquecimento global e a importância das energias alternativas. Com a área de Cidadania e Profissionalidade, fui conduzido a ver o filme “A Lista de Schindler”, que desconhecia embora já seja um filme antigo. Também foram importantes as atividades propostas para evidenciação de competências em língua francesa para me ajudar a refletir e escrever pois raramente acontece. Também devo dizer que me deu gozo pesquisar sobre a Poste e ficar com uma melhor consciência das políticas ambientais, a ética e a organização da empresa onde me encontro a trabalhar.

Confesso que não gostei de visualizar o filme “O velho que lia romances de amor” baseado na obra de Luís Sepúlveda. Tive grandes dificuldades de compreensão e apresenta imagens chocantes, em especial a do “dentista”. Gostei no entanto da personagem do José Bolivar e das imagens da floresta da Amazónica. Foi sem dúvida uma estratégia marcante para me ajudar a refletir sobre a problemática da destruição progressiva do pulmão da terra, mas também da leitura como antídoto do envelhecimento.

As videoconferências para as quais fui convidado em participar, foram todas muito produtivas, mas aprendi sobretudo muito com o jovem palestrante, Pedro Santos, sobre o tema “As diferentes estruturas políticas e os novos populismos”. Ajudou-me a  ver a política com outros olhos. Também gostei muito da atividade realizada na biblioteca escolar “Missão Fugir” pois tivemos de desvendar enigmas em grupo, o que foi muito desafiante.

É impressionante tudo aquilo que aprendi e o gozo que me deu fazer todo este processo!

Estando a trabalhar no estrangeiro fiquei agradavelmente satisfeito com o desenrolar do meu processo, da forma como a equipa foi-me apoiando a distância. As sessões a distância foram muito construtivas, fiquei com a sensação que se aprende de igual forma como sendo presencial. Ganha-se tempo, evitam-se deslocações e torna-se mais confortável.

Por tudo o que acabo de referir, estou feliz e dinamizado para continuar a estudar. Agradeço a toda a equipa que possibilitou a concretização deste sonho.

Gonçalo Oliveira – Candidato do processo RVCC – Nível Secundário

Tertúlia “Oh, meu Pombal” – Testemunho de uma candidata do processo RVCC


No dia 10 de maio de 2021, pelas 20 horas, participei, na Biblioteca Escolar da Escola Secundária de Pombal, à Tertúlia “Oh, meu Pombal”, integrada na Semana Aberta do Agrupamento de Escolas de Pombal, com a presença dos palestrantes Dr. Nelson Pedrosa, Dr. Filipe Eusébio e Dr. Sérgio Marques, que apresentaram aspetos da história e da arte da e na cidade de Pombal.

Assim que entrei na biblioteca senti-me bem, o ambiente  era  acolhedor, fomos recebidos  de forma calorosa.

A tertúlia destinava-se aos formandos do processo de RVCC do nível básico e do nível secundário, aos formandos do curso de Educação e Formação de Adultos (EFA) e era  transmitida, via TEAMS,  para todos os formandos que não puderam estar presentes.

A sessão começou com um momento musical. As alunas Carolina Lopes, Juliana Mendes e Rita Martins interpretaram a canção “Oh, meu Pombal”. Como fui com 12 anos para a França e aos 15 para a Suíça e apenas regressei a Pombal em 2020, não conhecia esta canção. Transcrevo uma quadra que faz alusão às tradicionais festas do Bodo:

Vejo dali Pombal todo,

Cercadinho de olivais

Vejo as Festas do Bodo,

Música, fogo, arraiais

Seguidamente, o Dr. Nelson Pedrosa fez uma apresentação do castelo de Pombal com imagens antigas e fotografias mais recentes. Foi contando de forma entusiasmante a história do surgimento, decadência e reconstrução deste monumento. Foi uma apresentação enriquecedora que permitiu reviver a História rica da nossa cidade.

O Dr. Filipe Eusébio fez uma apresentação muito cativante da Casa Varela, nomeadamente as suas origens, utilização ao longo dos anos e a sua atual função. Foi muito bom ficar a saber que Pombal tem, neste momento, um espaço reservado a todos os artistas pombalenses, e não só, que queiram mostrar os seus trabalhos. Esta é, sem dúvida, uma forma de fixar no concelho de Pombal os artistas locais, evitando que eles tenham de se deslocar para mostrarem as suas criações artísticas. Deixou ainda um convite a todos os participantes para visitarem aquele espaço onde agora se pode apreciar a Arte. Fiquei muito curiosa e em breve espero lá ir.

Por fim, o Dr. Sérgio Marques apresentou o seu trabalho artístico enquanto ilustrador. Começou por fazer uma partilhar connosco seu percurso profissional referindo, que há poucos dias, terminou o seu trabalho de ilustração dos muros junto à rotunda do IC2 do Alto do Cabaço. Destacou as histórias que pretende contar, quer nesse mural, quer nas ilustrações das paragens do Pombus. Apresentou uma faceta muito entusiasmante do trabalho dos artistas que, como ele, querem contribuir para um maior bem-estar dos cidadãos. Sem dúvida que o seu trabalho dá muita vivacidade e cor ao ambiente da cidade. Eu já tinha reparado nas ilustrações das paragens do autocarro, mas não fazia ideia de quem era a autoria. Depois desta tertúlia já voltei a passar por algumas e a forma como as observei foi diferente, pois estava mais atenta.

Para terminar este momento, as alunas de conservatório de música David Sousa brindaram de novo o auditório com a melodiosa e bela canção sobre a cidade de Pombal.

Seguiu-se um momento de confraternização com os sabores tradicionais, nomeadamente das fogaças e dos beijinhos de Pombal, acompanhados por um reconfortante chá.

A Tertúlia “Oh, meu Pombal” proporcionou-me uma excelente oportunidade de convívio e partilha de aprendizagens dinâmicas, entre professores, palestrantes e formandos.

Donzília – Processo RVCC B3

 

Preparados para novas conquistas


Foi em março e julho do corrente ano que a Vitória e o Luís iniciaram a viagem pelo reconhecimento dos seus saberes e competências, aquiridos nos mais variados contextos das suas vidas.

Como qualquer viagem, nem sempre a velocidade foi constante: umas vezes com mais velocidade, outras vezes de forma mais branda, estes dois candidatos foram refletindo sobre a sua história de vida e contornando os obstáculos que se atravessavam no seu caminho, pois o destino era apenas um: a certificação de nível secunário.

Como disse Paulo Coelho, “o mundo está nas mãos daqueles que têm coragem de sonhar e correr o risco de viver os seus sonhos” e por isso,  desejamos que a certificação alcançada, seja o início de um percurso formativo carregado de novas conquistas e aprendizagens.

Patrícia Amado – Técnica de ORVC

Balanço do processo RVCC


O tempo é unidirecional, tal qual a vida.

Podemos compará-la a uma corrida. Uns correm mais velozmente, outros num ritmo mais lento, mas todos correm sem exceção. Não sabemos qual o destino final, mas todos estamos em movimento…

Realizar o processo RVCC foi como ir a correr ao lado de outros corredores, decidir respirar mais fundo e usar esta “alpondra” virtual para ganhar mais velocidade.

O facto de descolar do aglomerado de corredores, naquele compasso e ritmo constantes, deu-me uma perspetiva sobre o “mundo” de assistência que nos observa, e uma visão mais clarividente daquilo que temos pela frente.

No momento do arranque pensei se teria fôlego suficiente para aguentar a “arrancada”. Mas à medida que fui impulsionando os movimentos a confiança foi aumentando. Apesar dos desafios e da distância considerável, os aplausos do público bem como as palavras de incentivo , foram um tónico extra para não baixar o ritmo.

A estratégia estava definida. Estar focado, sem distrações. Mais, as orientações e sugestões dadas pelos treinadores também foram determinantes.

Correr segundo as regras e respeitar os tempos mínimos de cada volta, foram imprescindíveis em cumprir o objetivo final, cortar a meta.

À medida que corria as imagens mentais de atletas veteranos e campeões, dos quais li, ou visionei sua história quais exímios competidores, ajudaram a ter a energia suficiente para não desistir, a relevar a dor e o desconforto muscular e a dizer no final, Bravo!…

…a vitória foi de todos!

João Domingues – Candidato do processo RVCC de nível secundário

Objetivo alcançado: certificação de nível secundário


“Deus quer, o homem sonha, a obra nasce”. Foi este um dos lemas que conduziu o Processo RVCC dos três candidatos que prestaram prova de certificação de nível secundário, no dia de 22 de julho, uma vez que apesar das diferentes contrariedades que encontram ao longo destes meses de trabalho, o objetivo esteve sempre presente: alcançar a certificação de nível secundário.

É de destacar que em todos estes três percursos, a humildade, a boa disposição e a determinação foram ingredientes fundamentais para que as adversidades encontradas se transformassem em oportunidades de aprendizagem e crescimento pessoal.

A riqueza dos seus portefólios, a par da serenidade e confiança demonstradas  em prova de certificação espelham a legitimidade de que a Carolina, o Luís e o Pedro são merecedores da valorização das suas histórias de vida e dos seus saberes intrínsecos.

Parabéns aos três candidatos pela certificação alcançada e fazemos votos para o ensino secundário seja o primeiro registo para um interessante e profícuo percurso formativo, lembrando-se sempre de que o que interessa em qualquer trajeto, não é o ponto de partida, mas sim o ponto de chegada.

Patrícia Amado – Técnica de ORVC